E aeeeee galerinha, tudo certo?

Hoje trago para vocês uma entrevista que fiz com o músico Dmitry Luna. Ele que foi anunciado recentemente como o novo baixista da Malkuth, banda pernambucana de pagan/black metal. E além da Malkuth, Dmitry também tem um projeto solo chamado Myrkgand, o qual ele nos contará mais a respeito… hihi

 

  •   Olá Dmitry, como vai? Conte-nos quando e como surgiu a ideia desse projeto. Em quê você se inspirou?

Eu desde muito novo tentava compor umas coisas, meio que “na-tora”, sem tanto conhecimento ainda e aprendendo na raça mesmo, me baseando em várias coisas que eu escutava. No início era meio que com pouco estudo, ainda, mas ao longo dos anos a gente vai se aprimorando e se interessando, pelo menos eu sou assim… eu guardava muitas dessas composições. Apesar de ter essas coisas guardadas, a primeira música do MYRKGAND só compus no final de 2012. A essa altura a “banda” (de um homem só, haha) não tinha ainda um nome, mas já possuía sua essência, que era de misturar algumas das vertentes do Metal que eu mais me identifico, e de falar sobre fantasia, monstros, batalhas, demônios, orcs, elfos, magia, lendas… eu sempre fui amante de RPGs e MMORPGs, e outros jogos Offline com esse tipo de tema, sempre gostei de bandas que seguiam essa temática, assim como sempre fui amante de livros desse gênero, principalmente os livros de Tolkien. Nisso eu comecei a misturar riffs de Death, Black, Power e Folk Metal tentando achar um equilíbrio entre eles, inclusive eu mesmo crio a bateria das músicas, além do vocal e dos teclados e instrumentos de corda. No Myrkgand fui fazendo partes cadenciadas na bateria, e também partes mais frenéticas, blast-beats, tudo pra tentar explorar todos esses estilos da melhor maneira. Também já tinha em mente colocar vocal limpo nas músicas, misturando com o gutural, e foi o que aconteceu em duas delas: “Orcs & Ogres Brood” e “Mysterious Malediction”, nisso eu acabo explorando algo mais melódico em meio ao Metal Extremo! Em 2013 compus a maior parte das canções, e fui continuando em 2014, sempre voltando às anteriores e mudando coisas aqui e ali, pois eu tenho umas tendências perfeccionistas e sempre botava defeito em alguma parte… eu me exijo muito (e exijo das pessoas também hahahahaha). Mais ou menos nessa época consegui finalmente decidir o nome que daria ao projeto. Em 2015 as músicas estavam praticamente prontas e eu dei os toques finais, mas demorei todo esse tempo também juntando dinheiro pra poder lançar, pois na época não tinha condição nenhuma. Enquanto não lançava eu me aventurei tocando em bandas daqui da Paraíba. Quando deu dezembro de 2015 eu decidi que estava na hora de lançar, e em Janeiro de 2016 agendei a gravação com o produtor Diego DoUrden, dono do Darkside Studio em Recife-PE e frontman da lendária banda Mystifier, maior banda de Black Metal da América Latina, de Salvador, Bahia!

Mershandising Myrkgand
Mershandising Myrkgand
  •   Em 2016 você iniciou a gravação do CD. E já sabemos que houve participação de vários convidados especiais. Quem são eles?

Pra facilitar, inicialmente citarei as bandas que os participantes do disco fazem parte, que são: Symphony X, Novembers Doom, Mystifier, Malefactor, Korzus, Steel Warrior, Luxúria de Lillith, Cruor, Infested Blood, One Arm Away, Cangaço.

Quando eu comecei essa minha banda não imaginava que isso aconteceria, esse lance das participações, mas tive a ideia quando estava perto de terminar as músicas, e deu muito certo. Meu critério foi escolher músicos que me marcaram durante toda a vida e que são meus amigos pessoais. O resultado foi melhor do que eu imaginava! O próprio Diego DoUrden do Mystifier, meu produtor, acabou se envolvendo e participando do disco cantando partes da música “Demon of Ice”; no caso ele canta as falas do Demônio de Gelo e eu canto a narrativa da música. Diego também me ajudou muito nas partes de teclado, já que ele toca teclado, baixo e vocal ao mesmo tempo no Mystifier, então nós meio que compusemos juntos os teclados de algumas músicas, cada um dando seus pitacos e criticando um ao outro sem concessões. Além disso, ele tocou uma base de guitarra na música “Mysterious Malediction”. Diego também se destaca por ser frontman da banda recifense Infested Blood; Ainda falando de Mystifier, o fundador da banda e meu grande amigo Armando Beelzebub toca um solo de guitarra na música “Shadowforge”, ele que leva o nome do Mystifier desde 1989 (detalhe que eu nasci em 1990, haha velhote!) e que gravou dois dos meus discos favoritos que são o “Wicca” e o “Göetia”, além de um split com o Marduk naquela época; O interessante é que pra gravar toda a bateria do disco eu convidei um de meus melhores amigos, meu conterrâneo Eduardo Amorim, mais conhecido como Monga ou Warmonger, um dos bateras mais conhecidos da região, que tocou em várias grandes bandas paraibanas, dentre elas o Medicine Death. Nisso eu o apresentei a Diego, e por sua grande performance nas gravações e sua formação musical acadêmica ele veio a se tornar baterista do Mystifier! Com isso, já que eles são um trio, posso dizer que todo o Mystifier participou desse primeiro álbum do Myrkgand. Me sinto realmente honrado por isso! E já que estamos falando de bandas baianas, vamos falar de Malefactor, que sem dúvidas é uma das minhas bandas favoritas desde a adolescência. Dois membros da banda participaram desse meu disco: o vocalista Lord Vlad cantou o vocal limpo na música “Orcs & Ogres Brood”, protagonizando uma das participações mais marcantes e bonitas deste trabalho; e o guitarrista Jafet Amoêdo fez um solo animal, técnico e melódico, na música “O Vale da Agonia”, que é a única música em português do disco e que é cantada inteiramente pelo mestre Alysson Drakkar, baterista/vocalista e fundador do Luxúria de Lillith, outra banda que sou muito fã desde moleque! É a única música que eu não cantei em todo o disco, pois quis deixar para Drakkar o papel de poeta vampírico que ele sempre fez tão bem em sua banda Ele que é possuidor de uma dicção impecável, que nos faz entender tudo o que ele canta mesmo sem estarmos lendo a letra, e mesmo o vocal sendo rasgado e normalmente de difícil compreensão; Na faixa “Dangerous Dungeon” reservei um espaço para um outro grande amigo fazer um solo de guitarra: o monstro Rafael Cadena, guitarrista do Cangaço, banda recifense que mistura Death Metal Progressivo com sonoridades nordestinas como baião, etc. Rafael, que inclusive já chegou a tocar no Wacken Open Air com sua banda, criou e executou com maestria um solo cheio de feeling, que arrisco dizer ser o meu favorito de todo o disco! Sempre que o encontro na rua digo que ele colocou todo mundo que participou desse disco “no bolso”, hahaha; A faixa “Mysterious Malediction” é a que tem mais participações: Já citei que Diego DoUrden fez uma base de guitarra nela, mas ele também participou de um coro de “anões” que tem em determinado trecho da música, onde eu inclusive canto junto, e também o nosso amigo Jairo Neto, baixista lendário de Recife, fundador da renomada Cruor, que dizem ser a primeira banda de Metal extremo de Recife. Jairo com sua experiência já tocou em shows incríveis, como por exemplo com o Megadeth, Destruction, Suffocation, etc. Ele é um grande amigo e apoiador, e me cedeu sua casa várias vezes, me hospedando enquanto eu gravava esse disco em Recife; Ainda em “Mysterious Malediction” eu mesmo cantei o vocal gutural, mas para o vocal limpo reservei importantes partes da música, inclusive o refrão, e quem canta é um grande amigo meu, e ao mesmo tempo um grande ídolo de minha adolescência, que é o André Tulipano do Steel Warrior. Um dos maiores vocalistas de Power Metal que eu já vi, ouvi, toquei, trabalhei e conheci. Me sinto imensamente honrado em ter sua voz numa música tão épica, numa composição minha, pois ele foi muito importante na minha formação e suas composições principalmente no álbum “Army of the Time” moram em meu coração; Na mesma música chamei outro grande amigo que fez um solo insano de guitarra, o Antonio Araujo, guitarrista recifense que toca no gigante Korzus e fundou recentemente a promissora One Arm Away; logo em seguida a esse solo, o mestre Mike LePond do Symphony X colocou um solo de baixo altamente técnico e com um feeling único, com a cara dele! Essa que talvez seja a participação mais “de peso” de todo o trabalho. Foi realmente uma grande satisfação poder trabalhar com um cara tão humilde, profissional e talentoso. Muito prestativo, e sem hesitar abraçou a minha ideia e valorizou meu trabalho. Na adolescência curti muito o Symphony X também, eu amo muito “The Odyssey” e é muito louco imaginar que esse gringo participa de uma música feita por mim… isso era algo inimaginável para mim, que naquela época não passava de um simples moleque paraibano que gostava de boa música e estava fascinado pelo Heavy Metal; Pra finalizar, tem mais um americano que participou do disco, que é o Vito Marchese, guitarrista do Novembers Doom. Ficamos amigos em 2015 quando o Novembers Doom foi fazer dois shows em São Paulo no Overload Festival. Num dos dias eles tocaram um repertório acústico, e no outro um show “normal”. Assisti e fiquei fascinado pelo som que Vito tirou de um violão barítono que ele estava usando. Fiquei viajando no formato do instrumento também, que era meio exótico, e ao fim do evento a gente tomou umas cervejas e trocamos muitas idéias… mostrei várias bandas brasileiras a ele, principalmente do Nordeste. Vito se interessou bastante e acabamos trocando contato. Quando deu 2016 eu não hesitei em convidá-lo para participar do meu disco, e eu cobrei que ele usasse aquele violão que eu havia visto ele tocar em São Paulo, e ele o fez! Vito é responsável pela criação e execução de 3 faixas instrumentais no disco do Myrkgand. São elas: “Wanderer”, “Dwarvenquest” e “A Ghastly Aftermath”. Ele foi criando idéias à distância e eu e Diego colocamos o dedo no trabalho todo, que ocorreu da melhor maneira, por Vito ser altamente prestativo e aceitar os nossos pitacos sem reclamar.

Não consigo achar palavras pra descrever meu sentimento quanto a todas essas participações, agradeço muito aos grandes músicos e amigos que me apoiaram e abraçaram o Myrkgand sem pestanejar! Meu objetivo era justamente esse: colocar pessoas que considero como amigos e ao mesmo tempo que marcaram minha vida no meio musical de alguma forma. E é essa ideia que eu seguirei em todos os próximos trabalhos.

  •  Como foi o processo de gravação? E quando poderemos adquirir o disco físico?

Foi muito bom! Melhor do que eu imaginei. O Monga gravou a bateria rapidinho, pois ele levou sua “cola” em partituras e isso ajudou muito com que ele se guiasse e matasse o trabalho com rapidez e eficácia! Eu gravei as duas guitarras base, alguns solos de guitarra, o baixo, o vocal e os backing vocals. Essa gravação gerou muitas coisas espetaculares, criamos um grande elo de amizade e de aprendizado. Cada um contribuiu de sua forma, e com certeza eu, Diego e Warmonger saímos nos sentindo aprimorados e realizados. Além de tudo a gente se divertiu muito, tomamos muitas cervejas nas pausas e compartilhamos muitas experiências. Foi um grande presente pra mim e não faria NADA diferente. O fato de eu ter apresentado Warmonger a Diego e ter feito a ponte para ele ser o baterista do Mystifier me deixa muito feliz também. Eu fico muito contente de ver amigos meus se aliando e crescendo juntos, e eu poder ajudar nisso não tem preço. Torço sempre pelos meus irmãos e os quero no topo, vencendo!

  •  Pensa em fazer shows, ou até alguma tour com a Myrkgand?

Sim, há grandes idéias para futuras apresentações. Mas por enquanto isso ficará oculto, fica no ar esse mistério… hehehe.

  •   Sobre a Malkuth… É uma banda que já possui uma longa estrada. São 6 discos gravados, além de 6 materiais paralelos. Vários músicos já integraram a banda nesses 23 anos… Como que surgiu essa oportunidade de ser o novo baixista?

O Malkuth é uma banda tradicional de Black Metal que surgiu em 1993, portanto tem 24 anos. Na adolescência eu já escutava a banda pois fiquei conhecendo através da internet. Black Metal sempre foi um estilo que fez parte de mim, me formou como pessoa. A oportunidade surgiu quando o dono da banda, Vital, me convidou no início de 2017. Eles eram um trio, mas tiveram a ideia de um deles pegar uma segunda guitarra e arranjar um outro baixista, pra deixar o som mais cheio, completo e trabalhado. Então Agares, que era o baixista, passou para a guitarra, e eu entrei no baixo por indicação de Diego DoUrden (meu produtor de novo em cena, frontman do Mystifier), que há muitos anos toca teclado como live member do Malkuth (e inclusive entrou no Mystifier depois de dividir o palco com eles tocando baixo e teclado pelo Malkuth em 2013). Apesar de a banda ser de Recife, Pernambuco, eu resido em João Pessoa, Paraíba, portanto eu preciso viajar para ensaiar e realizar as demais atividades da banda. A diferença de distância é pouca, menos de 2h de viagem.

DMYSTERIIS - Malkuth
DMYSTERIIS – Malkuth
  •   Neste ano vocês entraram em estúdio para gravar mais um disco… O que poderia nos adiantar sobre o novo álbum?

Sim, gravamos recentemente o 7º álbum do Malkuth, que vem com muita força, beleza e ódio ao cristianismo. As músicas estão incríveis, violentas e poéticas… e o trabalho tem sido recompensador. No momento estamos finalizando o processo de mixagem e em breve vocês terão grandes novidades.

  • Para quando está previsto o lançamento?

Não sei ao certo, mas creio que estaremos com o disco lançado no show que faremos em Recife no dia 15 de Outubro de 2017, dividindo palco com o Inquisition, Mystifier, Vulcano e Amazarak no festival October’s Hell.

  •  A Malkuth pretende fazer alguma tour depois que o novo disco estiver pronto? Já estão pensando em fechar contratos ou o foco é terminar as gravações?

A pretensão sempre é tocar o máximo que pudermos. Se surgirem boas propostas nós analisaremos e certamente fecharemos, se estiverem dentro de nossas exigências e se essas propostas baterem com nossas agendas. Portanto estamos abertos a tocar. No momento há dois shows marcados para 2017: um em Mossoró-RN no dia 19/08 e esse que mencionei do Inquisition, Malkuth, Mystifier, Vulcano e Amazarak no festival October’s Hell dia 15 de Outubro em Recife-PE.

MALKUTH - pagan/black metal
MALKUTH – black metal

  •   E quais outros projetos e/ou bandas você já participou ou participa?

Na realidade não gosto muito de falar sobre bandas ou projetos passados. Se alguém quiser pesquisar sobre, fique à vontade. Meu foco é no agora, e minha banda principal é e sempre será o Myrkgand.

  • Você também organiza excursões para shows, tanto nacionais quanto internacionais na região em que vive… Levando em conta a atual situação financeira do país, há uma grande procura desse meio de transporte para os eventos? Como está a cena underground nordestina?

Grande procura não… depende do show, talvez. Quando é uma banda mainstream é mais fácil de juntar gente pra levar, e levar micro-ônibus ou ônibus grandes. Mas esse tipo de banda puxa um tipo de público que muitas vezes não está inserido no meio do Metal. A cena do Brasil em geral tem um problema grande com comparecimento e apoio, muita gente reclama muito e faz pouco, vai pra porta do show beber na frente, o apoio é pequeno. Mas a gente não deixa a chama apagar, sempre procuro me manter ativo e promovendo um intercâmbio entre adoradores do Metal de estados diferentes. A cena do nordeste tem bandas boas, mas é muito dividida por rixas sem sentido, rivalidades, inveja e atitudes babacas. Mas creio que em todo o Brasil há esse tipo de coisa, em certos lugares é mais acentuado.

  •   Em 2016, você esteve presente na primeira edição do MANIACS METAL MEETING. Inclusive teve participação no show da banda Steel Warrior(Heavy Metal-SC). O que achou de tocar nesse evento?

Foi incrível! Eu nunca tinha visitado Santa Catarina, e cheguei em Rio Negrinho com uma galera maluca de Curitiba numa excursão. Como o Steel Warrior ia tocar e eu estaria presente, eles me chamaram pra dar uma canja numa de minhas músicas favoritas deles, a “Power Metal”. Toquei guitarra nela. Não me lembro muito bem do momento pois eu estava ligeiramente chapado (hahahaha) mas lembro que senti muita alegria e me diverti! Me fascinei pelas pessoas do Sul e me senti MUITO em casa. Foi muito legal também pois revi muitos amigos e dividi palco com bandas que admiro. Logo após o show do Steel Warrior meus amigos do Vulcano subiram ao palco, já dividi o palco com eles em 3 oportunidades (a 4ª vez será agora com o Malkuth em Recife) e inclusive já os recebi em minha casa em João Pessoa e eles viajaram comigo de ônibus numa de minhas excursões junto do público. Fizeram uma grande festa ao me ver no Maniacs Metal Meeting, me diverti demais com tudo que vivi ali. Também revi os grandes irmãos do Krisiun, que já dividi o palco por 3 vezes também e sempre me trataram com muito carinho e respeito, sempre que nos vemos celebramos juntos à nossa maneira! Gostei muito de ver bandas que admiro como Miasthenia e Tuatha de Danann, e fiquei andando com os nordestinos do Sanctifier, pois já dividimos palco por aqui pelo Nordeste e a gente meio que tem um vínculo legal. Ganhei camisa deles e do Steel Warrior de presente durante o evento, e outros presentes que não lembro agora. Conheci pessoalmente gente que mantinha contato e amizade comigo apenas por internet, e isso sempre é muito massa! Foram 3 dias de festival, mas pra mim foram 4 dias de muita festança, pois cheguei um dia antes e comecei cedo a farra com o povo. Um dos melhores rolês que eu já fiz, sem dúvidas

Muito obrigada Dmitry por conceder esta entrevista. Sucesso pra você em seus projetos.

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