Março Maldito: Uma Celebração Insana do Metal Extremo no Opinião
O festival Março Maldito, realizado no icônico Opinião, em Porto Alegre, no dia 20 de março, reafirmou o status da capital gaúcha como um reduto do metal extremo. A noite foi um verdadeiro espetáculo de brutalidade sonora, com performances intensas, um público faminto por peso e um lineup que trouxe o caos em sua forma mais autêntica. O ambiente estava eletrizante, com fãs trajando patches, spikes e camisetas de bandas lendárias do metal, todos preparados para uma noite de destruição sonora.
O Ritual Começa – Ossuary
A missão de abrir a noite ficou por conta do Ossuary, banda brasileira/uruguaia que entregou um death metal denso e impiedoso. Com riffs cortantes e um vocal gutural vindo diretamente das profundezas, a apresentação foi um verdadeiro choque para os presentes.
A banda iniciou o set com “Rising Kingdom”, passando por músicas como “I Never Walk Alone” e encerrando com “Killed by Pride”, transformando a pista em um vórtice de mosh pits. O peso esmagador do baixo e a bateria avassaladora criaram uma parede sonora que ressoou pelos cantos do Opinião. Foi difícil acreditar que a banda não se apresentava desde 2017, quando se reuniu para um único show em Montevidéu. O público respondeu com headbangs frenéticos e punhos erguidos, em uma celebração vibrante ao underground.
O Caos Sueco e Alemão
O Sacramentum, ícone do black/death metal sueco, trouxe um clima ainda mais sombrio para a noite. Com seu estilo melódico e afiado, a banda executou clássicos como “Fog’s Kiss” e “Far Away from the Sun”, hipnotizando a plateia com uma tempestade de riffs gélidos, blast beats ferozes e uma performance teatral impressionante.
O vocalista Nisse Karlén protagonizou um dos momentos mais impactantes do festival ao encenar um “banho de sangue” no palco, intensificando a aura ritualística da apresentação. O jogo de luzes azuladas ajudou a compor uma atmosfera sinistra, enquanto a execução precisa das guitarras e a brutalidade controlada da bateria tornaram essa uma das performances mais memoráveis da noite.
Na sequência, os alemães do Desaster incendiaram o Opinião com seu black/thrash metal devastador. O setlist trouxe hinos como “Teutonic Steel” e “Hellbangers”, fazendo a casa tremer com a fúria sonora e a energia do público, que respondeu com stagedives e rodas de mosh frenéticas.
A postura incendiária do vocalista Sataniac foi um diferencial, incitando a plateia a mergulhar de cabeça no caos sonoro. O ápice da apresentação veio na última música, quando a banda chamou ao palco Márcio Jameson (proprietário da loja Aplace e figura ativa na cena metal). A interação entre banda e público foi explosiva, tornando esse um momento absolutamente arrebatador.
O Clímax com Bewitched
Encerrando a noite com chave de ouro, os suecos do Bewitched entregaram um show digno de um tributo ao metal extremo. Com uma sonoridade que combina o melhor do black, thrash e heavy metal tradicional, a banda trouxe uma performance intensa e carregada de atitude, remetendo à era dourada do metal escandinavo. “Worship of Evil” e “Cremation of the Cross” foram entoadas a plenos pulmões pela plateia, consolidando um final apoteótico para o festival.
A banda estava visivelmente empolgada com a recepção calorosa dos fãs gaúchos, e a troca de energia entre público e músicos tornou a experiência ainda mais especial. Com riffs cortantes e uma execução impecável, o Bewitched deixou uma marca definitiva nesta edição do Março Maldito.
O Março Maldito se consolidou como um evento essencial para os aficionados pelo metal extremo no Brasil. A combinação de um som brutal, a energia destruidora do público e a qualidade impecável das bandas fez desta edição um marco na cena underground. O Opinião se transformou em um verdadeiro templo do caos sonoro, onde suor, sangue e decibéis se fundiram em uma experiência única e inesquecível. Se o inferno tivesse uma trilha sonora, com certeza teria sido composta naquela noite.
Que venha a próxima edição!
fotos by Giovanni Maglia @gmaglia