Mais uma edição do River Stone Winter Fest decorreu no passado dia 29 de Março de 2025, na Sede Grupo de Bombos “Os Amigos de Cima”, em Rio de Moinhos, Penafiel, e mais uma vez esta organização provou que não há melhor forma de nos despedirmos do Inverno e dar as boas vindas à Primavera, se não com os ecléticos e excelentes cartazes que este festival apresenta anualmente!

No passado sábado, todos os caminhos foram dar à remota vila de Rio De Moinhos que duas vezes por ano se enche de metaleiros. O cartaz desta edição foi, estilisticamente falando, provavelmente o mais variado que este festival já apresentou: tivemos nu-metal energético com Aeleen, Metal Progressivo com Phase Transition, Black Metal cavernoso com Gandur, Folk com os Firemage, Death/Thrash Metal sobre-humano com os Destroyers of All e, por último mas não menos importante, Thrash Metal com os jovens Yataana, e não haveria melhor forma de encerrar esta festa.

Como pode um festival tão diversificado tornar-se aborrecido? IMPOSSÍVEL. E foi precisamente isso que se viveu nesta tarde e noite primaveril de muito calor: diversão constante, diversidade, alguns imprevistos que se transformaram em momentos engraçados e muita qualidade musical. Para além de tudo isto, ainda dois anúncios estrondosos aconteceram para a edição de verão do River Stone, mas já lá vamos …

 

AELEEN

A primeira banda a pisar o palco às 17h30 desta tarde primaveril quente foi provavelmente a banda que mais surpreendeu pela positiva o público deste festival. Este quarteto ARRASOU completamente nesta atuação e tenho a certeza que esta opinião é unânime!

A banda liderada por Kti Cruz fez uma atuação cheia de atitude, personalidade e energia. Destaque para uma vocalista poderosíssima com vozes berradas incríveis, mas também alguns momentos falados que fazem com que cada mudança seja surpreendente.

Aeleen, por Ana Sá

Tivemos aqui uma excelente dose de nu metal cheia de assinatura sonora própria, pois misturam e modernizam Metal, Rap e Trip Hop através de emoções como a raiva e/ou desespero que a vocalista tão bem expressa em palco. Ritmos Groovy também estavam presentes bem, como algumas passagens industriais. Tudo isto talvez seja resultado da junção de 4 músicos com formações culturais e artísticas diversas, mas o que é certo é que o resultado é incrível: criações únicas, completamente distintivas e livres de regras. Horizontes abertos, é o que me vem à cabeça ao pensar neste grupo e também por isso me impressionaram tanto.

Infelizmente alguns problemas técnicos aconteceram durante a sua atuação pois falhou a luz no pavilhão duas ou três vezes mas nem isto abalou a atitude e o profissionalismo desta banda que, cheia de sede de arrasar neste concerto, contornou estes pequenos azares com uma postura super profissional e até em tom de brincadeira e boa disposição.

Aeleen, por Ana Sá

Para fãs de bandas como Korn, Guano Apes, Spiritbox e Jinjer, vocês TÊM de conhecer este grupo! O que se viu foi uma partilha de energia brutal, entregando ao público uma experiência sincera e intensa. Para uma banda formada apenas em 2023, tenho a dizer que estou extremamente impressionada e ansiosa para ver o que virá a seguir. Este grupo nunca mais sairá do meu radar e recomendo que façam o mesmo.

Setlist: 1- Intro; 2- Tik Tak; 3- Amy; 4- Noisy silence; 5- Circus; 6- Why so serious; 7- Speechless; 8- Misfits; 9- Psycho break.

PHASE TRANSITION

A segunda banda a pisar o palco foram os Phase Transition, um dos nomes mais impulsionadores do metal progressivo em Portugal. O grupo liderado pela talentosa Sofia Beco (vocalista e violino), com Fernando Maia (bateria, ex-Moonshade) e Luis Dias (guitarra, Moonshade) apresentou-se neste concerto com um baixista convidado Pedro Coelho e fizeram uma atuação incrível!

O metal progressivo que este grupo constrói desde 2018 é extremamente criativo: eles juntam uma vertente sinfónica, partes jazzy, elementos de blues, passagens folk e bastante peso ao seu metal progressivo cheio de complexidade e imprevisibilidade. No fundo, o que fazem é misturar influências dos mais diversos mundos musicais de forma tão única que os põe no topo, explorando e desafiando limites e quaisquer regras que possam existir.

Phase Transition, por Ana Sá

A voz angelical mas poderosa da vocalista conjugada com os toques de violino dão um ar mais emocional às faixas. Mas não se iludam, logo a seguir vêm passagens cheias de peso e complexidade técnica tanto em termos de precursão como de solos de guitarra. Na mesma música temos tudo, sempre com passagens mega imprevisíveis mas sempre surpreendentes.

Tecnicamente, estamos perante uma banda cheia de talento: um guitarrista que faz com que solos mega complexos pareçam fáceis deixando o público de boca aberta, um baterista que faz mudanças de ritmo imprevisíveis com uma perna às costas, uma vocalista com uma voz angelical poderosa mas que de vez em quando saca do seu violino e apresenta melodias contaminantes e, embora como convidado, um baixista com 5 cordas cheio de segurança. Simplesmente impressionante…

Durante o concerto, alguns leves problemas técnicos também aconteceram à semelhança do concerto anterior. Mas nos breves segundos em que falhava a luz, Sofia fez com que o público não deixasse o Fernando sozinho na bateria, motivando toda a gente a gritar e que momentos incríveis que foram. Esta banda, tal como a anterior, teve profissionalismo e familiaridade para transformar estes momentos de azar em segundos a recordar.

Phase Transition, por Ana Sá

Nesta atuação ainda houve espaço para uma surpresa (ou talvez não fosse assim tão surpresa para seguidores da banda): o quinto tema do alinhamento- The Other Side– deu espaço para um dueto vocal com o Ricardo Pereira, senhor do metal nacional que já dispensa de apresentações. O vocalista dos Moonshade já nos habituou a atuações cheias de energia, presença e uma qualidade e intensidade vocal fora deste mundo. Aqui, combinado com a complexidade do metal progressivo dos Phase Transition e a voz angelical de Sofia, o resultado foi, no mínimo, incrível. Uma simbiose perfeita num tema que combina melodia e peso.

E por último, para encerrar o concerto, os dois singles de avanço do novo e tão ansiado álbum dos Phase Transition que sairá a 6 de junho foram interpretados- Veil Of Illusions e Becoming (R)evoluton. Deixem-me dizer-vos que com estes dois temas as expectativas para o novo álbum estão bem lá em cima e com esta interpretação dos mesmos ao vivo não tenho dúvidas que este grupo está na iminência de um crescimento exponencial bem para além de fronteiras.

Phase Transition, por Ana Sá
Setlist: 1- Intro; 2- Your Guide; 3- Singularity; 4- Shadows of Thought; 5- The Other Side (feat. Ricardo Pereira); 6- Veil Of Illusions; 7- Becoming, (R)evolution.

 

GANDUR

E agora viajamos do progressivo dos Phase Transition para o Black Metal cavernoso e ríspido de Gandur. Passagem estranha? Não para este festival!

Estava particularmente curiosa para assistir a esta atuação e o resultado mesmo assim foi surpreendente. Este grupo vindo de Lisboa e formado apenas em 2023, prometeu com o EP Heritage lançado em 2024 ser um destaque do black metal nacional, e vincou ainda mais esta promessa com o single “Call to Cernunnos“. Para mim, depois desta atuação, qualquer réstea de dúvida que poderia existir foi extinguida!

Gandur, por Ana Sá

Com uma apresentação visual cuidada com recurso a pinturas, roupas e adornos em palco que remontam para a realidade pagã/celta, e uma postura gélida e arrogante (no bom sentido), este grupo trouxe a escuridão ao recinto do River Stone Winter Fest com extrema facilidade.

Aquilo que fazem é um black metal violento com uma costela pagã/celta/viking e com bastantes momentos de contaminantes melodias e diria que um dos destaques deste grupo é mesmo esse: são muito bons na criação de melodias de base aos temas. Os vocais de Aodh, foram fortíssimos e impressionantes que, aliados à composição complexa, intensa e cheia de melodia, criou um espetáculo auditivo e visual marcante.

Gandur, por Ana Sá

A banda formada por músicos apaixonados pelo Pagan Melodic Black Metal, transportou, neste concerto, o público para os reinos dos mitos celtas e nórdicos ao longo de 45 minutos que pareceram segundos. Com a sua sonoridade assombrosa e histórias épicas, ofereceram-nos uma jornada através de sagas antigas, repletas de melodias atmosféricas e intensas. Não reproduziram apenas música, criaram uma experiência sonora que transportou os ouvintes para o passado!

Foi uma atuação cavernosa que impressionou todos os presentes, cheia de profissionalismo e qualidade técnica, num ambiente contaminante e assombroso. Por estes lados, posso dizer que estou ansiosa pelo que este grupo nos reserva no futuro…

Setlist: 1- Intro; 2- Call to Cernunnos; 3- Forgotten Times; 4- A Druids Chant; 5- Tempus Fugit; 6- Into Teutoburg Forest; 7- Thorns; 8- Eclipse And The Void; 9- Desolation of Ravens.

 

ANÚNCIO DE HEADLINERS

Seguiu-se uma pausa para jantar mas não pensem que foi um momento para acalmar os ânimos. A organização aproveitou este momento para anunciar os dois headliners para o IX River Stone Fest, a edição open air e não tenho dúvidas que todos (sem exceção) saíram surpreendidos. SYLVAINE e HATE foram as confirmações, comprovando que o River Stone Fest veio para ficar e ano após ano apresenta um crescimento estrondoso, mas inevitável! Enquanto seguidora deste festival, é um grande orgulho ver os esforços da organização serem retribuídos e assistir a este crescimento merecido.

Quanto a vocês, se não têm o vosso bilhete, estão à espera do quê?!

FIREMAGE

Depois desta pausa e grande anúncio, chegou a hora do folk festivo dos Firemage entrar em ação. Embora estejamos a falar de um grupo também recém formado em 2019, experiência não lhes falta, pois estamos a falar de uma banda composta por membros já bem experientes e conhecidos na realidade lusa, nomeadamente o vocalista poderosíssimo e mestre das cordas Tiago Costa (Xeque-Mate e Eoten, vocalista, guitarra e gaita de foles) e Ricardo Pereira (Moonshade, vocalista e guitarra), o animal de palco e vocalista potentissimo. A banda é ainda composta por Ana Ferreira (baixo e back vocals), Emanuel Moreira (Bateria), Ricardo Santos (Teclados e back vocals) e Vania Ferreira (Flauta).

Como o típico “tuga” costuma dizer, “são mais que as mães” e isto deve-se à variedade instrumental que o grupo tem que lhes permite uma forte diferenciação- apresentaram-se com vários instrumentos folclóricos, como flauta, pandeireta, gaita de foles e um quarto instrumento que imita o som da chuva (adoraria saber o nome do mesmo mas não sei).

Firemage, por Ana Sá

Tiago Costa tem uma voz absolutamente feita à medida dos Firemage. A juntar a esta voz poderosa e segura, Ricardo Pereira completa os temas com vozes berradas dando bastante versatilidade e um toque de peso à realidade festiva do folk. Temos ainda uma terceira voz de Ana Ferreira que complementa tudo com o seu timbre feminino que, de alguma forma, reforça a viagem no tempo a que nos sujeitam. As 3 vozes completam-se e formam uma simbiose perfeita!

Um tema interpretado que merece destaque é “The Last March” que, em tom de brincadeira, como Tiago Costa disse “esta não é a nossa última música mas é a nossa última marcha”. Esta música é uma balada onde o vocalista é o protagonista tanto em termos vocais como de solo de guitarra. A melodia é cheia de energia e contaminante, os back vocals berrados do Ricardo dão um peso extra à música, e o refrão é feito para ser cantado em uníssono pelo público. É algo que simplesmente se sente na alma…

Firemage, por Ana Sá

Um dos pontos altos desta atuação foi a escolha para o encerramento do mesmo: a interpretação do famoso tema “My Mother Told Me“, canção nórdica antiga composta originalmente por Egill Skallagrímsson que ficou viral devido à serie Vikings. Esta música é absolutamente perfeita, tocante, emocional, vibrante, tudo… E a interpretação dos Firemage foi tão intensa que se torna difícil descrever por palavras. Que momento forte que se viveu ao longo desta interpretação.

O que estes 6 elementos fazem e fizeram é um folk extremamente energético e criativo, por vezes emocional, enraizado na tradição épica mas com uma produção moderna que, de certa forma, vem preencher um vazio que existia a nível nacional. Um projeto recente mas extremamente promissor tanto pela criatividade e diversidade na composição instrumental e lírica, como na própria imagem que a banda parece criar com recurso a vestimentas e elementos que tão bem caracterizam a época que procuram retratar e trazer até nós.

Firemage, por Ana Sá

Foi apenas o terceiro concerto da banda, mas um crescimento abismal está à porta. Que orgulho é poder dizer “esta banda é nacional!”. Que espetacular foi este concerto!

Setlist: 1-Intro; 2- Welcome To The Grove; 3- Dance With The Fire; 4- The Last March; 5- Through Shadow (LOTR cover); 6- Turn Of The Wheel; 7-The Brewess; 8- The Nightlord’s Blade ; 9- My Mother Told Me (Saltatio Mortis Cover).

 

DESTROYERS OF ALL

E chegou o momento de um dos nomes mais ansiados da noite subir ao palco para uma atuação cheia de técnica, pujança, agressividade e profissionalismo.

Este grupo de Death/Thrash metal é absolutamente inovador, estilisticamente falando. Fazem algo diferenciador que até se torna difícil de caracterizar: um death metal progressivo cheio de elementos de thrash e até outras realidades, que combina o melhor dos diversos mundos: linhas duplas de guitarra, partes melódicas, vocais agressivos, mudanças de tempo, solos técnicos rápidos e muitos outros ingredientes à mistura. O resultado? Uma viagem às profundezas da nossa sociedade.

A dinâmica instrumental é um dos fatores mais diferenciadores deste grupo, e tal só seria possível com membros cheios de qualidade técnica como é o caso. Filipe Gomes na bateria é o principal impulsionador das mudanças de ritmo imprevisíveis e sempre surpreendentes, acompanhado por Alexandre Correia (guitarra), Guilherme Busato (guitarra) e Bruno Silva (baixo) nas cordas, é impressionante como cada um destes senhores faz algo tão difícil parecer tão fácil. Mas os vocais também têm de ser aqui mencionados pois João Mateus tem uma voz absolutamente sobre-humana! Versátil, segura, forte, ríspida, agressiva (…), tudo aquilo que é preciso e muito mais para acompanhar o instrumental extremo.

Destroyers Of All, por Ana Sá

Com um trabalho recentemente lançado apenas umas semanas antes deste concerto, a 1 de Março de 2025- “In Darkness We Remain“- o arranque deste concerto foi com material fresquinho. Insaniam e Ritual do mais recente álbum foram os primeiro temas a ser interpretados antes de voltarmos um pouco atrás no tempo para trabalhos mais antigos. O tema Ritual pôs toda a gente a gritar em uníssono o seu refrão tão cativante “Welcome to the Ritual“. Diria que esta faixa ficará no alinhamento da banda nas suas atuações ao vivo durante muito muito tempo.

Algo que admiro muito nesta banda é a sua postura: mega profissional mas sem ser demasiado séria. Embora os assuntos abordados pelo grupo sejam principalmente pesados emocionalmente, há sempre espaço para algum humor! E aqui mais uma vez João Mateus a destacar-se.

E foi nesta atuação que se viu o primeiro (de muitos) mosh pits da noite. Mas também foi aqui que o pavilhão ficou às escuras durante uns segundos transformando-se num momento de pura comédia e diversão, até porque o momento em que luz falhou não poderia ter sido melhor se não no exato segundo final da interpretação de Death Healer e a banda não poderia ter lidado com o percalço de melhor forma. Uma clara demonstração de que o River Stone é mais do que um festival, é uma festa quase familiar cheia de animação e boa disposição. Rapidamente o problema foi resolvido e a atuação continuou.

Destroyers Of All, por Ana Sá

De seguida voltamos a trabalho fresquinho- Neurosis, Closure e Gehenna deram continuidade à festa e tenho-vos a dizer que se ainda não ouviram “In Darkness We Remain“, não sei de que estão à espera! Estes senhores voltaram e voltaram em força! Momentos de puras metralhadoras, momentos de melodias leves, temos tudo no mesmo tema mas que não se pense que é tudo atirado para lá à toa. Tudo é estrategicamente encaixado resultando em algo muito complexo mas agradável ao ouvido.

Antes de partirmos para Closure, João Mateus disse algumas palavras de agradeciment à organização, a colegas da banda e ainda ao público que mesmo numa terra interior e sem fáceis acessos, conseguiu encher a casa. “Sem o público, o metal não existia”.

Closure, um tema que merece ser destacado por abordar algo que todos nós nos identificamos. É uma música sobre a dura separação, por vezes necessária, de alguém que gostamos a sério. Começa com um passada mais lenta que o habitual, ligeiramente doomy que parou o moshe mas intensificou a contemplação.

Depois, já perto do fim, voltamos a material mais antigo Break The Chains e Tormento.  O penúltimo espaço do alinhamento- Tormento– foi dado a um tema especial: uma pequena homenagem à sua cidade- Coimbra. Os primeiros acordes que se ouvem são de uma guitarra portuguesa e o que vem a seguir é a agressividade e potência de Destroyers Of All dura e crua, mas sempre com uma melodia mais lenta por base. O refrão é diferente pois temos a voz limpa de João e é cantado em português trazendo mais genuinidade ao tema.

Terminaram este concerto com um tema que voltou a trazer rapidez, Into The Fire, para esgotar as últimas résteas de energia que ainda poderiam existir armazenadas algures no nosso corpo.

Tudo é possível com Destroyers of All. Querem músicas mais rápidas? Querem melodias mais lentas? Querem Thrash? Death? Eles têm! Mas no final de contas, são sempre temas e obras ricas em criatividade, potência e energia. Tudo o que o Thrash tem, estes senhores têm. Tudo o que o Death tem, estes senhores também têm. Mas a juntar a isso, uma amálgama de outros elementos estilísticos estão presentes nesta banda: groove, heavy, progressivo, doom e até alguns elementos de black metal. Tudo combinado de forma extremamente original e única tem um nome: Destroyers Of All!

Setlist: 1- Intro; 2- Insaniam; 3- Ritual; 4- False Idols; 5- Death Healer; 6- Neurosis; 7- Closure; 8- Gehenna; 9- Break the Chains; 10- Tormento; 11- Into the Fire.

 

YAATANA

E para terminar um evento que já estava a correr às mil maravilhas, nada melhor do que os jovens cheios de garra e pujança que andam a dar muito que falar, os Yaatana!

Yaatana apresentaram-nos um thrash da velha escola com algum crossover incluído. Ouvindo os seus temas, estão claramente presentes influências de gigantes como Nuclear AssaultKreator, Anthrax e Sepultura. Aquilo que fazem é simples e seguro no que diz respeito ao thrash, com raiva e atitude mais do que suficientes para nos contaminar enquanto ouvintes.

Se há coisa que estes jovens têm é presença e energia em palco e tenho a dizer-vos que a sua segurança é no mínimo impressionante. Sabem puxar pelo público, sabem transmitir e passar impulsividade, e a juntar a tudo isto, a sua técnica é mais do que surpreendente. Embora muito jovens, era impossível deixar passar despercebida a boa técnica que os membros da banda tinham em cada uma das suas artes.

Yaatana, por Ana Sá

O vocalista João Ferreira transpirava energia. Sempre aos saltos, sempre a mexer e a fazer todos mexerem com ele ao mesmo tempo que apresentava vocais estrondosamente poderosos. O guitarrista Vasco Nogueira é um autêntico profissional dos solos. Incrível como alguém tão jovem já tem tanta segurança na guitarra. O baixista Miguel Maximino sempre a dar consistência aos temas, tocando o seu baixo com uma perna às costas. E por último, mas não menos importante Leonel Pereira na bateria a criar a precursão de base com tanta rapidez e qualidade… Simplesmente sem palavras para descrever o que foi visto ali. Estes miúdos são um orgulho e são o futuro!

Yaatana, por Ana Sá

E se todas as energias já pareciam esgotadas ao longo das cinco atuações que se antecederam, estávamos muito enganados ao pensar que não ia existir cirlce pit e mosh àquela hora. Era impossível não deixar que a vibração destes jovens nos entrasse pelo corpo e nos pusesse a mexer no início ao fim.

O público delirou! E não era para menos. Que excelente forma de encerrar o festival. Que excelente atuação que Yaatana nos apresentou. O futuro apresenta-se brilhante para estes meninos!

Setlist: 1- Hatred; 2- Zombie Digital; 3- Comboios de Portugal; 4- Troops of Doom (Cover Sepultura); 5- Riot attack; 6- WAR; 7- Nt-Control; 8- Amnesia; 9- Instituição Do Ódio; 10- Arma Nuclear; 11- Deadly Chamber; 12- Thrash Head; 13- Inner Self (Cover Sepultura); 14- MOSH!; 15- Yaatana; 16- Blood of Lusitania.

 

E assim terminou mais uma edição de sucesso do River Stone Winter Fest. Seis excelentes e variadas atuações de seis grupos em ascensão ou já com alguma experiência nos palcos, onde todos se sentiram bem recebidos, sejam público ou sejam banda. Que bons momentos se viveram nesta tarde e noite primaveril de calor. E para juntar a tudo isto, ainda dois anúncios estrondosos e surpreendentes foram aqui lançados para a edição de verão onde, certamente, teremos novamente casa cheia.

Até Setembro River Stone!

 

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