Mesmo antes da abertura da casa a fila já estava formada e fãs se aglomeravam para a vindoura noite que viria.
Bandeira da Russia, horns e estética condizente com as bandas do line up eram vistos.
Pontualmente ás 17:00 horas os portões do Carioca Club foram abertos
Às 18:17, no sistema de som casa começou a rolar a intro do primeiro anfitrião da noite: ATROCITY e então o telão com a capa do álbum “Okkult” surgiu e aos poucos, cada integrante foi adentrando ao palco. Chegando com carisma e energia, a banda não poupou entusiasmo.

Mesmo com a casa ainda recebendo sua centena de convidados, a banda entregou um show com muia pegada. Morno, o público não parecia corresponder nas primeiras músicas.
O ATROCITY merecia mais, mas aos poucos a platéia foi se soltando.
Afinal não e todo dia que temos o privilégio de receber uma potência do Death Metal alemão por aqui. Aliás, o ATROCITY entregou muito mais que um “simples’ som, entregou fibra, atitude e interação constante. A banda apresentou um Death Metal classudo, com nuances que iam do Death ao Blackened Death Metal, Thrash e Black Metal – um som robusto, quebrado e com seus guitarristas executando riffs cortantes e gerando uma atmosfera soturna com vocais brutais e igualmente devastadores.
A banda toda agitou durante todo o show, no ímpeto de levantar a platéia, que tímidamente e aos poucos ia respondendo.
Com direito a moshpit chamado pelo vocalista Alexander Krull, viu -se uma maior interação por parte do úblico. Ele (Alexander) tentou um “olê olê Atrocity”, mas o público não captou sua mensagem.
Mas sem problema, a Death Metal enfim tomou a casa que se via recebendo parte do publico. A dupla de guitarras Micki Richter e Luc Gebhardt revezavam as bases e os solos, além de ter uma ótima dinâmica e movimentação no palco, e entrosamento também entre eles.
Ah sobre os sons, eles abriam com a “Desecration Of God“, faixa do álbum que dá nome ao álbum e que por sua vez, dá nome a tour “Okkult Over Latin America 2025“.
Impactante a faixa já veio com os dois pés no peito, seu coral macabro dava as boas vindas a pancadaria que estava por vir. Destaque também para os pedais viscerais de Simon ( segunda apresentação com a banda). Música por música sendo anunciada, foi a vez da poderosa “Death By Metal“do do álbum “Okkult“, com riffs atordoantes, trouxe vigor e fúria ao palco do Carioca.

Com “Fire Ignities” manteve a violência sonora explicitada no palco, solos que os monstruoso e refrão marcante. Então foi a vez da clássica “Fatal Step” do álbum “Hallucinations“(1990). Bem na linha Oldschool, nem parecia a banda que acabara de tocar um som bem próximo do Death Metal melódico mostrando o dinamismo do seu Metal, que se permite ser atual, mas não perde a essência Oldschool. E seguindo o set com canções das antigas, foi a vez da misteriosa “Necropolis“, um som quebrado desembocando para uma pedrada sem remorso de outro álbum das antigas, o “Todessehnsucht“.
Voltando para o álbum “Okkult” de 2023, foi a vez de “Faces From Beyond”.
Na sequência foi a vez da contundente “Bleeding For Blasphemy“, um som poderoso, guitarras bem melodiosas e um refrão marcante que podia se ver facilmente a galera cantando. A pedrada “Shadowtaker“, chegou avassaladora com os dois pés no peito até dos mais quietos. Impiedosa, só endossou o enredo da apresentação.
Quem lê até pensa que da forma que estou trazendo cada uma das faixas, dá a percepção de algo engessado… mas não – muito pelo contrário, ATROCITY entregou energia e garantiu algumas risadas com brincadeiras que eram feitas pelo vocalista Alexander.
Inclusive contando histórias sobre o Wacken e conclamando os guerreiros e guerreiras Headbangers para celebrar aquela noite do metal em São Paulo. Como um bom maestro, orquestrando e conduzindo a plateia, sobrou até para quem estava no merchandising agitar junto.
Por fim, foi a vez de “Reich Of Phenomena” dp álbum “Atlantis” com sua violência peculiar, orquestração e refrão marcantes. Após este som, subiu a trilha e a banda então posou para a foto com o público ao fundo. Foi uma aula de Death Metal, o publico que estava tímido foi conquistado com uma absurda demonstração de talento, brutalidade e um excelente casamento entre Death Metal, ambientações e orquestração. Foi um show marcante, mas que merecia mais o calor da platéia. A banda se entregou e se jogou na apresentação.
Uma experiência ímpar para novos e antigos fãs da banda. Ouvi elogios do público que não sabia que a banda havia tido um tempo de hiato e agora volta com força total.

Às 19:17, no sistema de som da casa que deu a entender que o ARKONA já subiria ao palco, até antes mesmo do horário previsto. Embora, as luzes estivessem aínda acesas e as cortinas fechadas. As 19:20, as luzes do palco se apagaram e o telão com a capa do álbum “KOB“(2023) foi revelado. Enquanto isso era tocada música típica russa.
19:28, o primeiro a adentrar o palco foi o baterista Ischenko Andrey, em seguida subiu ao palco o baixista Ruslan “Kniaz, o guitarrista Sergei “Lazar” e por fim a vocalista Masha. Normalmente a banda é um quinteto, mas subiu ao palco como um quarteto.
Iniciaram as atividades com “Izrechenie. Nachalo” e emendando com “Kob“. Na primeira, alem dos elementos éttnicos, se percebia também o uso de sintetizadores, o que achei surpreendente pois remete a uma forma de apresentar algo ancestral, com uma roupagem mais tecnologica. Com estas duas canções conciliando momentos épicos, com uma atmosfera gélida com toques modernos.

A forma da Masha cantar é algo estonteante, ainda mais no ao vivo, a mescla de vocais limpos, quase sussurrando e guturais absurdos e vocalizações que pareciam uivos de lobos, transmitindo uma caoticídade impressionante.
Momentos de “calmaria” a um tsunami de brutalidade beirando Black Metal.
Além de não deixar de citar que, não somente ela, mas Lazar também agitava, ambos dominavam o palco e faziam o o publico vibrar.
Não houve tantos momentos de comunicação direta com o público, mas nem era necessário, a atitude no palco por si só falava.

Também do álbum, “Kob”, foi a vez de “Ydi”, avassaladora”””
A impressão que tice foi que o set foi ajustado para não precisar utilizar tantos instrumentos de sopro e percussão, que são elementos normalmente utilizados pela banda e que se somam a sonoridade Pagan Metal do ARKONA.
Uma das que mais me chamou a atenção por sua performance ao vivo foi a “Na strazhe novyh let“, IMPRESSIONANTE!!!
Confesso que deu branco, tive a impressão de “Goi Goi, Od” ser a próxima a ser tocada, mas estou bem na dúvida se não foi a “Zov Pustyh Dereven“, mas sim, teve “Goi Goi Rode” também. Um show hipnotizante, assim consigo definir o que foi o ARKONA no palco. “Zimushka” uma das mais aguardadas foi tocada com maestria e acompanhada pelo público que celebrou sua presença no set.
No geral, foi uma apresentação para agitar e contemplar – ARKONA merece estar nos palcos, sua música envolve e abraça, a performance é impactante. A performance falou por si só, embora não houvesse um grande diálogo muito verbalizado. Foi uma apresentação impressionante, na minha mente passavam os vídeos das músicas. Faltou música?
Sim, mas que seja para uma vindoura volta da banda toquem em São Paulo, por exemplo, a festiva “Yarillo“. Posso ter esquecido de citar algum som?
Possivelmente sim, estava hipnotizado e vislumbrado com a felicidade de ver no palco uma banda de tamanho significado na minha trajetória metálica e acredito que os demais fãs, tiveram também seu momento de nostalgia.
Foi lindo!!!!!Os meus olhos e os olhos dos fãs brilhavam.

As 21:05, abriram se as cortinas e o logo da derradeira atração da noite subiu ao palco, Alemanha e Noruega se encontravam no palco. A banda tem origem na Noruega, mas em sua formação haviam também integrantes oriundos da Alemanha. Se lembra do Alexander Krull (ATROCITY), pois então ele é também vocalista (guturais) do LEAVE’S EYES.
Pensa em uma cara carismático, pensou? Então é o Alexander! Aliás, a banda toda transborda carisma e se divertiu no palco Elina Siirala, que além de muito bonita, transbordou simpatia, ela brincou e se divertiu muito. A dinâmica de palco da banda consiste em trocas de lugares no palco, trazendo assim, proximidade com os fãs.
Não sei se era a banda mais aguardadas da noite, mas percebi que o público se soltou mais, cantou e agitou de forma mais expansiva e abrangente. Se bem que ouvia – se os gritos da platéia para as três bandas. Mas no LEAVE’S EYES vi gente pulando e celebrando cada canção apresentada. LEAVES trouxe uma apresentação calcada em um som agitado, com a mescla de vocais guturais e líricos em um csamento perfeito, de certa forma o som até por sua contemporaneidade com Epica e After Forever, me trouxeram essas lembranças peculiares. Não que isto seja ruim, muito pelo contrário, é algo que muito me agrada nas bandas de Metal Sinfônico. Até porquê … a banda segue a linha lírica mais voltada para o Pagan Metal, saudando a saga dos vikings em sua trajetória pela região da Escandinávia e o deuses de seu panteão.

Trazendo um pouco das canções apresentadas, para a alegria geral a banda trouxe um setlist bem recheado. Então assim começava a apresentação da “Myth Of Fate 2025” dos noruegueses/alemães. Aliás, o show em São Paulo, não foi o primeiro da tour.
Após a “Intro”, empolgante “Chain of the Golden Horn“trouxe o animo que a galera precisava. “Hammer of the Gods” e “Across the Sea“trouxeram um som bem mais contido, mas nem por isto menos pesado ao set. Canções com mais corais e orquestração magnífica, que entregaram muito da essência do que a lírica da banda quer trazer. Nesta última com direito a um solo (tímido), mas que estava ali. Alé da combinação maravilhosa de vocais de Elina e Alexander. “Serpents and Dragons” veio na sequência para trazer um tom mais festivo. As guitarras em comunhão com a bateria fizeram um trabalho formidável. Um sinfônico poderoso permeado pela sonoridade mais rápida, um Power Metal trouxeram graciosidade e vigor a faixa. “Edge of Steel“trouxe a veia mais viking da banda.
“Who Wants to Live Forever” trouxe uma pegada mais radiofônica, mas não por isto menos importante. É uma canção que Elina vem solo e tem seu maior protagonismo. “Sign of the Dragonhead” foi a canção que antecedeu a poderosa “Song of Darkness“,. A poderosa “Realm of Dark Waves” foi uma escolha perfeita para anteceder a já clássica “My Destiny“, que por sua vez foi cantada a plenos pulmões pela galera presente.
“Swords in Rock” antecedeu a poderosa “Hell To The Heavens“, anunciada pela banda e que botou os bangers para agitar, com certeza uma das mais aguardadas, com seu refrão que dá nome a música “Hell To The Heavens” grudou e foi bradado pela banda e público.

Esta canção é da fase Liv Kristine na banda, assim como “Farewell Proud Men”, que Elina tirou de letra. Sei que é chato isto de comparativos, ,mas isto é inevitável (risos). Mas nada que desabone a atual vocalista que já esta na formação á quase 10 anos.
“Forged by Fire” foi escolhida para encerrar o setlist, canção incrível que fechou com chave de ouro, uma apresentação formidável. Canção que equilibra de forma contundente todo o instrumental e a parte vocal de forma incrível e brilhante. Aliás, a escolha do set foi muito bacana, trouxeram um pouco de cada álbum:
Viland Saga -2005),
Symphonies of The Night – 2013
King Of Kings – 2015
Myth Of Fate (2024), que dá nome a tour é o último album lançado. Assim, o LEAVES EYES conseguiu trazer elementos de diferentes fases e momento das banda.
Foi sensacional e marcante!

De forma geral, o evento em si ocorreu sem intercorrências, um evento que foi possível curtir tranquilamente. Não sei se por conta da quantidade de shows e eventos/festivais rolando simultaneamente em São Paulo (felizmente ou infelizmente), era um evento que merecia ainda mais público . Só digo o seguinte… quem foi curtiu e quem não foi, só lamento (risos).
Seria legal ver em outro momento eventos nesta configuração e/ou mesmo com estas bandas novamente aqui em São Paulo. Parabéns a ESTÉTICA TORTA e assessoria parceira, que aliás vem surpreendendo cada vez mais e trazendo artistas e bandas incríveis, sempre bandas de alto nível e sonoridade de imensurável qualidade.
Parabéns a todos (as), os (as) envolvidos (as)!!!! ME-MO-RÁ-VEL!!!!


