
Existem shows que são eventos e existem shows que são verdadeiras aulas de música. Na última noite, Curitiba testemunhou o segundo caso. O Living Colour, uma das instituições mais criativas e técnicas do rock mundial, subiu ao palco do Live Curitiba para uma performance que, embora não tenha contado com o público numeroso que o calibre da banda exige, foi um presente inesquecível para os devotos que compareceram.
A noite teve início com os norte-americanos da Madzilla. A banda entregou um show competente, mas atraiu um obstáculo negativo: a falta de divulgação prévia sobre sua participação. Esse “silêncio” promocional acabou por desfavorecer uma maior presença do público durante a abertura, deixando a sensação de que um talento promissor poderia ter sido melhor aproveitado caso o fã curitibano soubesse o que o esperava.

Apesar desse contratempo, a banda deixou sua marca durante o show, com presença de palco, empolgação e conexão entre os membros. Com um setlist reduzido porém forte, a banda deixou um gosto de quero mais.

Setlist Madzilla:
• The Dawn of Glory (symphonic intro)
• Ashes of Lights
• Vengeance
• Warfare Within
• Angel Genocide
• Asphixiating Cries
• A Deadly Threat
Quando os ponteiros marcaram o horário oficial, a atmosfera mudou significativamente. Ao som da icônica “Marcha Imperial” (tema de Darth Vader), o Living Colour fez uma entrada triunfal, estabelecendo de imediato a autoridade de quem mudou os paradigmas do crossover entre o Metal e o Funk nos anos 80 e 90.

O que foi visto, foi uma demonstração de técnica inegável. Vernon Reid continua sendo um dos guitarristas mais inovadores do planeta, descartando texturas e solos que desafiam a lógica, enquanto Corey Glover mantém um alcance vocal que parece não ter sofrido o desgaste de décadas de estrada.
Um dos momentos mais icônicos e marcantes da noite foi o medley emblemático que uniu “White Lines (Don’t Don’t Do It)”, “Apache” e “The Message“. Foi impossível não sorrir ao olhar para os lados durante a execução do “Apache“; A pista da Live Curitiba foi tomada pelos fãs replicando a famosa cena de Um Maluco no Pedaço, onde Will Smith e Carlton Banks dançaram em busca de um prêmio. Esse senso de diversão e conexão cultural é o que torna o Living Color uma banda tão única: eles são pesados, mas nunca perdem o groove.

E outro ponto marcante da noite foi do grandíssimo Willam Calhoun, que trouxe instrumentos diferenciados trazendo camadas sonoras e uma linda homenagem, escolhendo a música “Baianá” para compor o solo de bateria, a música brasileira foi exaltada com grande atenção e admiração, que tocou o coração de todos que estavam presentes.

Sucessos como o sofisticado “Love Rears Its Ugly Head” e o explosivo “Cult of Personality” lavaram a alma dos presentes. Mesmo com uma casa abaixo de sua capacidade total, a energia trocada entre palco e pista foi de uma entrega absoluta.
Logo após o término do show, ao se despedir do palco, a banda fez questão de falar ao público “nós voltaremos”, uma promessa de esperança aos fãs que foram e aos que não podem presenciar esse grande show.
Ao final da noite, a sensação era de privilégio. Ver músicos desse nível, mantendo uma qualidade sonora inigualável e uma postura de palco vibrante, reafirma que o rock de qualidade sobrevive a qualquer modismo.
Setlist Living Colour:
- The Imperial March (Tema Darth Vader, abertura)
- Leave It Alone
- Middle Man
- Memories Can’t Wait (cover Talking Heads)
- Ignorance is Bliss
- Go Away
- Funny Vibe
- Bi
- Hallelujah
- Open Letter (To a Landlord)
- Will Calhoun solo bateria/Baianá
- This Is the Life
- Pride
- White Lines (Don’t Don’t Do It)/Apache /The Message
- You Don’t Love Me (No, No, No)
- Glamour Boys
- Love Rears Its Ugly Head
- Type
- Time’s Up / What’s Your Favorite Color?
- Cult of Personality
- Should I Stay or Should I Go (cover the clash)


