Do punk à música eletrônica sombria. Seu próximo show e novas músicas
Conversamos com Manuel, da Calaverx. Aqui está a transcrição da nossa conversa:
Calaverx é muito conhecido na cena, mas para alguém que só ouviu falar do nome, ou que pensa que se trata simplesmente de “música eletrônica”, o que Calaverx tem a ver com os subgêneros do rock?
É um projeto de música sombria, mais influenciado pelas tendências do dark wave e do pós-punk, e está intimamente ligado à cena gótica.
A pandemia transformou o punk em música eletrônica sombria
..Nós, membros da banda, já tínhamos experiência com outros projetos (punk, rock, etc.), como, por exemplo, o Desenchufados, que era uma banda de punk bastante agressiva, mas a pandemia nos obrigou a encerrar as atividades da banda. Eu sou uma pessoa muito inquieta musicalmente falando, então, naquele momento, peguei os sintetizadores, as caixas de ritmo e comecei a compor o que viriam a ser as primeiras músicas do Calaverx… gravei o primeiro single, chamado Magia Negra, fiz um clipe, publiquei no YouTube, o vídeo viralizou e percebi que talvez pudesse dar início a um novo projeto; foi assim que comecei a reunir os outros integrantes: César nos sintetizadores e George na bateria elétrica.
Como tem sido a aproximação com a subcultura em outros países?
Sim, o fato de ser um gênero de nicho nos ajudou bastante a nos internacionalizarmos. Percebemos que a subcultura de cada país tem uma forte presença gótica; todos se conhecem dentro da cena de cada país e até mesmo entre países, o que nos ajudou a fazer turnês.
Vocês continuam se apresentando em locais pequenos, mas também em festivais internacionais; além disso, têm uma turnê pela América e pela Europa marcada. ¿Como vocês veem o cenário atual em comparação com a década passada?
A nova geração é mais flexível; a subcultura, pelo menos no México, era mais pura — pelo menos o público tentava ser o mais purista possível —, enquanto as novas gerações se arriscam a misturar coisas diferentes, com ritmos distintos. Nos últimos anos, houve um boom de bandas que misturam o pós-punk com muitas outras coisas. Para mim, tem sido impressionante ver como o gênero mudou, e para mim está tudo bem, mas entendo que outras pessoas não gostem tanto… E agora que temos saído por aí, conhecemos muitas bandas de grande qualidade que podem se equiparar às bandas europeias, que é de onde o gênero surgiu. A internet e as novas ferramentas ajudam muito, mas percebi que há mais qualidade nos novos projetos.
Calacerx é um projeto jovem, ¿vocês estão indo para algum lugar?
Até o ano passado, queríamos fazer nossa primeira turnê europeia; agora, nosso próximo passo é lançar um álbum em vinil e consolidar um pouco mais o projeto, mas gostaríamos de continuar no underground, de forma independente (sem gravadoras), como uma banda que, com o passar dos anos, se torne uma banda de culto. Fazemos música porque ela alivia nossa alma e nos leva a outra perspectiva corporal.
Sobre o próximo show de vocês, no dia 29 de maio. Vocês vão se apresentar ao lado do El Muerto de Tijuana, que eu considero um grupo alternativo dentro do alternativo. Vocês prepararam algo especial?
Sim, a turnê nos afastou um pouco dos shows por aqui, e temos três novas faixas que vamos apresentar (parte do novo álbum). Além disso, planejamos fazer uma colaboração no futuro com o Muerto de Tijuana. Eu gostaria que o público ouvisse todos os projetos; tem, por exemplo, o Cymatics, uma banda nova muito boa (post-punk), ou o Divina Blasfemia, que é um ótimo projeto de música eletrônica com influências punk, e a verdade é que todos são muito bons, parece que vai esgotar.
Manuel encerrou a entrevista convidando todos a conhecerem o projeto; vocês podem encontrá-los em todas as redes sociais como @calaverx

