Atravessando o Atlântico e caindo no som dos franceses do Warside, de Lyon, a conversa muda completamente de tom e de estética. O Cognitive Extinction opera em uma camada muito mais sombria, técnica e conceitual. A escola da banda bebe diretamente das fontes mais frias e cirúrgicas do Blackened Death Metal europeu há ecos claros da grandiosidade devastadora do Behemoth, da precisão brutal do Vader e daquela atmosfera sufocante característica do metal extremo francês moderno.
O disco contou com a captação precisa de Kevin Paradis (baterista monstro conhecido por seus trabalhos com o Benighted), enquanto a mixagem e masterização ficaram a cargo de Thibault Bernard no Convulsound Studio. Essa combinação deu ao trabalho aquela sonoridade encorpada, onde o peso não vira lama sonora. Visualmente, a capa assinada por Jesus Lhysta (Nefasto Art) traduz com perfeição a atmosfera caótica e sombria do disco.
“Dá o play por sua conta e risco: isso aqui não é som, é agressão física.”
O álbum foi lançado pela Gruesome Records, um selo português focado em garimpar e impulsionar o underground do metal extremo europeu e internacional. A gravadora é conhecida por apostar no visceral e no autêntico, dando espaço para bandas que priorizam a agressividade sem concessões mercadológicas. No caso do Warside, a parceria funcionou como o combustível certo para fazer essa pedrada alcançar ouvidos fora da cena local francesa.
Ao contrário do ataque direto do groove e thrash americano, o Cognitive Extinction prefere construir um cenário de colapso psicológico antes de desferir o golpe. A abertura do álbum funciona como uma preparação de terreno: guitarras densas e dissonantes criam uma parede de som espessa, que logo é rasgada por blast beats milimetricamente calculados e vocais guturais mais graves e cavernosos.
Conforme o disco avança, fica evidente o rigor técnico dos músicos. A bateria é um motor incansável que sustenta variações de tempo complexas, enquanto as guitarras alternam entre palhetadas em alta velocidade e bases mais lentas e opressivas. O álbum cria a sensação de uma espiral descendente; não há momentos de alívio ou passagens melódicas para relaxar o ouvinte é um massacre contínuo e claustrofóbico.
A reta final do álbum eleva essa atmosfera ao limite. Em vez de simplesmente acabar, as faixas derradeiras desaceleram para um ritmo quase industrial e caótico, onde o peso instrumental parece sufocar qualquer resquício de clareza mental. O encerramento faz jus ao título é um encerramento niilista, que deixa no ar um silêncio pesado, como se a música tivesse consumido todo o ar ao redor.
FAIXAS:
- Mind Fracture
- Synaptic Decay
- Neurocide
- Invasive Thoughts
- Synthetic Abyss
- Visceral
- Thirst for Rot
- Cognitive Extinction
NOTA: 9/10



