O pôr do sol chegou com muitas nuvens na Cidade do México; em algumas áreas da capital já havia chovido, enquanto nos arredores do Circo Volador a fila de fãs, prontos e preparados para uma noite repleta de Power Metal, começava a crescer. Também encontramos barracas de produtos oficiais e muita animação entre os participantes, que conversavam sobre suas expectativas para o show.
Já bem à noite, os primeiros a entrar no local foram os sortudos do Meet & Greet, que receberam fotos e autógrafos dos finlandeses. Por volta das 20h, começou a entrada dos primeiros participantes, bem mais tarde do que os horários indicados no ingresso do show. Além disso, começou a chover, dificultando o acesso. Uma fila interminável do lado de fora do local, onde muitos tiveram a infelicidade de se molhar bastante. O processo de entrada no local foi muito lento, o que também fez com que muitos participantes perdessem as apresentações dos artistas nacionais que animaram a noite.
Anna Fiori.
Anna Fiori foi a primeira a subir ao palco, em um show maravilhoso, único, forte e impactante, com uma voz mais do que linda que simplesmente deixou muitos de boca aberta. A banda apresentou seu último trabalho, intitulado “Meztli”, um álbum completo com nove faixas.

O gênero foi classificado como Cinematic Aztec Metal, combinando arte visual e música, resultando em um trabalho arrebatador. A voz de Anna percorre uma infinidade de nuances: do bel canto ao gutural, elevando a apresentação a um verdadeiro espetáculo. Entre as músicas tocadas estavam: “En el Vacío”, “Entre Mil Voces”, “Luna Nueva” e “Luna Menguante”. Um trabalho excepcional, sobre o qual já falamos nesta página também. Agora, ouvir essas faixas ao vivo reforça o compromisso da banda com seu público.

Este trabalho aborda as perdas e os lutos que as pessoas enfrentam ao longo da vida, abordado por Anna Fiori como uma forma de apoio — a musicoterapia — para ajudar a lidar com o luto e superá-lo. Um aspecto que pesou nessa apresentação foi o número de pessoas que puderam assisti-la, já que os tempos de espera para entrar foram longos; no entanto, percebeu-se uma banda comprometida e muito bem preparada. Após a apresentação, Anna dedicou–se a receber os fãs no saguão do local do show, tirando fotos, dando autógrafos, conversando e convidando todos a ouvir o novo material. Aliás, recebemos uma saudação calorosa dela para todos os seguidores do Cultura Em Peso.
Sky Wolves.
Enquanto o local começava a encher aos poucos, a próxima banda deu início à sua apresentação às 21h. Lá fora, chovia torrencialmente; lá dentro, a energia do Speed Metal tomou conta do ambiente. A banda Sky Wolves também combina o Power Metal com solos de guitarra bastante rápidos e uma bateria veloz. A banda agradeceu a todos os presentes pela atenção e pelo tempo dedicado. Com uma voz muito simpática, o vocalista interpretou várias músicas que mantiveram o público animado.

A formação da banda é composta por quatro integrantes: duas guitarras, um baixo e a bateria, que se combinam muito bem. A música de destaque deles foi “Sea of Stars”, e uma das surpresas da banda foi a interpretação de “Lloviendo Estrellas”, uma canção de outro artista mexicano que já se aventurou nesse gênero e possui uma trajetória bastante longa. Essa música nos levou de volta a tempos antigos. Agradecemos pelo ótimo show que nos proporcionaram, que durou aproximadamente 40 minutos.

Vale lembrar que a banda é uma velha conhecida do CEP, já que tem sido frequentemente a banda de abertura de grandes nomes do México, como Rhapsody, Hammerfall e Sonata Arctica, entre outras.
Sonata Arctica.
A noite começou a cair, o público se preparou com cervejas, comida, produtos oficiais e refrigerantes nas mãos, ocupando seus lugares, pois pontualmente às 22h, o Sonata Arctica subiu ao palco. No centro, um enorme inflável acompanhado por bandeiras da banda. Os integrantes cumprimentaram o público, que reagiu claramente com uma ovação e aplausos, enquanto os primeiros acordes soavam: “I Have a Right”, “Black Sheep” e “Paid in Full” foram as primeiras músicas que ouvimos. Uma espera de três anos para ver essa banda novamente em solo asteca, que valeu totalmente a pena.

Tony Kakko não parou de sorrir, como de costume, correndo de um lado para outro, entusiasmado, aplaudindo e contagiando essa energia aos seus companheiros e ao local, que estava lotado. O Power Metal é um dos gêneros mais apreciados pelo público mexicano, e a banda finlandesa, um dos expoentes desse estilo, fez com que a paixão fosse épica.
Com um total de quatorze músicas, o Sonata Arctica tomou conta de uma das casas de show mais antigas e conhecidas pelo volume altíssimo, dando continuidade à apresentação com “Last Drop Falls” e “Closer to an Animal”, preparando o terreno para emoções à flor da pele quando “Tallulah” foi tocada, um clássico entre os clássicos, na qual muitos fãs derramaram lágrimas, pois o significado dessa música para a história de cada um dos presentes a torna uma faixa extremamente importante. As luzes dos celulares fizeram o local brilhar e a banda parecia extremamente feliz.
O poder do Power Metal continuou com músicas como “The Last Amazing Grays” e “Letter to Dana”, esta última do álbum “Ecliptica” e que também é uma música importante para os fãs. “White Pearl, Black Oceans…” e “Shy” acompanharam… O ponto alto do show aconteceu com “FullMoon”, música cantada em coro por todos, que soou incrível graças aos técnicos de som que fizeram seu trabalho em um local complicado para isso. Gritos desesperados, ovações e aplausos, felicidade e energia positiva: esse é o resumo dessa música. Aí veio uma pausa necessária, em que todos respiramos fundo e voltamos a nos concentrar.

O bis veio com duas músicas: “Victoria’s Secret”, do álbum “Winterheart’s Guild” — um álbum com mais de vinte anos desde seu lançamento —, e “Don’t Say a Word”, do álbum “Reckoning Night”, encerrando o show em grande estilo. Um setlist que nos levou pelas épocas mais belas da banda, quando muitos fãs conheceram esses acordes do Power Metal. A aula magistral do gênero estava completa. A banda encerrou seu show com aplausos prolongados; não poderia faltar uma foto para registrar o momento, além de agradecimentos e uma grande mensagem: Cuidem-se e cuidemos uns dos outros.
O show do Sonata Arctica, como parte de sua turnê de aniversário, foi um sucesso e encantador, demonstrando sua relevância e lealdade. Um show impressionante na noite de segunda–feira, que fez com que todos começássemos a semana com um sorriso. Assim, agradecemos a todos que tornaram esse show possível e por todas as atenções que nos foram dispensadas para a cobertura. Nos vemos no próximo. Vida longa ao volume brutal.
Photos. Afrika Balboa. (@afrika.balboa)
Review. Ubaldo Garcia. (@photohorus)

