– Muito obrigado pelo tempo cedido para a equipe da Cultura em Peso. Você pode nos contar como se deu o início do seu projeto METALMINATOR?
Robby: O projeto surgiu de uma insatisfação minha com uma antiga banda da qual eu participava, pois não estava gostando dos seus rumos e direcionamentos. Por volta de julho de 2024, fundei o Metalminator com a ideia de fazer um som voltado ao Speed Metal (algo um pouco escasso na região), adotando uma sonoridade mais melódica em comparação com as bandas que já existiam por aqui. Foi então que, aos poucos, fui estruturando a formação até chegar à atual, sempre com a presença forte de Johnny e André.
– Gostaria de saber como vocês se definem. Eu particularmente achei o trabalho de vocês voltado para o Speed Metal com pitadas de Heavy Metal Tradicional. Você concorda comigo?
Robby: Sim, somos uma banda de Speed Metal, porém bebemos muito da fonte da NWOBHM e do Speed e Power Metal alemão. Isso deixa nosso som um pouco mais trabalhado, menos cru e direto do que é comum no estilo, especialmente no Brasil.
André: Eu concordo bastante com o que o Robby disse. Mas também acho que, por estarmos com muitas ideias envolvendo teclados, synths e coisas voltadas à essa estética retrofuturista, estamos aos poucos desenvolvendo o nosso estilo próprio que vai diferenciar o nosso som do Speed Metal Tradicional que estamos acostumados.
Johnny: Além do que disseram meus amigos, gosto bastante também da diversidade criativa da banda. Cada um tem um subgênero do metal favorito diferente, o que acaba se transformando numa sonoridade única; influência de power metal, heavy clássico, black metal e até uma pitada de rock nacional (este último digo principalmente por mim mesmo), então essa mistura toda dentro do speed metal faz com que nenhuma outra banda no mundo seja parecida com o Metalminator.
– “Night of the Exterminator” é o seu primeiro álbum. Como se deu o processo de composição deste material?
Robby: O processo foi bem tranquilo na maior parte do tempo. Normalmente, costumo compor a partir do título da música, construindo o instrumental em seguida e, por fim, a letra para se encaixar às partes. Contudo, algumas faixas (em especial a faixa-título) demoraram mais para sair, pois eu nunca estava satisfeito e refazia a estrutura diversas vezes até chegar ao resultado final que vocês podem conferir no álbum.
– Gostamos muito da qualidade sonora alcançada por vocês. Suponho que o trabalho em estúdio tenha sido muito tranquilo. O que você pode nos falar sobre esta etapa, até chegarmos no lançamento propriamente dito?
André: O trabalho em estúdio foi bem tranquilo mesmo, começamos o processo de gravação ainda com o nosso guitarrista antigo, Look Nightmare, mas com a saída dele no final do ano passado e a entrada do Granado, a gente gravou os solos e os vocais com a ajuda do Granado. Nessa parte da produção, eu gravei as linhas da bateria, o Robby ficou responsável pela maior parte dos instrumentais: teclados e synths, baixo, guitarras base e boa parte das dobras, além de ter ajudado o Johnny Grave com alguns dos solos dele, aí o Granado e o Johnny gravaram as suas partes dos solos e toda a banda gravou alguns backing vocals. No geral essa parte de estúdio entre nós foi sempre bem tranquila, temos boa química pra trabalhar juntos e tomar decisões, além de que, pelo fato do estúdio ser a minha casa, os dias de gravação eram sempre bem divertidos, fazíamos pausas pra comer, jogávamos jogos de tabuleiro quando terminávamos de gravar, então foi um momento muito bom na nossa vida.
Agora indo pra parte da produção propriamente dita, fui eu mesmo que cuidei da parte de mixagem e masterização do álbum, estou fazendo Produção Fonográfica na faculdade, então aproveitei pra colocar em prática tudo o que andei aprendendo nesses últimos anos. Gravamos usando simulação de amplificador diretamente da pedaleira do Robby, o que por mais que tenha facilitado pra gente, ainda houve bastante trabalho de edição e polimento para controlar ruídos e chegar ao corpo de guitarra que queríamos. O baixo foi mais tranquilo, mesmo com os efeitos que a gente usou em “Lady Killer” e “Rage”, ainda foi relativamente simples de deixar nítidas as intenções do baixo. O que deu trabalho mesmo foi em “Golden Years”, tive grande dificuldade em equalizar duas guitarras com Chorus, sintetizadores, cordas, baixo e vocal, tive que pedir algumas dicas pra professores meus de faculdade pra que as frequências não se chocassem tanto e para que cada elemento ficasse mais nítido, mas, resolvido esse contratempo, tudo fluiu bem. Para os timbres, nos inspiramos bastante em bandas de Speed Metal, Heavy Metal Tradicional, e principalmente Power Metal, dá pra ver claramente essas inspirações nos timbres dos sintetizadores e na equalização da guitarra, e acho que conseguimos entregar um resultado de timbre que representa bem o que buscávamos, principalmente considerando que esse é nosso primeiro álbum completo e também meu primeiro trabalho dessa dimensão assumindo a mixagem e a masterização.
– Andre, eu adorei as linhas mais melodiosas compostas por vocês. Como funciona o seu processo de composição, neste sentido?
André: Primeiramente, muito obrigado, ficamos felizes que tenha gostado! Mas gostaria de ressaltar que quem assina a maior parte da composição do álbum é o nosso baixista, vocalista e tecladista, Robby, que vinha com ideias de riffs novos o tempo inteiro, principalmente inspirados por Helloween, e no geral foi sempre ele quem compôs as músicas, sejam os riffs, as dobras, as melodias vocais, tudo partia das ideias dele. Claro que nós como banda, tínhamos os momentos em que dávamos opinião, como no riff do começo de “Night Of The Exterminator”, quem deu a ideia da dobra ser em quinta foi o Granado, ou na “Speed Of Evil”, que logo após o primeiro refrão tem uma pausa, aquilo foi uma ideia minha enquanto ensaiávamos essa música e que acabou sendo adotada também. Além disso, obviamente havia as linhas de bateria, que o Robby me entregava a estrutura com uma bateria guia mais simples, e a partir daí eu tinha liberdade total para pensar a bateria como instrumento, trabalhando viradas, dinâmica, conduções e mudanças de groove, como em “Lady Killer” e “Rage”: se você comparar as versões finais com as demos, eu praticamente recompus as baterias do zero pra elas se adequarem ao que eu achava que combinava mais. Agora passando pro Robby falar mais do processo de composição por parte dele.
Robby: Costumo iniciar o processo de composição pelos riffs da introdução ou do refrão. Assim que fico satisfeito com essa base, estruturo toda a música na guitarra e gravo uma demo guia, com guitarra, baixo, bateria e vocais improvisados, mas mantendo a estrutura completa. Em seguida, envio o material para o restante da banda, e cada um coloca sua própria identidade, enriquecendo o resultado final.
– A arte da capa é bem diferente, fugindo do padrão que estamos acostumados. Qual a mensagem que você quis transmitir com ela?
Robby: Basicamente, ela mostra alguém sendo pego pelo mascote da banda que, nesse contexto, é o “Exterminator” do título do álbum. Eu quis representar um pouco a temática da faixa-título e da banda como um todo, com uma pegada cyberpunk, retrofuturista e por aí vai.
André: A gente também queria fugir um pouco daquela estética mais óbvia que normalmente aparece em capas de Heavy e Speed Metal. Como a banda já vinha construindo essa identidade do Exterminator, misturamos isso com uma estética cyberpunk e retrofuturista, quase como uma visão de futuro feita pelos anos 80.
– Imagino que você já deva estar trabalhando no repertório para a próxima turnê. Poderia nos adiantar como elas estão soando ao vivo?
André: Já temos o nosso repertório pronto e fizemos algumas alterações nas dinâmicas das músicas por conta da saída do Granado, mas, no geral, estamos preparados. Arrisco dizer que, dentro do que é possível reproduzir ao vivo sem todas as camadas de sintetizadores e efeitos da produção de estúdio, as músicas acabaram ficando ainda mais agressivas e energéticas. Em vez de tentar simplesmente reproduzir o álbum da forma que foi produzido, estamos trabalhando para que o show tenha uma identidade própria e para que essa energia chegue ainda mais forte em quem estiver assistindo
Robby: Buscamos manter as faixas o mais fiéis possível às versões de estúdio, mas certas adaptações são fundamentais para que a experiência ao vivo valha a pena, a começar pela interação com o público. Também mexemos na ordem das músicas para evitar a previsibilidade e respeitar a dinâmica do palco, alternando momentos de pico e respiro para sustentar a energia da apresentação.
Johnny: Acho que um dos nossos diferenciais sempre foi soar ao vivo quase idêntico ao como fazemos em estúdio, claro exceto às limitações de sintetizadores. Digo quase idêntico, pois ao vivo temos nossa característica própria, mais agressiva, mais rápida, além de claro, toda a nossa performance em cima dos palcos, que sempre agita todo o público.
– Vocês já estão prontos para excursionar por outras regiões do país? Falo isso, pois depois de escutar o seu material, fiquei curioso para vê-los ao vivo.
André: Acredito que estejamos prontos sim, mas ainda não sabemos onde vamos tocar. Queremos expandir nossa atuação para outros estados do Sudeste, pela proximidade com a gente, mas também queremos tocar em algumas cidades do Sul e do Nordeste, onde já temos alguns contatos, o que facilitaria a logística para nós, mas ainda estamos trabalhando nas possibilidades e nosso objetivo é conseguir estruturar uma sequência de datas até o final do ano, incluindo algumas cidades importantes do país!
Robby: Complementando o André, estamos sim. Acredito que o passo mais difícil já conseguimos, que é lançar o álbum e fazer com que o público realmente goste das músicas. Agora podemos focar 100% nos shows, que é o que realmente amamos. Esperamos conseguir tocar em vários cantos do país e até fora.
Johnny: Estamos mais do que prontos! Já nos provamos ao vivo nos palcos underground de São Paulo e estamos muito ansiosos para mostrar ao público de outras regiões nossa música e nossa energia. Ainda não sabemos onde vamos tocar, mas quem for aos shows com certeza vai sair fã da banda.
– Como você analisa o mercado fonográfico atualmente? Você acredita que o nicho que você faz parte, permite espaço para novos nomes promissores, como é o caso aqui?
André: Na minha opinião, o mercado fonográfico hoje em dia tá meio contraditório. Por um lado, nunca foi tão fácil colocar uma música no mundo, uma banda independente consegue gravar, produzir, distribuir o próprio som sem necessariamente precisar de um apoio de uma gravadora ou coisa do tipo. Mas por outro lado, essa “abundância” também deixa o mercado mais saturado, e acaba ficando cada vez mais difícil construir um público de fato.
No metal, e principalmente no Underground, eu sinto que o público está ficando cada vez mais “tradicionalista”, no quesito sonoridade. Muita gente prefere aquele som raiz, aquilo que remete as bandas tradicionais e a tudo aquilo que eles são acostumados a ouvir, e quando chega uma banda nova com propostas diferentes, é bem difícil que consiga achar seu próprio espaço dentro desse público.
Tenho a impressão de que estamos vivendo um pouco disso com a Metalminator. Boa parte do público que encontramos nos shows está mais acostumada a uma sonoridade crua e tradicional, enquanto no álbum levamos algumas músicas para um lado mais melódico, fantasioso e que de certo modo chega a “flertar” com o Power Metal. Nossa identidade evoluiu e agora estamos descobrindo onde ela se encaixa, sem sentir que precisamos seguir uma fórmula ou cumprir todas as regras tradicionais do gênero para agradar.
Mas de jeito nenhum acho que isso signifique que não há espaço pra novos nomes surgirem cada vez mais, assim como nós da Metalminator estamos aos poucos encontrando o nosso público, outras bandas que estão no começo ainda tem bastante espaço e tempo para criarem suas próprias identidades e realmente colocarem seu nome em cena.
Hoje não basta simplesmente lançar músicas boas e esperar que elas encontrem o público sozinhas, é preciso todo um trabalho tanto de divulgação, quanto de ir atrás de criar o seu próprio diferencial para que as pessoas reconheçam a banda como algo diferente, e não “só mais uma”.
Robby: Assino embaixo do que o André falou. Mercado existe, o que nos falta é entrar de cabeça nele. Pela nossa sonoridade se diferenciar bastante das outras bandas do segmento, ainda ocupamos um espaço único por aqui. Agora, é uma questão de continuar preenchendo esse vácuo.
Johnny: É sempre muito difícil penetrar no mercado sendo uma banda nova, com propostas diferentes das bandas tradicionais (apesar de também ser influenciado por elas) pois o público que consome metal é bastante saudosista. Apesar disso, me deixa bastante otimista ver essa onda que começou internet do público mais jovem apoiar bandas locais e frequentar show no underground, creio que aos poucos, vamos conquistando nosso espaço no mercado.
– Mais uma vez obrigado pelo tempo cedido ao site Cultura em Peso. Agora o espaço é seu para as considerações finais
André: A gente que agradece muito ao Cultura em Peso por terem nos dedicado esse espaço e ouvido nosso trabalho com atenção! “Night Of The Exterminator” representa uma etapa muito importante para nós, tanto por ser o nosso primeiro álbum, quanto por tudo o que passamos durante o processo de criação juntos como banda e como amigos.
Também quero agradecer a todo mundo que vem acompanhando, divulgando, indo aos shows e apoiando todo o cenário underground. Esse primeiro álbum é só o começo e ainda temos muito mais coisas que queremos fazer e conquistar daqui pra frente!!
Robby: Muito obrigado pelo espaço que nos deram para falar um pouco do nosso disco e da banda! Isso demonstra a evolução que estamos tendo e que estamos no caminho certo. Agradecemos a todos que nos ajudaram a chegar até aqui, principalmente ao público, pois sem vocês não existem shows, e aos nossos amigos e familiares, que sempre nos apoiaram desde o início.
Johnny: Muito obrigado ao Cultura em Peso por nos dar esse espaço para divulgar nosso trabalho! Foram meses de trabalho árduo para conseguirmos extrair nosso melhor e é muito gratificante ver essa realização pessoal de cada um saindo do papel, desde o início da banda sonhamos em lançar nosso primeiro disco e aqui estamos. Gostaria de dizer às pessoas que estamos sedentos para mostrar como o Metalminator consegue ser tão agressivo, rápido e pesado ao vivo como no álbum. Vocês não perdem por esperar!

