Fazia menos de um ano que Michale Graves havia estado em Córdoba. Desta vez, voltou ao Club Paraguay, em uma noite que teve Los Bastardos como banda de apoio e foi dedicada quase inteiramente a revisitar sua passagem à frente dos Misfits.

A banda cordobesa Los Bastardos subiu ao palco, que estava tomado por uma iluminação azul, enquanto uma tela exibia seu nome junto ao logotipo. O público, recortado entre as luzes, acompanhou a apresentação até o fim.

Pontualmente, começou o show de Graves. A introdução foi “Abominable Dr. Phibes” e, em seguida, veio “American Psycho”, dando início a um setlist que percorreu boa parte de American Psycho e Famous Monsters.

O começo foi direto: “Speak of the Devil”, “Walk Among Us”, “Scarecrow Man” e “Forbidden Zone”. Não houve muitas palavras entre uma música e outra. Graves deixou que o repertório fizesse o trabalho, com canções que ainda preservam aquela mistura de punk, terror e melodia que transformou Misfits em uma banda tão particular.

foto de @garciagarra

Depois vieram “Last Caress” — da fase de Glenn Danzig na banda —, “Lost in Space”, “Die, Monster, Die!”, “From Hell They Came” e “Dig Up Her Bones”. A lista não se limitou aos clássicos mais conhecidos: também apareceram músicas que os fãs mais atentos esperavam especialmente.

Um dos momentos mais divertidos aconteceu durante “Descending Angel”. A banda se confundiu no início e precisou repetir a introdução. Graves levou a situação com bom humor e encerrou o episódio com uma frase que acabou definindo o espírito da noite:

“É assim que é o punk”.

Mais adiante, vieram “Crimson Ghost”, “Shining”, “Dust to Dust”, “Scream!”, “Saturday Night” e “Where Eagles Dare”. Antes de interpretar “Fiend Club”, Graves brincou com o público, que acompanhou cantando a introdução dessa música que funciona como um hino de pertencimento para todos aqueles que ainda fazem parte do universo Misfits.

A noite continuou com “Saturday Night”, uma das canções mais clássicas, sombrias e dramáticas de sua época.

O setlist seguiu com “Pumpkin Head”, “The Haunting”, “Resurrection”, “Hunting Humans”, “Beginning of the End” e “Doomsday”.

Em determinado momento, Graves mencionou que havia estado em Córdoba “há alguns anos”, embora sua visita anterior tivesse acontecido há menos de um ano. O comentário passou entre risadas e ficou como mais um detalhe espontâneo de uma noite que não precisou de muitas explicações.

Para o encerramento ficaram “Halloween”, “Hybrid Moments”, “Blitzkrieg Bop”, “Wonderful World”, “Helena” e uma surpreendente e muito bem executada versão de “War Pigs”. Uma sequência final que misturou canções de Misfits com Ramones e Black Sabbath.

foto de @garciagarra

O show terminou às 22:00. Michale Graves voltou a Córdoba antes de completar um ano de sua visita anterior e deixou um setlist carregado de clássicos, algumas joias menos óbvias e canções que continuam funcionando como ponto de encontro para várias gerações.

Era Graves no palco, realizando seu sonho de cantar diante de um público que gritava seu nome e conhecia cada melodia. E quando algo não saiu perfeito, a resposta foi simples: É assim que é o punk.