Domingão e já no esquenta do carnaval que ocorre neste próximo final de semana, os blocos de carnaval já estavam na ruas. Pessoas em trajes específicos passavam em frente a Burning House já paramentados para curtir a folia.
Dentro e aos arredores, uma nuvem de camisas pretas também se formava para a segunda edição do Dark Dimensions Fest.
A Dark Dimensions, JZ Press Assessoria e Burning House também colocaram seu bloco na rua, mas era um bloco diferente; O Death, Speed Black e o Thrash Metal seriam a trilha sonora deste desfile de potências do Metal internacional e nacional. No estandarte a música pesada como destaque.

Às 16:00, as portas da Burning foram abertas e a pista ia enchendo para uma tarde/noite de celebração ao Metal.
É começando – já sem cerimônia e pompa, o Brasil foi representado pelos mineiros residentes em São Paulo, NEW DEMOCRACY com guitarras potentes, bateria técnica, baixo contundente e teclados que trouxeram o diferencial e criaram a atmosfera assim foram iniciados os trabalhos.
Revisitando diferentes épocas de sua jornada, o NEW DEMOCRACY trouxe uma apresentação com participações especiais e impressionaram por seu som dinâmico. Representaram em muito com seu Death Metal e despertaram com certeza a atenção do público e que estava atento a cada detalhe e curtia junto.
Sobre as participações especiais: Iara Villaça (Alestorm Tribute) e Fábio Seterval ( Exodus Tribute) trouxeram uma energia ímpar e foram uma escolha sensacional para somar ao som da banda. Iniciando assim com potência e vigor, aquela que seria uma dos finais de tarde e começos de noite mais viscerais deste começo de 2026.
No repertório da NEW DEMOCRACY:
“Zumbi”, “Born To Suffer”, “Nothing And Everything”, “Unexpected Projection”, “Mordenization”, “Creation Of My Sin” marcaram presença e demonstraram potência. Além de domínio do palco, segurança e principalmente a energia explosiva de sua música abordando questões sociais e de cunho até mesmo pessoal, e a forma que enxergam o mundo.
O público ainda se aquecendo parecia tímido, mas reconheceu no som da NEW DEMOCRACY, peso, potência e batia cabeça ao decorrer das músicas e da apresentação.

Pouco após às 17:00h, as lendas subiram ao palco, VENOM INC subiu incendiando tudo. O trio apresentou uma performance carismática, afetuosa e acolhedora com o público fora e em cima do palco. Os clássicos vieram ” War”, “Inferno”, “Countess Bathory”, “Black Metal”. Uma apresentação impecável e que teve direito ainda a palhetas distribuídas em mãos e brinde com a plateia;
Uma garrafa de Jack Daniels vinda do palco, das mãos de Tony Dolan abasteceu e foi combustível para uma das apresentações mais incendiárias do evento.

Com carisma e se divertindo com o público, VENOM INC entregou uma apresentação memorável e nada menos do que esperado destes grandes mestres da velha escola. Ouvir e vê-los me trouxe a sensação de estar em uma máquina do tempo com o resgate de clássicos e aquela sonoridade do Black Speed Metal/Thrash Metal das antigas. O que fazia ainda mais sentido com uma imagem do Lemmy Kilmister ao fundo emulando o mascote do Motorhëad. Fantásticos!!!!
“In Nomine Sathanas” foi também uma das mais comemoradas e que inclusive teve participação do público no anúncio da canção. Guitarra e bateria tiveram seu momento de brilhar, com um solo de cada .
“Cursed”, “Bloodlust” e “Blackened Priest”, “Time To Die” e “Sons Of Satan” se fizeram presentes. Foi magnífico! O público cantou junto e agitou moshando. O caldeirão infernal estava aquecido e a missa do mal foi celebrada. O “666” do colete de Tony “Demolition Man” Dolan ilustrou bem.

Próximo às 19:00, um dos shows mais insanos que pude prestigiar e com o perdão do palavrão “PqP!!!”, se no VENOM INC o público já tá estava mais solto e iniciou ali uma série de moshs, gente sendo carregada de um lado para o outro. O que exigiu certa destreza para não levar pés na face (risos).
VIO-LENCE assim como o VENOM INC jogou a Burning no chão. Uma atmosfera tomou conta de todos. A presença de palco do vocalista Sean Killian dominou o palco. A banda toda sorria e se divertia. Sean por sua vez interagiu de forma ainda mais próxima do público, trocando apertos de mãos. De verdade, dava a sensação de que ele estava olhando no fundo dos olhos das pessoas (risos). Imponente com sua camisa laranja, segurou a atenção do público, não somente pela camisa. Arrisco a dizer que ele foi o vetor da catarse e prendeu a atenção do público que assistia boquiaberta a apresentação. Mosh rolando, galera sendo carregada em uma onda de energia estupenda. Contando inclusive com uma bandeira do Brasil estilizada com a capa do ” Eternal Nightmare” que foi ostentada com orgulho pela banda e que por fim, foi dobrada e guardada no bolso de Sean. E não jogada de qualquer jeito somente para desvencilhar do presente, demonstrando respeito e cuidado por parte da banda.

No set, abriram com “Eternal Nightmare” , seguido de “Serial Miller”, “I Profit”, “Office Nice”.
“Phobophobia” foi uma das mais celebradas, pedidas e cantadas pelo público. Aliás, o público cantou do começo ao fim o set que trouxe bem o espírito da Bay Área. Som agressivo e sem massagem. Aliás, a galera deve tá moída de ontem e para ir trabalhar, só Dorflex para amenizar as dores do Domingo (risos).
No set também estiveram:
“Kill On Command”, “Calling In The Coroner”, “Bodies On Bodies”, “Upon The Cross” e finalizando com o “World In World), faixa que dá nome também a um dos discos da banda. Foi impossível não agitar e não se arrepiar com a performance. Banda contundente é de sonoridade extremamente agressiva. Ano passado se não me engano, eles estiveram no Brasil e eu já havia tido excelentes recomendações sobre o som da banda ao vivo e pude atestar que é verídico – apresentação devastadora. Entrosamento entre banda e publiico x público e banda foi fenomenal. Inclusive dentro da propria banda, sinergia e diversão tomaram conta. Meio que um sentimento gratificante de missão cumprida, pois se não me engano o que aconteceu na Burning foi a data derradeira da tour na América do Sul, me corrijam se eu estiver falando besteira – tanto para o VIO-LENCE quanto para o FORBIDDEN.

Por fim, foi a vez dos anfitriões da noite, pontualmente às 20:30 a banda subiu ao palco. Os anfitriões da noite tiveram um baita desafio manter a energia e a fervura que deixada no palco pelo VIO-LENCE. Mas gigantes que são, mantiveram a jogaram ainda mais fogo. Carismáticos e animados, o FORBIDDEN dominou o palco.
A galera continuou a se jogar, moshar e na mesma intensidade, cantar a plenos pulmões. Se havia alguma outra forma melhor de concluir o domingo, naquele momento desconhecia.

Durante a apresentação baquetas, palhetas eram jogados para a galera se dividia entre prestígiar a banda e levar para casa lembranças do show. Uma bandeira desta vez com os integrantes do FORBIDDEN no estilo “South Park” foi aberta e bastante aplaudida pelo público, possivelmente presente de algum fã. Durante a apresentação os músicos seguiram cumprimentando o público próximo ao palco e agradecendo. Além da proximidade com o público entregaram muita reciprocidade. O que foi facilitado pelo espaço da Burning House, que torna a aproximação acessível, mas obviamente com respeito e tranquilidade.
No set: “Infinite”, “Out Of Body”, “March Into Fire” e “Twisted In The Form” fizeram a alegria da galera.
“Forbidden Evil”, “Divided By Zero” e a formidável “Step By Step”, a Burning foi ao delírio.
“R.I.P”, “Through Eyes Of Glass” e “Chalice Of Blood”, encerraram o set e a noite.

De forma geral, o festival foi uma aula de Death/Speed Black e Thrash Metal.
Gerações unidas fazendo a diferença e apoiando. O que torna tudo isto ainda mais reconfortante em relação ao que diz respeito a cena BR e principalmente paulistana. Jovens e também a galera das antigas curtindo juntos e extasiados por todo o contexto: Público, bandas, casa, organização, produção, aliás todos os envolvidos em uma tarde/começo de noite que considero histórico e memorável! Afinal, são grandes lendas e grandes nomes em um palco e buscando o algo em comum: A melhor experiência sonora propocionada pelo Metal.
Parabéns novamente Dark Dimensions, JZ Press, Burning House. Edição sen-sa-ci-o-nal e que ficará marcada nas lembranças e corações de quem teve o privilégio de apreciar esta data que não sairá mais da memória. A união Metal foi tão envolvente que integrantes de outras bandas estiveram presentes: Throw Me To The Wolves, Válvera, Sadistic Messiah, Inferno Nuclear, Andralls, etc. Foi demais! Parabéns a todos (as) envolvidos (as).


