Katatonia chega ao México com o pulso do novo álbum feito carne: Nightmares as Extensions of the Waking State (2025) entrou em praticamente todas as setlists da turnê europeia e norte americana, e isso muda a narrativa do show: não é apenas uma revisão nostálgica, é uma banda que apresenta e testa ao vivo um capítulo novo de sua história, ao vivo e sem adoçantes. Nightmares as Extensions of the Waking State tem sido o eixo de muitas das noites recentes, com entre três e cinco faixas do álbum aparecendo regularmente em cidades como Londres ou Turku, onde o repertório mostrou uma clara inclinação para o material novo, juntamente com peças posteriores a 2003.
Na prática, o que isso significa para quem for ao show de 15 de março no México? Significa encontrar uma proposta austera, melancólica e, às vezes, afiada, onde as músicas recentes — Thrice, The Liquid Eye, In the Event Of, Wind of No Change — não soam como um ensaio, mas como parte do núcleo do espetáculo; elas são interpretadas com segurança, volume controlado e uma atmosfera que privilegia a densidade emocional acima do riff fácil. Essa decisão artística ficou evidente nas críticas de salas e festivais: em shows em clubes, o público se mostra mais contido, atento e quase cerimonial, enquanto em festivais o mesmo repertório ganha volume coletivo e resposta massiva — ou seja, o material novo funciona em diferentes contextos, mas é apreciado de forma diferente dependendo do tipo de público presente.

Os relatos das datas recentes também revelam uma tendência clara na estratégia do setlist: o Katatonia preferiu construir noites centradas em sua carreira pós-2000, mostrando pouca presença dos primeiros anos e dedicando espaço a peças longas e trabalhadas de seu período mais recente. Essa escolha dá coesão à noite — é como se a banda dissesse “hoje falamos a partir deste lugar emocional” e não “vamos pular por décadas” —, mas ao mesmo tempo gerou algumas críticas entre os fãs que esperavam mais clássicos antigos. Várias crônicas destacam que, mesmo que alguns participantes fiquem com vontade de ouvir relíquias antigas, o resultado é uma experiência homogênea e íntima: luzes contidas, uma interpretação matizada e um foco absoluto na narrativa sonora do álbum.
Se buscarmos as músicas do novo álbum que melhor funcionaram ao vivo, há um consenso parcial entre críticos e participantes: Thrice e The Liquid Eye funcionam como âncoras poderosas — têm dinâmica e gancho —; Wind of No Change é a que mais tende a transformar a sala. Algumas noites, músicas como Falling from the Sun ou Cold Dreams surpreenderam por sua capacidade de alternar fúria contida com passagens expansivas, o que abre a porta para momentos de catarse bem medidos. Essas músicas já aparecem regularmente em palcos em cidades como Manchester, Londres, Estocolmo e Colônia.
Há também pistas sobre como a banda adapta as novas músicas ao vivo: arranjos ligeiramente compactados para não perder o ritmo em salas menores, mas sem sacrificar a atmosfera; quando o palco é grande ou o festival é massivo, o Katatonia alonga essas passagens e as deixa respirar por mais tempo, fazendo com que a densidade sonora tenha um impacto mais forte. Na recepção da crítica há nuances: alguns meios de comunicação celebram a coragem de pisar forte com material recente e sustentar uma noite sem se apoiar na nostalgia, enquanto outras crônicas apontam que a escolha de reduzir a quota de “sucessos” pode deixar parte do público com uma sensação de reserva. De qualquer forma, o balanço é claro: o álbum funciona ao vivo e a banda o defende com solidez.
O que você deve procurar no dia 15 de março no México? Primeiro: preste atenção ao clímax emocional —ele está sempre presente—; segundo: a voz de Jonas Renkse nessas passagens íntimas é a âncora que sustenta os momentos mais frágeis do show; terceiro: preste atenção em como as novas canções se intercalam com os trechos de The Great Cold Distance e Night Is the New Day: é aí que se ouve a continuidade estilística que faz com que o repertório recente não pareça forçado. E se você for com expectativas de pogo e descontrole em cada música, cuidado: há músicas que pedem quietude e atenção, e isso, para muitos, é precisamente parte da graça.
Fontes:
https://www.setlist.fm/setlist/katatonia/2025/electric-ballroom-london-england-5b589754.html
https://distortedsoundmag.com/live-review-katatonia-the-garage-glasgow
https://therazorsedge.rocks/2025-12-live-review-katatonia-manchester
https://www.rockflesh.com/live-reviews/live-review-katatonia-evergrey-klogr-academy-2-manchester-on-december-7th-2025?
https://ninecircles.co/2025/06/05/album-review-katatonia-nightmares-as-extensions-of-the-waking-state/

