– Muito obrigado pelo tempo cedido para a equipe da Cultura em Peso. Você pode nos contar como se deu o início do seu projeto DICENTRA?
O Dicentra surgiu em 2022 a partir de uma outra banda que tinha a proposta similar. O lance era fazer uma banda com influências de Hard Rock e Heavy Metal 80’ com letras tocantes e melodias marcantes com refrãos fortes. Bem na pegada oitentista criada por bandas como Whitesnake e Scorpions.
– Gostaria de saber como você se define. Eu particularmente achei o trabalho de vocês voltado para o Heavy Metal com pitadas de Hard Rock. Você concorda comigo?
Perfeitamente. Apesar de acharmos que com a saída do antigo guitarrista e com a entrada do Edson Ruy, a banda começou a trilhar mais para o caminho do Heavy Metal nessa bifurcação. Isso está evidente nas canções do segundo álbum “Crossing” e também no álbum ao vivo “Dicentra Alive” que lançamos em janeiro de 2025.
– “Dicentra Alive” é o seu novo registro. Como se deu o processo de registro deste material?
Os áudios do “Alive” foram captados durante um show que fizemos na cidade de Americana-SP, no Mutante. Um evento chamado “Hellpublic of Terror” que contou ainda com as participações das bandas Zênite e Rethurno. Lá, conversamos com o produtor Daniel Dias e ele se propôs a mixar e masterizar o show completo, entregando um resultado bem honesto e satisfatório, sem “overdubs” de nenhum instrumento ou voz. Uma ou duas semanas depois, ele realmente entregou um material de áudio bem interessante e, resolvemos lançar o álbum ao vivo. Das 16 músicas que tocamos no set do Mutante, 15 estão no “Dicentra Alive”. Cortamos apenas a canção “The Gunslinger Redemption” por ter ficado extremamente rápida devido à energia e empolgação excessivas. O interessante é que o “Alive” trouxe 11 canções inéditas que só seriam lançadas no “Crossing”, 7 meses depois.
– Gostamos muito da qualidade sonora alcançada por vocês. Suponho que o trabalho em estúdio tenha sido muito tranquilo. O que você pode nos falar sobre esta etapa, até chegarmos no lançamento propriamente dito?
O processo de gravações do álbum “Crossing” no MixMusic Studio em Amparo-SP foi realmente bem tranquilo. Exceto as meninas dos backing vocals, todos temos uma certa experiência em estúdio e, sob a produção do Fábio Ferreira, as gravações fluíram bem naturalmente mesmo. O “Crossing” vem com 12 faixas e todo esse processo de gravações, desde a guia de guitarras e voz até o último dia quando foram gravados os backing vocals, está registrado no Documentário: Dicentra Gravações do Álbum “Crossing”. Nele, estão explicadas todas as etapas para a gravação de um álbum de Metal com declarações efetivas dos integrantes do Dicentra, textos explicativos de algumas cenas, depoimentos de pessoas ligadas ao Metal Underground e muito mais. Ao final do documentário, informamos que o álbum ainda passaria pelos processos de edição, mixagem e masterização até ser enviado juntamente com a arte gráfica para a fábrica de prensagem. Ao todo, foram quase 13 meses de trabalho até o lançamento no dia 09 de Agosto na Woodstock Rock Sto e, na capital paulista.
– Sandro, eu adorei as linhas mais melodiosas compostas por vocês. Como funciona o seu processo de composição, neste sentido?
Bem, o Dicentra, atualmente, é realmente uma banda que trabalha entrosada neste sentido. As vezes, o Doug trás uma linha de baixo, o Luís e o Edson trazem uns “riffs”, as meninas, Cintia e Sissi Maués começam a criar backing vocals e outras vocalizações, eu escrevo as letras e crio as linhas de batera, sempre um aconselhando o outro para alcançar sempre o melhor resultado. Nos reunimos duas vezes por semana, uma para ensaiar o set do próximo show e outra para compôr o material do próximo álbum. Já estamos com 5 sons para o terceiro disco e devemos entrar em estúdio no primeiro semestre de 2026.
– A arte da capa é bem diferente, fugindo do padrão que estamos acostumados. Qual a mensagem que você quis transmitir com ela?
O título do álbum é “Crossing” (Travessia) e a letra da canção deixa implícita essa passagem entre a vida e a morte. Como as letras do Dicentra tratam, em sua maioria, de assuntos relacionados à irresponsabilidade humana com os semelhantes, com os animais e com o planeta, decidimos colocar na capa um cenário apocalíptico e no centro um portal para aquele que seria um mundo melhor onde nenhum ser humano foi capaz de atravessar. A arte foi criada pela designer Kell Cândido e, realmente, ficou muito interessante e expressiva.
– Imagino que você já deva estar trabalhando em novas músicas. Poderia nos adiantar como elas estão soando?
Já temos cinco canções com os “esqueletos” mais ou menos definidos para o próximo álbum e, posso adiantar que o Dicentra vai lançar um álbum diferente dos dois primeiros. Um álbum mais pesado e direto, com músicas mais curtas e dentro do Heavy Metal propriamente dito. Digamos que vai ser um álbum mais “soco na cara”!!!
– Vocês já estão prontos para excursionar por outras regiões do país? Falo isso, pois depois de escutar o seu material, fiquei curioso para vê-los ao vivo.
Estamos sempre prontos, inclusive já temos uma mini tour agendada para o período de 03 a 20 de Julho de 2026 quando faremos shows pelo estado do Pará incluindo nossa participação no Festival PortHell que ocorre todo ano há 20 anos na ilha de Portel dentro do complexo das Ilhas do Marajó.
– Como você analisa o mercado fonográfico atualmente? Você acredita que o nicho que você faz parte, permite espaço para novos nomes promissores, como é o caso aqui?
Se eu deixar de acreditar nisso, sento e espero a morte. Acredito sim que o Metal Underground sempre terá seu espaço e se manterá vivo. Faço parte de uma geração que acredita e gosta de manusear o material físico, ler as letras cantando junto com o vocal, observar cada detalhe da arte gráfica, ler a ficha técnica que ajudou a criar aquela obra, enfim, conhecer a banda através do seu trabalho. Por este motivo, o Dicentra visa sempre a produção de material físico. Estamos produzindo as fitas K7 do “Bloody Heart”, do “Alive” e agora, do “Crossing” e, lutamos a cada dia para alcançar o sonho de produzir esses álbuns também em vinil. O mercado torna-se promissor a cada pai e mãe headbanger que consegue passar um pouco dessa maravilhosa cultura para seus filhos.
– Mais uma vez obrigado pelo tempo cedido ao site Cultura em Peso. Agora o espaço é seu para as considerações finais
Nós agradecemos a oportunidade de falar um pouco sobre o Dicentra e, tenham certeza que, onde estivermos presentes, aqueles que nos escutarem receberão sempre um trabalho feito com extrema honestidade e imensurável amor ao Metal Underground. Valeu Cultura em Peso e até mais.


