– Muito obrigado pelo tempo cedido para a equipe da Cultura em Peso. Você pode nos contar como se deu o início do seu projeto THE SCREAMS OF WIDOW’S SON?

Nós que agradecemos pelo espaço. Começou como algo simples, direto, com uma proposta bem crua. Sem pretensão de soar técnico ou bonito. Só queríamos expressar. Com o tempo, isso foi ganhando forma — foi crescendo como uma criatura deformada criada em porões sufocados de dor e frustração. E cá estamos.

– Gostaria de saber como vocês se definem. Eu particularmente achei o trabalho de vocês voltado para o Death Metal com pitadas de Thrash Metal. Vocês concordam comigo?

Sim, tem pitadas, tem riffs que remetem sim. O Dalvan curte muito Thrash e quis inserir essa pegada. Mas o som da banda nunca ficou preso em só um gênero. Temos algo de Grind, Black, um pouco de tudo. No fundo, misturamos tudo o que curtimos e socamos isso num liquidificador podre. O que saiu é só brutalidade. Se chamarem de “metal extremo”, estamos em casa. Mas a espinha dorsal continua sendo o Death Metal. É onde nos reconhecemos.

– “Perverse Violence” é o seu novo lançamento. Como se deu o processo de registro deste material?

Foi tudo muito intenso. Nosso assessor nos alertou da necessidade de um novo trabalho, e a gente ainda estava em processo de reformulação da banda. Havíamos acabado de lançar um EP em 2023, queríamos respirar. Mas quando a violência te chama, você atende. Tínhamos uma meta para julho de 2024, mas entre logística, produção e vida pessoal, saiu só em novembro. Foi punk, mas saiu como tinha que sair: direto da carne viva.

– Gostamos muito da qualidade sonora alcançada por vocês. Suponho que o trabalho em estúdio tenha sido muito tranquilo. O que você pode nos falar sobre essa etapa?

Nada foi tranquilo. Tudo veio de uma vez só: formação nova, ideias novas, cobranças internas. Foi um caos criativo. Mas a violência se alimenta disso. Gravamos com pressão, sim, mas foi aí que conseguimos extrair a essência do disco. Não queríamos algo limpo — queríamos algo sujo, seco e verdadeiro.

– Glycon, eu adorei as linhas mais agressivas compostas por vocês. Como funciona o seu processo de composição?

Geralmente começa com uma ideia ou imagem forte. Depois disso, tudo é instinto. Vem a base da guitarra, depois a bateria e a letra. Tudo junto, visceral, sem freio. Não penso demais: deixo fluir o sentimento mais bruto. Se não soar como um soco no estômago, tá errado.

– A arte da capa é bem diferente, fugindo do padrão que estamos acostumados. Qual a mensagem que vocês quiseram transmitir com ela?

Queríamos algo que causasse incômodo. Usamos referências de filmes de horror, principalmente os que tratam de tortura e punição — tipo Jogos Mortais. A ideia é essa: você paga pelo que escolhe, e o mundo te cobra. A câmera na capa mostra isso: estamos todos sendo vigiados, julgados, expostos. E o que rege tudo isso? Política, religião, fanatismo. Tudo o que deveria nos guiar, mas só nos destrói. A arte mostra o ser humano pagando o preço de se entregar a essas mentiras.

– Imagino que você já esteja trabalhando em novas músicas. Pode nos adiantar como elas estão soando?

Já temos ideias em andamento. Estamos em fase de lapidar e testar coisas com a formação nova. O som está mais seco, mais cru. Sem baladas, sem frescura. Direto ao ponto. Queremos algo mais agressivo, ainda mais honesto. Cada novo integrante tem uma identidade sonora, e estamos tentando fundir isso da melhor forma.

– Vocês já estão prontos para excursionar por outras regiões do país?

Sim! Já temos uma apresentação marcada para novembro, com um setlist que mistura as músicas novas e as antigas. A agenda está aberta. Queremos sair da caverna, ver o público na nossa frente e sentir a energia ao vivo. Isso faz falta. Estamos preparados.

– Como você analisa o mercado fonográfico atualmente? Acredita que há espaço para nomes novos e promissores como o de vocês?

É difícil, cara. Muito. Mas não é impossível. O underground exige muito mais do que tocar bem — você precisa sobreviver. Tem bandas aí que mereciam estar em festivais gigantes, e não estão. Mas o jogo é esse: continuar cavando com as mãos até achar o próprio espaço. Estamos começando a colher frutos agora, depois de muito tempo, mas ainda há muito trabalho a ser feito. E não vamos parar.

– Agora o espaço é de vocês para as considerações finais.

Agradecemos demais o espaço. Cada linha escrita aqui carrega suor, esforço e sangue. A quem nos escuta: não queremos aplausos, queremos reação. Se nossa música te incomoda, ótimo. Se te liberta, melhor ainda. O abismo está aberto — e estamos nele. Convidamos vocês a descer também.

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