Entrevista exclusiva com a banda venezuelana de punk
Huck It é uma banda de punk venezuelana formada em 2019 e atualmente composta por Mario González, Rafael Fuguet e Víctor Sánchez. O grupo já participou de apresentações e eventos importantes, como o Festival Nuevas Bandas, o icônico bar La Quinta Bar, La Pared e o Rockalandia Fest.
Tivemos a oportunidade de entrevistá-los para Cultura em Peso e conversar sobre os lançamentos, a trajetória e as apresentações.
1) Huck It começou como uma banda de covers e depois passou a criar músicas próprias. Como foram esses primeiros passos?

Tudo começou quando Mario e Víctor se reuniam desde os tempos de colégio para tocar por diversão. Depois, decidiram formalizar a banda com Luis Paredes no baixo.
Segundo eles, apesar de tocarem alguns covers no início para se ajustarem, desde a primeira formação já trabalhavam em ideias próprias. Os covers seguiram presentes como uma forma de entregar ao público músicas de gêneros variados, sempre reinterpretadas ao estilo da banda.
2) O punk, como gênero e subcultura, sempre trouxe características contestatórias e rebeldes. A banda incorpora isso na música? Como?
Com certeza! O punk é a essência da banda — tanto musicalmente quanto na forma como se expressam e se posicionam.
Para eles, o principal elemento herdado do punk é ser autêntico, valorizando a individualidade acima de qualquer padrão ou comportamento criado apenas para “pertencer”. Isso inclui não se levarem excessivamente a sério como artistas, entendendo que são três pessoas que fazem música porque gostam e se divertem.
Essa identidade está presente nas letras: algumas abordam rebeldia contra o sistema e crítica social, outras tratam de temas pessoais e emocionais, enquanto uma parte significativa traz humor, sátira e piadas internas — que deixam de ser tão internas ao virarem música.
3) O punk dos anos 90 e 2000 trouxe uma estética mais limpa e comercial. O que vocês absorvem dessa fase?

A banda afirma que sempre se identificou com a energia rebelde dessa época, mas com um som menos cru e mais melódico. Isso acabou influenciando bastante a estética musical atual do grupo.
4) Quais bandas nacionais e internacionais servem como inspiração?
A maior parte das inspirações vem de bandas internacionais. Entre as referências mais marcantes estão blink-182, The Offspring, Green Day, Descendents, Bad Religion, Agent Orange, Dead Kennedys, Misfits, NOFX, Sum 41, Turnstile, entre outras.
No cenário nacional, algumas influências incluem La Vida Boheme, Desorden Público, Viniloversus e 4to Reich.
5) Falem um pouco sobre os dois lançamentos que têm até agora. Como resumiriam cada um?
O primeiro EP, chamado Huck It, foi gravado “aos trancos e barrancos”, segundo eles, mas é um trabalho especial por ter sido o aprendizado inicial em estúdio — gravação, produção e lançamento.
Depois veio Reloaded, um EP que demorou mais de um ano para ser lançado e até precisou de regravações. O processo foi mais “faça você mesmo”: tudo, exceto a bateria, foi gravado no home studio do primo de Víctor, com a ajuda de Dess BCM (“autoproclamado quarto integrante”). Esse processo permitiu aplicar aprendizados anteriores e melhorar execução, gravação e mixagem.
6) Nos shows, especialmente no Nuevas Bandas, existe o famoso “tema da prima”. Para quem ainda não entendeu, podem explicar?

O “chiste da prima” ganhou proporções inesperadas. Tudo começou quando Víctor voltou de uma viagem a Portugal. Em uma conversa com Mario, surgiram comentários sobre uma prima de Mario que tinha muito em comum com Víctor — porém, ela havia se mudado para Portugal uma semana antes.
A história virou uma piada interna. Mario compôs uma música sobre isso, e a brincadeira passou a incluir também as primas de Víctor e Rafael. Hoje, faz parte da identidade humorística do grupo.
7) O que podemos esperar do Huck It no futuro? Como vocês se enxergam?
O público pode esperar mais energia, mais piadas internas e muitos pogos. A banda está iniciando o processo de gravação do primeiro álbum — o primeiro com Rafael no baixo — e em breve trará novas músicas e uma sonoridade evoluída.
8) Vocês já compartilharam palco com bandas ou público da cena punk venezuelana? Como foi a experiência?
Segundo eles, o público punk sempre os recebeu muito bem, mesmo quando não sabem exatamente em qual subgênero do punk classificá-los.
Com bandas, a interação ainda não foi tão ampla quanto gostariam, mas destacam a parceria com Juan Morasso, do 4to Reich, que abriu as portas de seu espaço, La Pared. Também mencionam boas conexões com a banda Los Del Ruido, de Barquisimeto.
9) Se pudessem compartilhar palco com qualquer banda nacional, qual seria e por quê?
A banda cita nomes como Los Mentas, Viniloversus, Tomates Fritos e La Vida Boheme — grupos que fizeram parte de sua formação musical.
Também destacam como honra ter dividido palco com Desorden Público, Zapato 3 e El Último Sentimiento no Rockalandia Fest.
10) Deixamos este espaço para convidarem o público para os próximos eventos e deixarem um recado.
Novos shows estão chegando. A banda está preparando algo especial ainda para novembro e já possui datas para dezembro. Eles convidam todos a acompanharem as redes sociais para não perder nada e verem o processo de gravação do novo álbum.
Mandam também um abraço aos seguidores — “Amamos vocês… e queremos conhecer suas primas”.
📅 Próximos eventos — Huck It
Acompanhe as datas oficiais nas redes sociais da banda:
- Instagram oficial
- Novembro e dezembro com novos shows pela cena alternativa venezuelana
👉 Fique atento e garanta presença nos próximos pogos!
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