Lançado em maio deste ano, o álbum I Just Want To Be a Sound, dos alemães do Kadavar, cumpriu o que prometeu: marcar uma nova fase na trajetória da banda.

I just want to be a sound. Kadavar, 2025.

Em que pese o estilo stoner psicodélico, o (agora) quarteto, em uma declaração oficial, falaram: I Just Want To Be A Sound é mais do que um álbum para nós — é a essência do Kadavar: um anseio incansável por liberdade e o impulso inabalável de viver por meio da música. Colocamos tudo nele — nossas vidas, nosso espírito, nossa verdade.”

O álbum dividiu opiniões entre os fãs e para aqueles que acompanham há mais tempo, embora estivessem acostumados com as inovações e surpresas, desta vez, a mudança tenha sido totalmente inesperada e radical.

Se hoje, me apresentassem a banda a partir deste álbum, talvez, não iria além da terceira música. A mistura com a música eletrônica, entre outros elementos, talvez caia bem para novos fãs, com pegadas mais ecléticas e modernas, diria até para aqueles que curtem uma rave, ou quem sabe aquelas festas de música eletrônica da ‘high society’ que aparecem em filmes, numa mistura psicodélica futurista e pessoas diversificadas, excêntricas, mas para os mais antigos, como eu, nem um pouco.

Cada uma das faixas revelaram diferentes tonalidades e estilos do novo som do Kadavar, deixando para trás o peso e a densidade do stoner tradicional e abrindo espaço para algo totalmente enigmático e novo.

A faixa título e a primeira do álbum, I Just Want To Be A Sound, causou certo espanto, pela mudança radical no estilo e rompendo com os álbuns anteriores. Lembra bastante som mais pop do final dos anos 80. Remete um pouco do que o A-ha fez em alguns álbuns como por exemplo no Memorial Beach e diria até pegando pouco do Lifelines (2002). Porém, com a diferença é que a proposta do A-ha sempre foi essa e tem outro tipo de sincronia.

Quando passamos para a segunda faixa, Hysteria, vem com certo peso e tom sombrio e ainda com uma mistura de distorções eletrônicas, remete a sons feitos por Marilyn Manson, ao final dos anos 90. A letra traz basicamente a pressão cotidiana e a necessidade de sermos produtivos a todo instante: Night and day waiting game, psychedelic french fries, eat me up at midnight, meanwhile three devices, multiply my screen time“.

Kadavar, 2025. Foto: Divulgação

E se aquela tem tom sombrio, Regeneration, é o oposto: mais ritmado, mas ainda com os elementos eletrônicos, “It’s time to define”… Ok então!

Let Me Be A Shadow, é quase como uma fusão das duas primeiras músicas (em questão de melodias).

Na quinta faixa, chegamos na metade do álbum e Sunday Mornings, a letra é até interessante, como se fosse um antes e depois de conhecer alguém e se apaixonar. Nesse ponto há uma identificação de qualquer pessoa com a letra.

Scar On My Guitar, é praticamente uma carta de amor à reinvenção, um abandono do passado em favor de algo mais autêntico, novo. Em uma entrevista, o vocalista afirmou: “A música é sobre a minha guitarra e todas as cicatrizes que ela carrega das turnês. “Por frustração, uma vez eu a joguei contra a bateria no palco, há muitos anos, e o braço quebrou. Mandei colar e seguimos viagem. Em turnê, não há tempo — tudo está sempre em movimento. No palco, você dá tudo de si: suor, sangue e lágrimas. E antes mesmo de perceber o que acabou de acontecer diante dos seus olhos, você já está de volta ao ônibus, indo para a próxima cidade. Pronto para a próxima aventura.”

Strange Thoughts Truth, são a sétima e oitava faixas do álbum. Esta última, tem uma linha de baixo mais interessante, porém nada mais a pontuar.

A penúltima faixa do álbum, é uma balada com ar mais psicodélico, quase “floydiano”. Star vem com ar mais bucólico e calmo, quase como uma introdução a última faixa, Until the End, que tem uma cítara na introdução, e o andamento continua interessante, pois lembrou trechos de Us and Them do Pink Floyd. Estas duas são interessantes tanto em composição das letras quanto na construção melódica, destoando totalmente das faixas iniciais e remetendo a outras composições (mais antigas) da banda.

Banda: Lupus Lindemann (vocal e guitarra), Tiger Bartelt (bateria), Jascha Kreft (guitarrista e tecladista) e Simon ‘Dragon’ Bouteloup (baixo).

Tracklist:
1. I Just Want To Be A Sound
2. Hysteria
3. Regeneration
4. Let Me Be A Shadow
5. Sunday Mornings
6. Scar On My Guitar
7. Strange Thoughts
8. Truth
9. Star
10. Until The End

Nota: 3/10

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