Noite fria em Dona Emma, mas o calor do underground aqueceu a galera: assim foi o Necronomicon Festival, em 13 de setembro de 2025, mais uma vez realizado na casa do Bob (@bobrockfestival). Desta vez, fui com a excursão organizada pelo Gustavo Martin (@gustavomart1n), que ainda resiste em unir a galera e proporcionar locomoção para os festivais, fortalecendo não apenas o acesso aos shows, mas também a própria comunidade que gira em torno do underground. O espaço do Bob, já conhecido por seu acolhimento, não decepcionou: bar e cozinha em sintonia, serviço ágil e simpático, e o chopp gelado, gostoso e barato — aliado perfeito para curtir a noite.
A primeira banda a se apresentar, foi a Alocer (@alocerblackmetal), de Jaraguá do Sul (SC). Ativa desde os anos 2000, a banda carrega a bandeira do black metal catarinense com uma sonoridade raw, com personalidade própria, abrasiva e direta. Ver a Alocer abrir o festival foi simbólico: um chamado para mergulhar em uma noite que não teria concessões.

Photo Luciane Bruske
Em seguida, foi a vez do Doomsday Ceremony (@doomsday_ceremony), veteranos da cena curitibana. Com mais de duas décadas de estrada, a banda é reconhecida por unir o peso do black metal com melodias bem trabalhadas, criando uma atmosfera sombria e ao mesmo tempo épica, mostraram ao longo dos anos a consistência da banda, que nunca abriu mão da autenticidade. Depois de um tempo sem se apresentar por aqui, a execução foi certeira, com guitarras afiadas, vocais viscerais e uma entrega que mostrou maturidade e paixão. Apesar do público modesto, a força da apresentação deixou claro o valor da banda para a história do metal extremo paranaense.

Quem assumiu o palco na sequência, foi a Necrotério (@necroterio_deathgrind_official), de Colombo (PR), e aí sim a noite pegou fogo. Um dos nomes mais tradicionais do grindcore brasileiro, ativos desde o início dos anos 90, eles trazem uma mistura explosiva de brutalidade e velocidade. O público reagiu à altura, formando rodas de mosh que tomaram conta do quintal do Bob. O vocalista não ficou preso ao palco — desceu e se jogou junto, reforçando o espírito de comunhão que caracteriza o grind. Foi um show daqueles que fazem a memória do underground pulsar.

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E então, o palco foi tomado pela escuridão ritualística da Amen Corner (@amencornerbrazil), uma das lendas do black metal brasileiro. Formada nos anos 90 em Curitiba, a banda ajudou a consolidar o estilo no país, sua sonoridade é intensa, uma atmosfera carregada de peso espiritual. Ver o Amen Corner novamente na região foi um privilégio: a apresentação, densa e envolvente, fez jus ao legado do grupo, que carrega décadas de resistência dentro do metal extremo. A banda reafirmou seu status de referência, lembrando a todos que o black metal nacional tem história e profundidade.

Photo Luciane Bruske
Já era madrugada quando, a Obscurity Vision (@obscurity.vision) encerrou o festival. Representando o metal extremo catarinense, a banda tem se destacado pela força de suas composições, que equilibram brutalidade e atmosferas densas. Ao vivo, entregaram uma performance coesa, com riffs pesados e uma presença de palco firme, encerrando o festival em tom sombrio, mas cheio de energia. Foi a prova de que, mesmo no fim da noite e com o frio castigando, o espírito do metal não esmorece.

Photo Luciane Bruske
Apesar do lineup impressionante, o público foi menor do que o esperado — algo que me gerou certo pesar, considerando que a noite reuniu algumas das melhores bandas do Paraná e de Santa Catarina, nomes históricos que demoraram a aparecer pela região. Ainda assim, quem esteve presente viveu um festival autêntico, intenso e memorável.
O Necronomicon Festival reafirmou uma verdade essencial: o underground resiste não pela quantidade de pessoas, mas pela força do encontro. Cada banda, cada nota e cada gesto de entrega no palco reforçaram a importância desse espaço. O metal extremo segue vivo porque existe gente disposta a mantê-lo pulsando, seja no frio da madrugada, no quintal de um amigo ou diante de um público pequeno, mas comprometido. No fim das contas, é disso que se trata: resistência, paixão e verdade.

Photo Luciane Bruske


