
Betrayal, banda alemã de Progressive Death Metal formada em 2005 em Aschafemburgo, retorna ao cenário com o lançamento do single “Deathwish“, no ultimo dia 31 de Outubro.
Com dois álbuns aclamados (Infinite Circles de 2016 e Disorder Remains de 2021) em sua trajetória, a Betrayal é conhecida por infundir a brutalidade do death metal com a complexidade e a técnica do prog. “Deathwish” não é apenas uma música; é uma declaração sobre a evolução, qualidade e maturidade inquestionáveis da banda, transformando temas sombrios em composições quase que arquitetônicas.
O título, que sugere um “Desejo de Morte”, estabelece uma fundação lírica sombria, que o gênero prog death usa como tela para a complexidade musical.

“Deathwish” veio completamente diferente de tudo o que a banda lançou anteriormente. Para entender essa evolução, é pertinente traçar uma “linha do tempo” da banda:
- A Era Infinite Circles: Faixas como “The Shell” surpreendiam ao levar o ouvinte do death metal a um final inesperado e bucólico, como se estivesse num chalé, em um dia chuvoso, apreciando um vinho, com sonoridade que trazia um certo “quê” de bossa nova com um solo de saxofone maravilhoso, criando um clima de reflexão.
- A Era Disorder Remains: A banda mostrou uma sonoridade mais madura, cadenciada e com bases sólidas, praticamente chamando o fã para uma batalha com uma potência incrível. O peso das guitarras se fundia com as frases progressivas e impecáveis da bateria.
Após um longo período desde o lançamento de Disorder Remains, a Betrayal surge com “Deathwish” e uma reformulação interna que inclui a entrada de Matthias “Matze” Schmitt no baixo, resultando em uma sonoridade completamente diferente.
O baixo é extremamente presente e bem trabalhado. As guitarras têm muito mais peso e tons mais graves. As frases na bateria casam perfeitamente com o baixo e o vocal, e a linha instrumental se aproxima do estilo djent, mas sem jamais sair do death metal e das linhas progressivas.
O grande “susto” e a evolução absurda vêm na linha vocal. O refrão com vocal lírico (clássico) quebra o ouvinte na hora que escuta. Esta mistura do lirismo, um elemento clássico da banda, permanece, mas de forma muito mais refinada e rebuscada.
Os riffs e solos de guitarra, em especial, conseguem traduzir e expressar o sentimento forte e até de certo “desespero” da letra: “mearbled youth, rotten into stone / a higher purpose, defined by old /… closeness is forgotten, displaced, despised“.
“Deathwish” não é apenas um single de retorno; é a fundação de um novo paradigma e direção da banda. A Betrayal demonstrou uma ousadia técnica rara, costurando a agressão do death metal com a precisão rítmica do djent e a surpresa emocional do vocal lírico – tudo isso sem perder a sua identidade progressiva e pesada. Com esta faixa, a banda não apenas superou as expectativas geradas por Disorder Remains, mas também estabeleceu a si mesma como uma das forças mais inovadoras da cena alemã atual. Se “Deathwish” é o vislumbre do que está por vir em 2026, os fãs devem se preparar para uma obra-prima de complexidade e fúria.
Betrayal
Alex B.: Vocal e guitarra
Bastian Kraus: Guitarra
Matthias “Matze” Schmitt: Baixo
Manuel Caccamese: Bateria
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Nota: 10.


