Domingo 6 de julho – Teatro Vorterix
O Teatro Vorterix virou uma trincheira. Lá fora, o inverno castigava. Lá dentro, porém, o calor crescia entre a multidão, o rugido das guitarras vibrava no ar e os corações batiam ao ritmo de um metal que nunca baixava a guarda. Nessa atmosfera carregada de energia e expectativa, o Plan 4 retornou ao palco Vorterix para apresentar seu mais recente trabalho, “Mecanismo de Odio”, em uma noite que combinou força, comunhão e memória.
A noite começou com duas bandas que não faltaram intensidade e comprometimento. Fuerza Primitiva abriu a noite com um set de tirar o fôlego, sem espaço para hesitações ou meias-medidas. Com uma abordagem crua e direta, eles aqueceram a atmosfera com uma força que se fez sentir desde a primeira nota.



Depois foi a vez de Hueso, que manteve a tensão alta com riffs afiados e uma presença de palco que não passou despercebida. Cada um, à sua maneira, preparou o palco para o ponto alto do dia: o retorno do Plan 4 a um dos palcos que eles conhecem melhor.


Assim que o primeiro acorde de “Grito de Guerra” soou, ficou claro que a banda estava determinada a incendiar o local. O público entendeu instantaneamente e respondeu com pogos inflamados, punhos erguidos e uma entrega total que transformou o show em uma celebração coletiva. A primeira parte do recital foi uma jornada direta e inabalável pelas novas músicas de “Mecanismo de Odio”. Músicas como “Crimen y Castigo”, “Su Dios Quiere Venganza”, “El Cielo Mira Hacia el Sur” e “Nuestro Duelo” exibiram todo o seu potencial ao vivo, encontrando aquele soco perfeito, aquela fúria canalizada, que se transforma quando compartilhada com centenas de vozes gritando em uníssono.

Após um breve intervalo, chegou um dos momentos mais esperados pelos fãs: os clássicos. Aquelas músicas que se tornaram hinos no repertório da banda e foram recebidas com aplausos de pé. “Mi Religión”, “No Me Des Por Muerto”, “Jamás Teners Mi Gloria”, “La Jaula” — cada uma caiu como uma martelada, direto no coração. El Knario, como sempre, foi muito mais do que um vocalista. Ele discursou, riu, se entregou completamente ao público e forjou aquela ponte de conexão emocional que torna cada apresentação do Plan 4 única.
Entre as músicas, uma joia inesperada surgiu: uma versão áspera, pesada e poderosa de “Paranoid”, o clássico imortal do Black Sabbath. A homenagem não só arrancou aplausos e sorrisos cúmplices, como também acendeu uma chama de nostalgia e respeito pelas raízes do gênero.

O som era simplesmente devastador. Conciso, conciso, perfeito. Cada instrumento era ouvido com clareza, cada batida tinha propósito e peso. A banda soava mais firme e polida do que nunca, com uma energia genuína e um comprometimento que transcendia o palco. O que eles transmitiam era genuíno, visceral, real. Não havia pose, nem artifício: havia verdade.
O Plan 4 não veio para repetir fórmulas. Vieram para deixar claro que o metal argentino ainda está vivo, ainda luta, ainda tem sangue, garra e memória. Em tempos sombrios, em um mundo que muitas vezes parece estar vacilando, ainda há um refúgio onde você pode gritar em voz alta, liberar tudo o que te pesa e, por um tempo, se sentir mais vivo do que nunca.



