O acesso ao local começou por volta das 20h15. Aos poucos, os metaleiros entraram no Foro Veintiocho para uma noite repleta de black metal. Os noruegueses do 1349 se apresentaram na Cidade do México para encerrar sua turnê “Latin America Hellfire 2025“, que passou pela América do Sul, deixando para trás todos os tipos de público, rendidos à sua intensidade. Ao entrar, era possível ver um estande de produtos com pôsteres e camisetas oficiais, enquanto ao fundo o bar oferecia uma grande variedade de bebidas para que os presentes pudessem se animar e se preparar para o ritual sonoro que estava prestes a começar.

Aproximadamente às 20h40, a noite começou com a banda mexicana Kalighula, de Chihuahua, que deu o tom ao som do death metal tradicional. Sua formação se destacou pela presença de um vocalista com impressionante potência acústica, cujos guturais prolongados ressoaram poderosamente por todo o local. O set, que consistiu de seis a sete músicas, foi intenso, apesar de um problema inicial de áudio com o microfone principal, que foi rapidamente resolvido. A apresentação do Kalighula colocou todos no clima: cornetas erguidas, cabelos ao vento e um público que gradualmente se acomodou em seus lugares favoritos dentro do local. Antes de encerrar, eles agradeceram ao público e o convidaram a continuar apoiando sua apresentação nas redes sociais.

O interessante da apresentação do Kalighula é que, além de ser uma banda distante do centro do país, eles demonstraram solidez no palco e uma personalidade marcante. A vocalista conquistou muita atenção com sua capacidade de sustentar guturais longos sem perder potência, algo que muitas vezes é difícil até mesmo para os vocalistas mais experientes. Esse tipo de banda é um exemplo claro do talento que continua a emergir de diferentes cantos do México, confirmando que a cena extrema nacional está mais viva do que nunca e com produções que merecem ser ouvidas.

Às 22h, as luzes se apagaram e “Aura Hellfire” irrompeu. Chamas iluminaram o palco e, logo em seguida, a fumaça cobriu tudo, criando o clima para o que seria uma verdadeira missa negra. A banda, liderada por Olav, entrou com uma força devastadora que não diminuiu durante toda a noite.
Desde o primeiro riff, ficou claro por que o 1349 é um dos exemplos mais sólidos da segunda onda do black metal norueguês, a mesma onda que moldou gerações inteiras dentro do gênero.
O ritual começou com “Riders of the Apocalypse” e “Ash of Ages“, desencadeando um frenesi em uma plateia que não parava de balançar a cabeça. Com o local praticamente lotado, a conexão entre a banda e o público foi imediata. O setlist progrediu com faixas como “Slaves“, “Through Eyes of Stone” e “Shadow Point“, faixa de seu álbum mais recente, The Wolf and the King. Este último soou brutal: cru, frio e intransigente, combinando perfeitamente com a estética e o discurso de toda a apresentação.
A noite continuou com “I Am Abomination” e “Striding the Chasm“, com destaque para o lendário baterista Frost. Seus blast beats, executados com velocidade e precisão sobrenaturais, deixaram claro por que ele é considerado um dos melhores do metal extremo do mundo. Mais de uma hora de bateria ininterrupta confirmou que ver Frost em ação é um verdadeiro privilégio. O caos continuou com “Inferior Pathways“, “Blood is the Mortar” e “The God Devourer“, músicas que se entrelaçaram com violência e perfeição em um set devastador.

A essa altura, o moshpit no centro do local ainda estava animado, com chutes e pancadas alimentando a energia que o 1349 liberava do palco. A banda encerrou o show com “Atomic Chapel” e “Abyssos Antithesis“, do álbum The Infernal Pathway, coroando uma noite de devastação sonora.

A conexão entre banda e público foi total: agradecimentos do palco, gritos de alegria da plateia e um clima que, embora pedisse por mais músicas, se mostrou satisfeito com o banquete oferecido. O ritual encerrou-se por volta das 23h10, deixando claro que, embora o black metal não seja caracterizado por shows longos, sua força reside na intensidade de cada segundo vivenciado. Com esta apresentação, o 1349 encerrou sua turnê latino-americana em uma cidade que sempre se mostrou fã do gênero mais cru e visceral.
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