Só apanhei o desfecho do Inferno das Febras, mas bastou para sentir a força do festival. Quando cheguei, a primeira banda que vi foram os The Chisel, que já ameaçavam incendiar a noite, enquanto a chuva começava a cair em finos fios persistentes. Nada travou — pelo contrário, tornou-se parte da paisagem e cúmplice da energia das margens do rio Mesio.

The Chisel: punk britânico direto ao osso
The Chisel abriram o meu percurso na noite com puro punk britânico, cru e direto. Apesar de um arranque com dificuldades técnicas, recuperaram depressa e conquistaram o público com uma energia vibrante, riffs rápidos e atitude. A entrega em palco fez o público entrar no ritmo certo para o que vinha a seguir.
Coilguns: caos como espetáculo
Os Coilguns trouxeram o caos organizado na sua estreia. Num dos momentos mais insanos da noite, o vocalista abandonou o palco para vir ao público, usando um caixote do lixo para um crowd surfing. Foi um espetáculo caótico, visceral e totalmente entregue, que transformou o Inferno das Febras num redemoinho de energia.

Cancer: intensidade sem tréguas
Os Cancer seguiram com um concerto carregado de violência sonora. A chuva miúda não travou nem banda nem público, que respondeu com circle pits e crowd surfing incessantes. Foi pura sintonia entre palco e plateia, num dos momentos mais intensos do festival.

Nagasaki Sunrise: fecho demolidor
Coube aos Nagasaki Sunrise encerrar a noite. A chuva não deu tréguas, mas isso só reforçou a força do set final: pesado, intenso e catártico. A banda descarregou uma muralha de som que manteve a energia no auge até ao último acorde, fechando o festival de forma memorável.

O desfecho do Inferno das Febras 2025 foi uma celebração de resistência e energia. Entre chuva, caos e comunhão, o festival provou mais uma vez que a sua essência é underground, independente e inabalável. E mesmo sendo o primeiro ano com bilhete pago, o público marcou presença em peso, mostrando que a força do Inferno das Febras é já um ritual de encontro e resistência.
Se o Inferno das Febras resistiu à chuva, para o ano promete queimar ainda mais.
Lá estaremos.
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