Chegamos ao tão aguardado terceiro e último dia do Evil Live Festival 2025. O calor era brutal — superando os 40 graus — mas isso não impediu os mais de 25 mil fãs de esgotarem os ingressos e lotarem o Estádio do Restelo, em Lisboa. Já antes das 10h da manhã, uma fila interminável tomava conta da entrada, mostrando que ninguém se importava com o cansaço acumulado dos dias anteriores. Todos estavam ali por um motivo: viver intensamente mais um dia de puro metal!
O dia prometia ser histórico com Slipknot como cabeça de cartaz, regressando a Portugal com força total. Ao seu lado, um alinhamento de peso: Falling In Reverse, ícones da nova geração; Jinjer, uma das bandas mais ovacionadas do metal contemporâneo; Adept, com seu metalcore substituindo os Crossfaith; Gaerea, representantes do post-black metal português; e os talentosos Faemine, trazendo o melhor do metalcore nacional.
Continue a leitura para descobrir tudo o que aconteceu neste encerramento épico do festival.
FAEMINE

Pontualmente às 15:50, os Faemine subiram ao palco para abrir os trabalhos deste dia final com seu poderoso metalcore moderno. Mesmo sendo uma banda emergente na cena nacional, demonstraram maturidade de palco e uma confiança avassaladora. Recentemente lançaram seu primeiro EP, Alluvion, em abril deste ano, e já se mostram uma grande promessa do metal em Portugal.
Abriram o set com o single “Salvation”, e rapidamente a malta se aglomerava à frente do palco. E sim, mesmo sob um sol escaldante,o público respondeu à altura, entregando energia, moshs intensos, circle pits concentrados e muitos headbangings durante os breakdowns.
Faixas como “Broken Bones” e “Oceans Collide” encerraram a curta mas explosiva apresentação, com cerca de 30 minutos. A receção foi calorosa, com aplausos entusiasmados e rostos visivelmente satisfeitos, tanto na plateia quanto na banda. Era nítido o orgulho e a felicidade dos músicos por estarem ali, e quem acompanhava a cena sabia o peso desse momento.
Sem dúvida, quem já era fã saiu ainda mais encantado. E para quem os descobriu naquele instante, uma certeza: ganharam novos admiradores naquele palco. Portanto, desejamos toda sorte nessa trajetória, que promete muito!
GAEREA

Pontualmente às 16:40, subiam ao palco os aguardadíssimos GAEREA. Confesso que minha expectativa era alta — e foi plenamente superada. Com sua estética misteriosa, visual marcante e uma sonoridade densa e envolvente, é impossível ignorar o poder que esses músicos exercem no palco. Assistir ao Gaerea é como participar de um culto: intenso, cerimonial e devastador!
Vindos diretamente de uma tour como headliners pela Europa, o grupo regressava agora para mostrar o peso do seu black metal contemporâneo, tendo como base o seu mais recente trabalho, Coma. E logo nos primeiros instantes, sem enrolação, a apresentação explodiu com intensidade. Um show direto ao ponto, com brutalidade e técnica na medida certa, tudo em perfeita comunhão.
O visual do palco era um espetáculo à parte: projeções imersivas, fumaça e iluminação estratégica criavam uma atmosfera mística e ritualística. Abriram com a pesada e veloz “Hope Shatters” — minha favorita do set — e não demorou muito até que os mosh pits começassem a se formar, impulsionados por uma audiência completamente envolvida. Era impossível não sentir a magnitude sonora que se espalhava pelo estádio.
Na sequência, “World Ablaze” fez o público delirar ainda mais, com os primeiros crowdsurfings ganhando força. Faixas como “Salve” e “Laude” também vieram, esta última encerrando o espetáculo de forma arrebatadora. Mesmo encapuzado, o vocalista expressava emoção visível em cada gesto, chegando a se ajoelhar em meio à performance. Chegou a dizer que era especial o que estava acontecendo ali. E realmente era! A troca entre banda e plateia foi intensa, reverberando por cada canto do estádio.
Na reta final da atuação, veio também o anúncio surpresa que arrancou gritos e palmas: Gaerea retorna a Portugal para dois concertos em nome próprio — 4 de dezembro no Hard Club (Porto) e 5 de dezembro no LAV – Lisboa ao Vivo. Promessa de dois espetáculos que, sem dúvidas, serão ainda mais intensos, íntimos e impactantes.
A verdade é que os Gaerea se consolidaram, com méritos, como um dos maiores embaixadores do black metal português da atualidade. Sua passagem pelo Evil Live Festival 2025 não foi apenas uma performance: foi uma experiência sensorial completa, marcada por técnica apurada, entrega emocional e uma capacidade absurda de criar atmosferas imersivas, sufocantes e inesquecíveis. E sim, já estamos ansiosos pelas datas de dezembro. Não há como sair ileso depois de um encontro com os Gaerea!
ADEPT

Agora era a vez de uma boa surpresa do festival: os ADEPT! Anunciados de última hora, um dia antes do show, vieram para substituir os japoneses Crossfaith — e a escolha foi certeira. Ao trocar uma banda de metalcore por outra do mesmo estilo, o festival manteve a coerência da sua curadoria, e os suecos não deixaram nada a desejar. Muito pelo contrário: fizeram uma atuação pesada e contagiante.
Formada em 2004, a banda já carrega duas décadas de estrada, e foi essa bagagem que ficou evidente desde o primeiro segundo em palco. Abrindo com “Heaven”, já mostravam que não estavam ali para brincadeira. Pirotecnia e intensidade logo tomaram conta da cena, e sim, mesmo debaixo de um sol escaldante, não hesitaram em usar efeitos no palco. Chegaram a dizer que era “o show mais quente que já fizeram”.
A performance de Robert Ljung é um capítulo à parte. As transiçõesentre guturais agressivos e vocais limpos e melódicos são impecáveis. A cada troca de ritmo, o público respondia à altura: mosh pits se formavam, e os crowdsurfings pareciam não parar nunca.
Seguiram com faixas marcantes como “Carry the Weight”, “Secrets”, e a explosiva “Shark! Shark! Shark!”, onde Robert incitou a plateia a abrir um circle pit de respeito — e a malta, como um furacão, respondeu de forma feroz. Os breakdowns pesados faziam cabeças rolarem com intensidade, e a banda parecia absorver essa energia, devolvendo com ainda mais força no palco.
O setlist foi estrategicamente montado para escalar a adrenalina, indo para a reta final com “The Ivory Tower”, em um momento absolutamente caótico, seguido de “You”, até culminar em “At Least Give Me My Dreams Back, You Negligent Whore!”, onde tudo foi ao limite.
Em 45 minutos de show, os Adept não só entregaram um espetáculo técnico e potente, como também conquistaram o público português com muito suor, som e sinceridade. O que começou como uma substituição de última hora, se tornou uma performance memorável do terceiro dia de festival. Que venham mais momentos como esse, e que retornem logo a Portugal!
JINJER

Agora, na golden hour, era a vez do aguardado regresso de uma das maiores promessas do metal moderno atual: os gigantes JINJER, com a presença ilustríssima de Tatiana Shmayluk nos vocais. Bastou soar a primeira nota de “On the Top” para que o Estádio do Restelo fosse tomado por uma explosão de entusiasmo. Era insano ver o quanto o público estava ansioso por esse momento. O groove e o peso característicos da banda dominaram o ambiente com uma força magnética. Sabíamos ali que presenciaríamos um concerto inesquecível.
Após um breve cumprimento da frontwoman ucraniana, seguiram com uma sequência matadora: “Duél”, “Green Serpent” e “Fast Draw”, mostrando logo de cara o domínio técnico e criativo absurdo da banda. O baixo estrondoso de Eugene Kostyuk é uma parede sonora; a bateria de Vladislav Ulasevich é rítmica, precisa e cheia de peso; e a guitarra de Roman Ibramkhalilov é um fio cortante de riffs afiados. Todos esses elementos criam a base perfeita para o fenômeno que é Tatiana: uma vocalistaenergética, poderosa e absolutamente hipnótica no palco. Ela é o pacote completo, alternando com perfeição entre vocais guturais e limpos, dançando, comandando o palco com carisma, e provando, mais uma vez, por que está entre os grandes nomes do metal contemporâneo.
Foi uma performance difícil de apontar apenas um ponto alto, porque cada minuto foi uma celebração absoluta de entrega, intensidade e conexão com o público. Os crowdsurfings eram constantes, havia um circle pit poderoso no centro da pista, e mesmo os que estavam parados não estavam menos envolvidos: era um estado de contemplação absoluta, cantando cada verso, absorvendo cada batida, cada detalhe instrumental.
Vieram então os hinos: “Vortex”, “Teacher, Teacher!”, e “Judgement (& Punishment)”, todas recebidas com uma força impressionante da malta. A reta final manteve o nível de emoção nas alturas com “Hedonist” e “I Speak Astronomy”, sempre acompanhadas em coro por uma plateia emocionada e apaixonada. Em determinado momento, Tatiana, visivelmente comovida com a entrega do público, agradeceu em inglês, dizendo:“Portugal, you are one of the most beautiful people in the world.”
Na última fase do concerto, o alinhamento foi cirurgicamente perfeito: “Perennial”, “Someone’s Daughter” e, por fim, “Pisces”, a música que alçou os Jinjer a um patamar global, e que traz tudo aquilo que define o som da banda — peso, técnica, emoção, melodia e brutalidade em perfeita harmonia. O timing foi mágico: o pôr do sol ao fundo, o calor começando a dar trégua, e o céu em tons dourados pareciam selar o momento!
Antes da despedida, os Jinjer anunciaram seu regresso a Portugal no dia 6 de fevereiro de 2026, para um concerto único no LAV – Lisboa ao Vivo, o primeiro show em nome próprio na capital desde 2019.
E bastou esse anúncio para arrancar uma nova onda de entusiasmo da plateia, que vibrou com a promessa de reencontro.
Em resumo: o show dos Jinjer foi uma celebração de tudo que o metal moderno pode oferecer. Foi gigantesco, e provou que a banda está mais afiada, conectada e apaixonante do que nunca. E Portugal, claramente, também está pronto para mais!
FALLING IN REVERSE

Agora, com um público ainda em completo êxtase após a apresentação anterior e claramente incansável, sedento por mais, era chegada a hora dos FALLING IN REVERSE. O regresso da banda norte-americana a Portugal já era aguardado por uma base de fãs fiel e barulhenta — e não era pouca gente. Havia claramente muitas pessoas ali especificamente para ver Ronnie Radke e companhia.
E aqui já deixo claro: não sou uma grande fã, mas é impossível não reconhecer o poder de palco de Ronnie. Ele pode até ser uma figura que divide opiniões, mas no palco, ele domina, comanda, provoca, entretém, encanta e provoca de novo. Um mestre da performance com pose imponente, teatral, e vaidosa.
Os Falling In Reverse encerraram sua tour europeia com chave de ouro no Evil Live Festival, diante de uma audiência vibrante e calorosa, que mais uma vez deixou evidente o crescimento da base de fãs da banda por cá — algo que já havia sido demonstrado quando esgotaram o Campo Pequeno meses antes.
Às 20:23, ecoava no som mecânico “Highway to Hell” dos AC/DC, enquanto no telão víamos Ronnie a passear calmamente pelo pit. Era quase uma provocação cinematográfica, e a malta o seguia com os olhos, tentando vislumbrar sua entrada triunfal. Após três minutos de suspense, ele sobe ao palco com a banda e inicia “Prequel”, com sua típica dramaticidade, misturando rap e interpretação intensa. Aqui, já dava para perceber que sua voz estava majoritariamente em VS, mas ainda assim o impacto emocional era real, criando o clima certo para o caos que se seguiria.
Logo em seguida, “Zombified” estoura e o estádio vira um campo de batalha sonoro: crowdsurfings, saltos, coros gritados, circle pits explosivos, tudo à flor da pele. Na sequência, hits como “I’m Not a Vampire” e “Fuck You and All Your Friends” incendiaram ainda mais o público. Ronnie mantinha interações constantes com a malta, sempre entre humor ácido, teatralidade e provocações típicas do seu estilo.
Mostrando sua versatilidade e a sonoridade híbrida da banda, que vai do metalcore ao trap, do deathcore ao pop, seguiram com “Bad Guy” — com um coro maciço no refrão —, “Losing My Mind”, “The Drug in Me Is You” e “Just Like You”, onde Radke lançou:“Put your hands up if you are an asshole!”… e o público respondeu com entusiasmo e mãos ao alto.
Após esse bloco, Ronnie despediu-se rapidamente com um tchauzinho, mas sabíamos que o concerto estava longe de seu fim. Logo, ele e o baixista reaparecem em performance de backstage, transmitida pelo telão, com “NO FEAR”, em um dueto de rap que levou ao delírio os fãs da grade no lado direito do estádio.
Retornando ao palco, entraram em um momento mais denso e dramático com “God Is a Weapon”, uma quase balada carregada de peso emocional, com imagens de Marilyn Manson no telão. Um clímax tenso, sombrio e impactante.
A reta final veio como uma avalanche: “All My Life” trouxe uma vibe mais pop, “Popular Monster” levou o público ao delírio com Radke pedindo luzes de telemóveis, e “Voices in My Head” manteve a explosão. “Ronald”, com participação em off de Alex Terrible, foi um dos pontos mais insanos da noite, em puro caos sonoro e visual!
Fecharam o set com “Watch the World Burn”, levando a energia ao auge absoluto. O público estava completamente rendido!
O mais impressionante? Mesmo quem não é fã confesso (como eu), sai do show admirando a entrega, a performance e a conexão genuína que a banda estabelece com seus seguidores. A técnica dos músicos é afiada, mas o fator Ronnie Radke é, de longe, o coração do espetáculo. E é justamente essa intensidade que garante o lugar dos Falling In Reverse entre os gigantes do rock moderno. Foi, sem dúvida, um dos shows mais intensos do festival!
SLIPKNOT

O Evil Live Festival 2025 teve o seu momento culminante com aquele que foi, sem sombra de dúvidas, o concerto mais aguardado de todo o fim de semana. Coube aos SLIPKNOT a missão de fechar a edição deste ano com o caos mais memorável possível — e não poderiam haver mestres de cerimónia mais apropriados para esse apocalipse final!
A banda foi responsável por atrair o maior público dos três dias de festival, e embora estivessem programados para subir ao palco às 22h15, um atraso de cerca de 15 minutos só aumentou a ansiedade de uma multidão, atenta a cada movimento no palco. Bastava uma luz acender ou algum roadie surgir para causar alvoroço.
O som mecânico solta “742617000027”, e como que num ritual, o público já se posicionava com círculos se abrindo nos cantos do estádio, prontos para implantar os primeiros circle pits desenfreados. E não deu outra: “(sic)” foi a largada oficial e a plateia virou um campo de batalha. Não importava onde você estava — fomos todos arremessados de um lado a outro numa euforia visceral, pois não há como conter a felicidade diante de um nome tão gigantesco.
Comemorando 25 anos do álbum de estreia, o setlist equilibrou clássicos brutais com temas mais recentes, mantendo uma intensidade destruidora. A sequência inicial com “People = Shit” foi insana. Após essa, Corey Taylor, com sua postura firme e carismática, parou para conversar com o público, introduzindo “Gematria (The Killing Name)”, nunca antes tocada em Portugal. Também aproveitou para explicar a ausência de Shawn Crahan (Clown), que teve de cuidar de questões familiares, gerando respeito e compreensão do público português.
A presença da banda é uma avalanche. É uma força que vem de dentro pra fora, intensa, imponente, gigantesca. Como mencionei sobre os Korn, é incrível testemunhar bandas que moldaram minha geração tornarem-se clássicos absolutos. Slipknot, confesso, nunca foi uma paixão antiga minha — mas nos últimos anos passei a prestar mais atenção, e ao vivo é impossível não se render. Eles são uma entidade. Uma força absurda. E agora, com o talento absurdo de Eloy Casagrande na bateria, o impacto é elevado a um novo patamar. Ver um brasileiro somar com tanta excelência é emocionante!
Seguiram com “Wait and Bleed”, “Nero Forte”, “Yen”, e a épica “Psychosocial”, que levou o estádio a um ponto crítico, com coros arrepiantes e um circle pit quase eterno. Em “Tattered & Torn”, Sid Wilson teve seu momento de brilho com um remix, enquanto o público observava hipnotizado. “The Heretic Anthem” chegou com Corey gritando “If you’re 555”, e o estádio inteiro devolvendo “then I’m 666”.
A fase final antes do encore foi entregue com três hinos: “The Devil in I”, “Unsainted” e “Duality”, que incendiaram tudo. A multidão respondia com intensidade, mesmo depois de três dias de festival. Quando as luzes se apagaram, sabíamos que não seria o fim!
Com as luzes brevemente apagadas, a banda retorna para o encore, e Corey surge para uma última conversa emocionada com a malta. Agradeceu a todas as bandas do cartaz, à organização e, principalmente, aos fãs, por mantermos viva a chama. Foi um daqueles momentos raros de silêncio absoluto em festivais, onde o respeito falava mais alto do que o barulho. Reforçou que somos todos uma grande família para ele. Corey é isso: intensidade e ternura, mesmo por trás da máscara!
O encore começou com “Spit It Out”, colocou novamente o estádio abaixo. Saltos, gritos, rodas, crowdsurfings — a entrega era total, como se ninguém tivesse passado por três dias seguidos sob calor escaldante. A malta parecia incansável, movida pela paixão crua.
Encerraram com “Surfacing”, culminando com a visceral “Scissors”, em que Eloy Casagrande nos brindou com uma performance de tirar o fôlego. Técnica, brutalidade e emoção. Um verdadeiro espetáculo!
Só uma potência do tamanho dos Slipknot conseguiria esgotar bilhetes e preencher o Estádio do Restelo. Eles mostraram por que ainda são, incontestavelmente, uma das maiores bandas da atualidade. É impossível não sentir orgulho por termos presenciado um concerto tão icônico, onde ficou provado que nenhum cansaço físico é capaz de parar um coração que bate por amor ao metal.
E assim termina um festival intenso de 3 dias. Tudo aconteceu da melhor forma, com organização exemplar e muito orgulho. O Evil Live Festival 2025 vai continuar a ser comentado até a próxima edição. E já estamos com a ansiedade a mil para saber o que nos espera no ano que vem.
Mais uma vez, fica aqui o nosso sincero agradecimento à Prime Artists — por todo o suporte, colaboração e por fazerem tudo isso acontecer.
ATÉ O ANO QUE VEM!


