No último domingo, a sala 2 do LAV – Lisboa Ao Vivo pegou fogo com duas presenças de peso: os gigantes I AM MORBID — projeto que homenageia o legado da lendária Morbid Angel — com o suporte dos portugueses Godiva, que estrearam ao vivo a nova baterista italiana Gemma Salvatori em território nacional. A receita perfeita para um domingo perfeito!

Formados por ninguém menos que David Vincent e Pete “Commando” Sandoval, dois pilares dos Morbid Angel, os I Am Morbid trouxeram um show especial que celebrou os 30 anos do álbum Domination — clássico absoluto que ajudou a moldar o metal extremo — com um setlist recheado de hinos brutais, mostrando que o Death Metal Old School está mais vivo do que nunca.

Um evento sensacional promovido pela Produções Ilustres. Continue lendo para saber tudo o que rolou nessa noite insana!

GODIVA

Godiva @ LAV - Lisboa Ao Vivo 15/06/2025 | Photos by @lannakeifer & @culturaempeso
Godiva @ LAV – Lisboa Ao Vivo 15/06/2025 | Photos by @lannakeifer & @culturaempeso

Para dar a largada nesta noite de puro caos, às 20h54 ouviu-se a intro para a entrada dos GODIVA, trazendo o peso do seu Melodic Death Metal com nuances góticas, numa fase ainda de promoção do álbum Hubris (2023).

A abertura com “Faceless” já chegou energética, embora o vocal estivesse inicialmente um pouco baixo — mas isso foi rapidamente corrigido. O set seguiu com “Death Of Icarus” e “Hollow Within”, enquanto Pedro Faria (vocal) e André Matos (guitarra e orquestrações) mantinham o público por perto com interações como sempre simpáticas e animadas, perguntando entre as faixas se a malta já estava cansada — ao que se ouviam risadas e tímidos “não!” vindo da plateia.

Seguiram com faixas como “The Meaning Of Life”, “Empty Coil”, e as favoritas “Media God” e “Superbeast”.

O concerto terminou por volta das 21h45, com a banda demonstrando sua habitual presença de palco — visual marcante, atmosfera intensa e uma performance tecnicamente impecável. Não é fácil abrir para os I AM MORBID, mas os Godiva o fizeram com competência e carisma!

Vale um enorme destaque para a estreia nacional de Gemma Sofia Salvatori na bateria. Sua performance foi poderosa, firme e cheia de personalidade. Mostrou domínio absoluto do instrumento e trouxe uma vibração única ao palco. Uma adição fortíssima à formação da banda, que promete ainda mais destaques nessa nova fase. Que venham os próximos capítulos e muito sucesso à banda!

I AM MORBID

I Am Morbid @ LAV - Lisboa Ao Vivo 15/06/2025 | Photos by @lannakeifer & @culturaempeso
I Am Morbid @ LAV – Lisboa Ao Vivo 15/06/2025 | Photos by @lannakeifer & @culturaempeso

Após a abertura, e com a sala agora ainda mais cheia, chegou o tão aguardado momento: a entrada dos gigantes I AM MORBID ao palco do LAV – Lisboa Ao Vivo. O início estava marcado para as 22h, mas um pequeno atraso fez com que as luzes se apagassem somente às 22h13 — e a ansiedade só aumentava. Enquanto rolava no som mecânico “Kings of Metal”, dos Manowar, o público já cantava junto, aplaudindo e aquecendo o clima para o que viria. Às 22h17, a banda sobe ao palco e, dali em diante, foi o caos absoluto!

Comemorando os 30 anos do álbum Domination, dois dos maiores clássicos indiscutíveis e atemporais do Death Metal abriram o setlist: “Dominate” e “Where The Slime Live”, mantendo a mesma ordem da obra original. E ali estava, sem filtro, todo o poder visceral do metal extremo técnico e clássico — como o próprio David Vincent costuma afirmar, é um sentimento que só o verdadeiro old school é capaz de provocar. Um calor de alma que não se explica, só se sente.

As letras eram cantadas do início ao fim, com uma devoção genuína dos fãs. Em poucos segundos, os inevitáveis mosh pits começaram a explodir. O som estava impecável, limpo, coeso, sem falhas. Além das lendas Dave e Pete, é impossível não destacar a dupla de guitarristas: Bill Hudson e Richie Brown, que estavam absolutamente à altura da tarefa. Hudson, em especial, tem um carisma avassalador — ele e sua guitarra parecem um só corpo, dominando o palco com solos e performances arrebatadoras. Dave, com sua presença imponente, era pura autoridade; e Pete, como sempre, um verdadeiro monstro da bateria. O conjunto é realmente perfeito!

Antes de seguirem o set, Pete parou para conversar com o público e disse o quão feliz e orgulhoso estava. A resposta da plateia foi entusiástica, como não podia deixar de ser. Logo em seguida, “Dawn of the Angry” fez o circle pit crescer ainda mais. Um solo destruidor tomou conta da sala na sequência, com Bill assumindo a dianteira, depois dividindo com Richie — enquanto Dave, lá ao fundo, observava com admiração visível.

A sequência seguiu com “Fall From Grace” e “Blessed Are the Sick”, ambas do álbum de 1991. E foi aí que os crowd surfings começaram a dominar, com fãs atravessando a multidão até o pit. Vale aqui um alerta: a área do pit parecia mais apertada do que o usual. Alguns fãs, ao caírem naquele setor, mal conseguiam sair, e até os fotógrafos foram atingidos. O momento mais delicado aconteceu quando um fã caiu de forma errada, sem ser aparado pelos seguranças, e ficou estirado no chão por alguns minutos, enquanto o show seguia. Mas logo o mesmo se levantou, e como se nada houvesse acontecido, voltou ao caos da plateia!

Seguiram então com os hinos “Immortal Rites”, “Maze of Torment” e “Visions From the Dark Side”, diretamente do icônico Altars Of Madness (1989), antes de retornarem a Domination com a densa e poderosa “Eyes to See, Ears to Hear”. Antes de tocar, Dave pediu para todos levantarem os dedos do meio — e o público obedeceu com entusiasmo e irreverência.

E então, um dos momentos mais marcantes da noite: Dave avistou, no meio da multidão, um garoto nos ombros do pai (presumo). Durante o show inteiro, o menino esteve ali, vibrando com cada música. Dave o chamou ao palco, e ele subiu com orgulho. Em um breve bate-papo, o menino revelou ter apenas 8 anos de idade. Foi de arrepiar. Ver sangue novo com tamanha devoção ao som old school é uma felicidade gigante. Para completar, Pete entregou-lhe uma baqueta pessoalmente. Um momento inesquecível que comoveu todos no recinto.

Seguiram com “Rapture” e “Pain Divine”, representando o poderoso Covenant de 1993, e encerraram a primeira parte do espetáculo com “Chapel of Ghouls”. Dave, então, fez questão de apresentar os membros da banda, esbanjando sua simpatia, e ainda tivemos Hudson fazendo uma palhinha com um riff dos Mamonas Assassinas, homenageando o Brasil — sua terra natal, e também a minha. Um momento especial, divertido e cheio de significado.

Para fechar a noite com chave de ouro, nos reservaram a ritualística “God of Emptiness” e a brutal “World of Shit (The Promised Land)”. Final em êxtase, com o público completamente entregue, muitos aplausos e reverências emocionadas.

A chama do Death Metal Old School continua acesa, e o legado do Morbid Angel segue inabalável. E esta foi uma noite que vai ficar na memória!

SETLIST: 1. Dominate! | 2. Where the Slime Live | 3. Dawn of the Angry | 4. Guitar Tease | 5. Fall From Grace | 6. Blessed Are the Sick | 7. Immortal Rites | 8. Maze of Torment | 9. Visions From the Dark Side | 10. Eyes to See, Ears to Hear | 11. Rapture | 12. Pain Divine | 13. Chapel of Ghouls | 14. God of Emptiness | 15. World of Shit (The Promised Land)

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