Chegamos ao segundo dia do Milagre Metaleiro Open Air 2025, dia esse encabeçado pelos escoceses Alestorm, acompanhado de grandes nomes como Nervosa e Vision Divine, e portanto esperava-se um dia de pura diversão e festa!

Após um primeiro dia de verdadeira comunhão e boa música, chegamos agora ao dia 2. Se o primeiro já prometia ser épico com nomes como Ensiferum, Fabio Lione, Disaffected e muitos mais, o segundo não ficava nada atrás!

Ainda era cedo quando se começou a ver movimento na pacata aldeia de Pindelo dos Milagres e o festival começou bem antes da abertura de portas. Com música no campismo, muito convívio e espírito familiar, tal como já é habitual deste festival.

PRAETOR- Palco 1

Num segundo dia bastante quente, mais uma vez o público mostrou-se bastante resistente a esse facto, e ainda “cedo”, num dia que se previa longo, criaram uma boa moldura humana para assistir aos Luxemburgueses Praetor.

Estes responderam de forma perentória com uma entrada rompante e sem dar tempo de preparação com um Thrash Metal muito enraivecido e de pé no acelerador, numa simbiose muito boa entre o old school e o moderno. Claro que não faltaram as grandes referências ao que de melhor se faz nesse gênero. Os fãs de SlayerKreatorMetallica mais antigo, com certeza que regozijaram com a performance destes luxemburgueses. De referir que o timbre rouco do vocalista dos Praetor tem sangue luso, de seu nome Hugo Nogueira Centeno, um exemplo de que onde vamos, levamos qualidade.

Ainda foram a tempo de uma cover de Master of Puppets e criaram uma verdadeira “Spiral Of Addiction” no público. Foi uma abertura cheia de energia deste dia e na estreia do Palco 1.

Praetor, por @edgar_silva_fotografia

BRONZE- Palco 2

E passamos de um Trash Metal para um Heavy Metal cheio de energia e melodia.

Estes Bronze são uma banda com um membro já conhecido na cena Heavy, de seu nome Cederick Forsberg membro dos Blazon Stone, e junta-se aqui a dois irmãos de seu nome LapMina Walkure, nossos vizinhos geográficos e com uma qualidade imensa, principalmente Mina, com uma presença de palco devastadora e dona de uma voz com grande alcance e com um timbre rasgado que lhe dá uma crueza selvagens e rebeldia àquele Heavy Metal rápido.

De realçar ainda a grande qualidade já reconhecida de Cederick mas é sempre impressionante a velocidade que ele aplica na sua técnica de solar.

Esta banda agarrou o público pelo colarinho e não deixou ninguém ficar parado, de tal forma que criaram um mar de punhos no ar como se de uma prece aos deuses do Metal se trata-se.

Para banda com apenas um álbum de estúdio, foi uma atuação de extrema qualidade e não deram descanso ao público.

Bronze, por @madness_by_nuno_reis

GODARK- Palco 1

Estes 6 rapazes de Penafiel subiram ao Palco 1 com uma tarefa: manter o público com os mesmos níveis de energia que estavam depois de um excelente trabalho feito pelos PraetorBronze. Uma tarefa difícil, visto que ainda estava bastante calor naquela tarde em Pindelo dos Milagres e no dia 2 já se começa a sentir um pequeno cansaço. Mas tocados os primeiros acordes e essa tarefa já se tornara fácil para esta banda de Death Metal melódico.

Sempre com uma presença pujante, altamente emotiva e simbiótica com o público, foi perceptível a resposta enorme que os espectadores deram com Mosh Pits, Crowd surfing, Circle pits e nem um minuto sem Headbanging.

Tudo isto com a surpresa de os Godark nos terem presenteado com quatro novas músicas, que farão parte do próximo álbum de estúdio, ainda sem data de lançamento, mas certamente para breve, pelo excelente nível que estas músicas já apresentam.

Se o Milagre Metaleiro 2025 serviu de teste para as novas músicas, eles tiveram nota máxima, tal foi a forma que o público as recebeu. Mais uma vez, estes 6 senhores provaram ser uma das mais promissoras forças do death metal melódico em portugal.

Agora resta esperar por novidades mas já abriram bastante o apetite para o que aí virá.

Godark, por @edgar_silva_fotografia

APHONNIC- Palco 2

Free palestine” no fundo do palco… Já se fez prever o que aí vinha: uma banda cheia de energia e com uma mensagem forte mas nunca se esperaria que seria algo tão potente, tanto que pôs toda a gente a saltar com as suas malhas.

Estes galegos de Vigo fazem uma mistura de Metalcore, Metal alternativo, Hard Rock moderno e Nu Metal tão bem feita que soam super refrescantes e principalmente a eles mesmo, até por cantarem na sua língua mãe.

Cheios de melodias orelhudas e refrões radiofriendly, com samples e teclados a criarem uma toada muito moderna, foram uma banda fora da caixa no que a este cartaz diz respeito, mas claramente super bem aceites. Viu-se de tudo: pessoas a dançar, a cantar, a abanar a cabeça… impossível era estar parado.

Para mim, foi uma enorme surpresa e é certamente uma banda a ter em conta, até porque há muito a conhecer destes Aphonnic, já contam com 7 álbuns de estúdio e claramente muita experiência de palco.

Aphonnic, por @madness_by_nuno_reis

BLAZON STONE- Palco 1

De volta ao Palco 1 e já final de tarde, com os suecos Blazon Stone para nos darem mais uma carga de energia com o seu Heavy/Power/Speed Metal e como já se sabe, vindo da Suécia é sempre com selo de qualidade, pelo menos no que ao Metal diz respeito.

E aqui, notou-se uma cara repetida, Cederick Forsberg que já tinha pisado um palco do Milagre Metaleiro, não o Palco 1 mas sim o Palco 2 com os Bronze. Aqui volta a dar uma demonstração de velocidade e técnica mas agora nos seus Blazon Stone.

Estes, com muita mais experiência de palco e isso deu-lhes uma capacidade eximia de lidar com o público, nunca deixando sossegar nem um pouco aquela multidão que até momento (fora os intervalos entre bandas) não tinha tido nem um pouco de descanso. Só nos servia a cerveja para dar um pouco de refresco e limpar a garganta do pó que se levantava de tanta cavalgada.

E estes senhores foram mesmo os senhores das cavalgadas. As suas músicas não deixam mesmo abrandar e fazem soltar o guerreiro que há em nós, levantar o punho e ir para o pit.

Com os Blazon Stone pôs-se a noite, mas acreditem, a temperatura não baixou, muito menos o ritmo. Tiveram a capacidade de pôr vozes ainda mais roucas e pescoços mais doridos. Não se pode pedir mais da uma banda de Metal. E o festim continuou.

Blazon Stone, por @edgar_silva_fotografia

TARANTULA- Palco 2

É sempre difícil escrever sobre uma performance dos Tarantula, pois estes senhores já andam nisto e ainda a maioria do público ainda nem existia ou tão pouco estava familiarizado com o estilo. Mas naquela jovem noite em Pindelo dos Milagres, os pais do Heavy Metal português, emanam uma classe imensa em palco. Eles já nem necessitavam de ser tão bons executantes, ou até mesmo tão expressivos com o público, pois sente-se a aura que dificilmente muito poucas bandas conseguirão sequer chegar perto.

Mas depois de 40 anos de carreira, acho que até se torna um pouco natural existir esse estatuto e respeito. Ver este quarteto portuense subir ao palco com tal profissionalismo, humildade e ao mesmo tempo vontade de tocar é mesmo impressionante e de louvar. São e serão sempre uns senhores.

Fora isso, não faltaram os riffs típicos, os seus hinos e as suas melodias orelhudas. Parece simples mas só com mestria é que se atinge esta qualidade.

Tarantula, por @madness_by_nuno_reis

NERVOSA- Palco 1

Era a vez de Nervosa se apresentam e de forma agressiva. As deusas do thrash/death metal que contam já com 14 anos história, destruíram o palco numa atuação completamente feroz pulverizando tudo e todos. A banda multinacional feminina composta atualmente por elementos oriundos do Brasil e Grécia, apresentasse como um quarteto infernal com a sua fusão do death e thrash metal. A deslumbrante diva satânica e fundadora da banda Prika Amaral apresentou uma performance vocal sempre de toada raivosa, com o suporte das guitarras rápidas da talentosa Helena Kotina e precursões aceleradas de Gabriela Abud. 

A cada vez que Nervosa vem a Portugal angariam mais um pouco o amor do público português. Aquele Trash/Death é muito valorizado por estas terras e com concertos como este no Milagre Metaleiro entende-se bem o porquê. O melhor elogio é dizer que foi uma performance imaculada e de volta à velocidade supersônica depois de um abrandamento com os Tarantula. Mais uma banda para nos deixar de rastos.

Nervosa, por @edgar_silva_fotografia

VISION DIVINE- Palco 2

De volta ao Palco 2, com os italianos Vision Divine, os segundos desta edição de 2025 do Milagre Metaleiro depois de Fabio Leone com os seus companheiros Dawn Of Victory, e também com um Power Metal cheio de melodia mas numa vertente muito mais Prog.

Vinte e cinco anos nas pernas e nove anos de estúdio são mostrados em cima de palco com uma demonstração de experiência, grandiosidade e versatilidade, que só estes senhores são capazes de fazer.

É impressionante como os cantores italianos são tão líricos e interpretativos e entregam completamente a alma nas suas interpretações, tal como Fabio LeoneMichele Lupi eleva o Metal a um nível operático, que com a dicotomia entre melodias e demonstrações técnicas super progressivas, criou uma atmosférica epopeica a esta atuação.

Apesar de não ter sido sempre de pé no acelerador, tornou-se uma viagem exaustiva de tantos picos de intensidade emotiva ter tido. Brilhante!

Vision Divine, por @madness_by_nuno_reis

ALESTORM- Palco 1

E assim chega o momento da noite, uma introdução com a musica “Tequila” dos The Champs, indica logo para o que vamos e apesar da gargalhada geral, sentia-se o sangue a correr nas vias de tanta ansiedade. Quando se sabe que a festa vai ser dura, qualquer pessoa sente um formigueiro na barriga, de repente, os escoceses Alestorm sobem ao palco e o resto é loucura total.

A festa pirata começa, a banda é figurativamente engolida pelo público e o resto é só para quem lá esteve, porque por muito que eu tente, não há palavras para descrever o que se passou naquela noite. Pode parecer cliché mas foi a loucura total.

Nunca a vida no mar foi tão divertida, com boa música, animação, mulheres e “algum” álcool á mistura…   e talvez um pouco de zombies, por mais estranho que possa parecer. Por entre as dezenas de hinos que estes escoceses têm, Zombies Ate My Pirate Ship, Drink, Alestorm e P.A.R.T.Y não poderiam faltar e foram cantados em uníssono de punho no ar por praticamente todos os presentes.

Não faltaram danças, brindes e mosh pits, até musicas dedicadas a alcóolatras (Taio Cruz ft. Flo Rida – Hangover), uma música que “infelizmente” muita gente conhece, e claro, todo o bêbedo sabe que a ressaca é o melhor das noites com muito álcool.

Não houve nem um momento de descanso. Se o dia tinha sido desgastante, o “pior” ficou para o fim.

Depois de tanta festa, uma enorme demonstração de humildade, com o senhor Christopher Bowes, a descer ao público e estar largos minutos em confraternização, afinal os piratas também têm valores, e fica a imagem de enorme simplicidade e dedicação aos seus fãs. Uma verdadeira festa onde o humor foi rei, porque o metaleiro também se sabe divertir!

Alestorm, por @edgar_silva_fotografia

ANZV- Palco 2

A hora já ia bastante avançada mas o público manteve-se fiel até ao fim, para ver um dos maiores grupos de música extrema português. Viagem à suméria, num ambiente escuro e árido, onde Anzv mais uma vez, levaram-nos num ecstasy coletivo, com faixas para contemplar de olhos fechados e que nos dominam a até ao tutano.

Neste concerto, à semelhança daquilo que se sentiu no novo álbum, foi quase palpável o crescimento exponencial da performance do vocalista e do baterista. Quando parecia que não dava para melhorar mais nada, surpresa!

Ahnum é um monstro de palco, fica difícil tirar os olhos daquela figura “pseudo-humana”, enquanto aquela parede de Black Metal mesopotâmio se alastra como se se tratasse do despontar de uma tempestade desértica criada por ele mesmo com a ajuda dos outros membros da banda.

O pessoal estava notavelmente cansado. Era impossível enganar. Mas ANZV conseguiram desencadear uns resquícios de energia em cada um de nós e durante aqueles minutos não havia cansaço, só havíamos nós e a música.

Um final monstruoso e sem dó, até pela mudança drástica de uma “beach party” dos Alestorm para uma viagem as profundezas horripilantes de KÚR – o submundo da mesopotâmia.

Mas o Metal é assim, não tem limites. Assim como o potencial deste grupo portuense que após o lançamento do seu último álbum, se prepara para ultrapassar muitas fronteiras.

ANZ, por @madness_by_nuno_reis

O segundo dia subiu de tom com os piratas explosivos, os Alestorm no comando, que espalharam cerveja, caos e gargalhadas metálicas como só eles sabem fazer. Nervosa puseram tudo a ferver com o seu thrash feminino impetuoso. ANZV trouxeram a suméria até nós enquanto GODARK provaram mais uma vez ser um dos grupos de melodic death metal mais promissores em Portugal. Praetor, Bronze, Aphonic, Tarantula e Vision Divine, com riffs de aço e urgência visceral, maravilharam-nos em cada uma das suas artes.

A multidão vibrou entre o épico, o técnico e o folclórico: foi suor, uníssono e comunhão pura. Em Pindelo dos Milagres, a sexta-feira foi um convite irreversível à celebração ruidosa do metal vivido com alma.

Agora resta repor energias para o terceiro dia que se avizinhava ser tão, ou ainda mais memorável!

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