Chegamos ao último dia do Sonic Blast Fest 2025. Desde a abertura, o recinto já estava mais cheio que nos dias anteriores, prometendo um dia agitado e memorável.
Ao contrário das tardes anteriores, marcadas pelo nevoeiro, o terceiro dia foi agraciado por um sol intenso e um clima perfeito para celebrar rock, stoner, doom, psych e metal na Praia da Duna dos Caldeirões.
Depois de um primeiro dia mais pesado e de um segundo mais voltado à introspeção e psicadelia, o Dia 3 trouxe pura energia, misturando todas essas sonoridades em doses perfeitas, e ainda mais.
Continue lendo para ficar por dentro de tudo o que rolou!
MESSA

Iniciamos o último dia de festival de forma diferente: às 15h30, no Stage 1, uma multidão já se reunia debaixo de muito sol para assistir os italianos MESSA.
Com seu autodenominado Scarlet Doom, o grupo evocou uma atmosfera carregada, ritualística e emocional, fundindo doom metal, progressive rock, blues e dark ambient em uma apresentação hipnótica. A voz de Sara Bianchin, poderosa e envolvente, arrepiava a cada verso.
O setlist focou no novo álbum The Spin (abril/2025), com faixas como “Fire on the Roof”, “At Races” e “The Dress”, além de apenas uma música de fora do disco, “Rubedo”, do álbum Close (2022).
Foi um concerto intenso, contemplativo e marcante, com cabeças rolando lentamente e uma energia ritualística que inaugurou o dia em grande estilo!
THE ATOMIC BITCHWAX

Abrindo o Stage 2 às 16h30, foi a vez do veterano trio The Atomic Bitchwax, diretamente de New Jersey, incendiar o recinto com o seu inconfundível “thunder-boogie”, uma mistura explosiva de stoner rock, hard rock e riff rock setentista, tudo carregado de grooves psicadélicos numa performance muito animada.
Com um rock and roll de primeira, a banda fez o público dançar, cantar em coro e levantar punhos sem parar.
O setlist trouxe faixas poderosas como “The Giant”, “Forty-Five”, “War Claw”, “So Come On”, “Liv a Little”, fechando em grande com a aclamada “Shake It Up”.
Foi um concerto cheio de respeito e entrega, mostrando a solidez de quem já percorreu anos de estrada. The Atomic Bitchwax provaram mais uma vez por que são considerados uma das grandes instituições do stoner/hard rock moderno!
KING BUFFALO

De volta ao Stage 1, às 17h35, uma multidão já aguardava ansiosamente pelos King Buffalo, power trio de Nova Iorque que tem conquistado cada vez mais espaço com seu heavy psych envolvente.
A sonoridade da banda é uma fusão hipnótica de psych rock, stoner rock e blues psicadélico, marcada por grooves densos, texturas espaciais e uma dinâmica poderosa. Com coesão instrumental impecável, o grupo constrói atmosferas que parecem envolver e carregar o público para outra dimensão.
Com sete álbuns de estúdio já lançados, incluindo o mais recente Live at Freak Valley (2025), o concerto abriu com “Mercury”, colocando imediatamente a malta em transe, com cabeças a rolar lentamente. O setlist ainda trouxe sucessos como “Grifter” e “Burning”, que animaram ainda mais a plateia.
Cada detalhe brilhou: os vocais, os riffs de guitarra, o baixo pulsante e a bateria densa. Tudo estava perfeitamente alinhado, resultando num show cativante, técnico e arrebatador, trazendo toda a potência do trio, que já se faz bastante reconhecido e querido por onde passa. É daqueles concertos que ficam marcados na memória!
DEAD GHOSTS

Às 18h45, no Stage 2, foi a vez dos Dead Ghosts, quarteto vindo de Vancouver, incendiar o público com o seu garage rock que mistura rockabilly, punk, lo-fi e uma camada deliciosa de psicadelia.
A sonoridade crua e dançante da banda parecia transportar-nos para diferentes cenários: ora um filme clássico como Grease, ora uma tarde ensolarada à beira-mar. Simplesmente perfeito para o clima do Sonic Blast naquele fim de tarde ensolarado.
No palco, a riqueza instrumental impressionava: guitarras carregadas de fuzz, baixo groovado, bateria quase tribal, teclados psicadélicos, e o saxofone com nuances de free jazz. Tudo isso transportava para alguma janela dos anos 60.
O setlist foi animado e recheado de energia, passando por hits como “Headed Home”, “Can’t Get No” e “When It Comes to You”, além de um cover de “World on a String”, de Neil Young. Um concerto leve, divertido e contagiante!
MONOLORD

Às 19h55, o Stage 1 tornou-se pequeno para a multidão que aguardava ansiosa pelos suecos Monolord, um dos nomes mais aguardados do dia. Inclusive, em conversa com o público no dia anterior, muitos expressaram a vontade de vê-los.
O trio de doom metal, stoner e sludge já soma mais de uma década de estrada e voltou ao Sonic Blast Fest pela terceira vez, mostrando mais uma vez porque é uma das bandas mais queridas do público.
Sob o cenário perfeito do pôr do sol, o peso arrastado dos riffs densos encontrou o fundo alaranjado do céu, criando uma atmosfera tão bela quanto esmagadora. O setlist trouxe hinos como “Rust”, “Audhumbla”, “Empress Rising” e “The Last Leaf”, cada um deles transformando o recinto numa massa sincronizada de cabeças balançando e punhos erguidos.
O som característico da banda, com riffs drone poderosos, baixo subterrâneo e vocais ecoados, criou uma hipnose coletiva, levando a plateia a uma experiência quase transcendental. Para mim, que os vi pela primeira vez, ficou claro por que eram tão aguardados: foi um concerto gigante, autêntico, sentimental e memorável. Foi gigante e autêntico!
PATRIARCHY

No Stage 2, a partir das 21h10, o festival ganhou uma guinada com a presença do duo de Los Angeles, os Patriarchy. Se até então o dia havia sido marcado por stoner, doom e garage rock, aqui a atmosfera mudou completamente para uma rave dark: sombria, hipnótica e provocativa.
À frente, Actually Huizenga comandava a performance com sua presença magnética, misturando teatralidade e uma aura de fetichismo. A sonoridade da banda é uma costura ousada de industrial, darkwave e synths eletrônicos pesados, que se unem à percussão e criam um espetáculo denso e imersivo.
Com discos como Asking For It (2019), The Unself (2022) e Forcefully Rearraged (2023), a banda aproveitou para falar do novo álbum Manual for Dying, com lançamento previsto para setembro. O público vibrou, dançou e se deixou levar pelos batimentos graves e pelas camadas eletrônicas, cada um no seu próprio transe.
No final, o duo agradeceu emocionado por encerrar uma tour especial ali, no Sonic Blast Fest, deixando claro que aquela noite tinha sido única para eles e para a malta presente.
CIRCLE JERKS

Às 22h05, o Stage 1 recebeu uma verdadeira lenda do hardcore punk: os Circle Jerks. Formados em 1979 na Califórnia, a banda é um dos pilares do movimento punk dos anos 80, e a expectativa era enorme! Quando Keith Morris subiu ao palco, logo mostrou sua simpatia, conversando com o público entre músicas e lembrando a todos porque o nome Circle Jerks carrega tanto peso histórico.
O setlist foi simplesmente arrasador: 29 músicas, resgatando os clássicos dos anos 80, principalmente do seminal Group Sex (1980). Soaram hinos como “Deny Everything”, “Beverly Hills”, “Don’t Care”, “Live Fast Die Young”, “Wild in the Streets”, “World Up My Ass” e “Back Against the Wall”, além de covers como “I, I & I” dos The Flesh Eaters e “Depression” dos Black Flag.
A energia foi absurda: mosh pits concentrados e crowdsurfings incessantes transformaram o recinto num campo de pura anarquia, deixando os seguranças em alerta constante. Era a catarse que todos esperavam, um prato cheio para os punks e fãs de hardcore.
Entre as músicas, Morris trouxe reflexões: falou do punk de Los Angeles como movimento histórico, citou diversas bandas fundamentais, fez críticas contundentes ao governo dos EUA e a Donald Trump, chegando até a “se desculpar” pelo estado atual de seu país. O público respondia com aplausos e gritos, absorvendo cada palavra!
O encerramento veio com “Question Authority”, num clímax perfeito: copos de cerveja lançados ao alto, gritaria e a certeza de que aquele concerto foi HISTÓRICO. Uma performance sólida, com personalidade, atitude e autenticidade — um dos grandes momentos do Sonic Blast Fest 2025.
MOLCHAT DOMA

Às 23h40, ainda no Stage 1, era a vez de um dos nomes mais aguardados do festival: os Molchat Doma, diretamente de Minsk, Bielorrússia. Considerados hoje como um dos maiores expoentes do post-punk contemporâneo, o trio trouxe seu visual sombrio e sua sonoridade marcante, unindo elementos de post-punk, darkwave, new wave, synth-pop e coldwave.
Se antes o palco estava tomado pela anarquia punk dos Circle Jerks, agora o ambiente transformou-se numa verdadeira balada gótica, com luzes vermelhas, danças arrastadas e um clima obscuro que hipnotizava todos os presentes.
O concerto abriu com “Kolesom”, e logo a voz espectral e reverberada de Egor Shkutko colocou o público em transe. Seus movimentos característicos no palco, aliados ao som pulsante e à estética da banda, criaram uma atmosfera densa e nostálgica, remetendo diretamente à era de ouro da darkwave dos anos 70/80.
O setlist foi recheado de momentos marcantes, passando por “Discoteque”, “Ty Zhe Ne Znaesh Kto Ya”, e finalizando em êxtase com o hino viral das redes sociais, “Sudno”. Cada faixa parecia mergulhar a plateia ainda mais fundo em uma espiral melancólica, mas ao mesmo tempo fascinante.
O público, completamente imerso, aplaudia e dançava sem parar, demonstrando o quanto os Molchat Doma são queridos. Foi um espetáculo, de fato!
CASTLE RAT

De volta ao Stage 2, já na madrugada de 01h20, foi a vez dos enigmáticos Castle Rat, vindos diretamente do Brooklyn (NYC). Depois de terem incendiado a Warm-Up Party no dia 06/08, regressaram agora num palco maior, dando a oportunidade de muitos finalmente presenciarem sua performance completa. E para quem já os tinha visto, foi a chance perfeita de mergulhar de novo no seu universo único… e para mim, que estive lá, mas acabei limitada pela multidão apertada no Stage 3. Desta vez, não havia desculpas: eu estava genuinamente ansiosa e pronta para mergulhar nesse espetáculo!
Liderados pela magnética e sedutora “Rat Queen” Riley Pinkerton, os Castle Rat criam uma atmosfera que vai muito além da música, transformando o concerto numa verdadeira encenação medieval. Cada membro assume uma persona própria: The Count na guitarra solo e backing vocals, The Plague Doctor no baixo, The All-Seeing Druid na bateria. Juntos enfrentam, em som e imagem, a sua arqui-inimiga The Rat Reaperess (a Morte).
O som da banda é um caldeirão de doom metal, stoner e heavy metal, embalado por riffs densos, vocais melódicos e uma estética carregada de fantasia épica. O setlist trouxe faixas como “Dagger Dagger” e “Feed the Dream”, mas o ponto alto foi, sem dúvida, o ritual antes de “WIZARD”. Nesse momento, ocorre a batalha teatral entre a Rat Queen e The Rat Reaperess, acompanhada pela interação direta com o público, quando Riley grita “Now! Is forever!” e a plateia responde em uníssono “IN! THIS! REALM!”.
Foi uma experiência completa, visual, sonora e imersiva, que transportou todos para um outro universo, onde espadas, feitiços e riffs se cruzavam. Um espetáculo!
DOPETHRONE
Encerrando as atividades do Stage 1 às 02h15, o público ainda em peso e sedento, aguardava ansiosamente pelo trio canadense Dopethrone, mestres do doom, sludge e stoner metal, ou como eles próprios definem: “Slutch”. Foi a pancada final, brutal e sem concessões, que levou todos ao limite em plena madrugada!
O palco foi tomado por uma iluminação dramática, atmosfera soturna e um som ensurdecedor que parecia esmagar cada corpo presente. O setlist foi um desfile de destruição, incluindo pedradas como “Scum Fuck Blues”, “Shot Down”, “Wrong Sabbath” e, claro, a esmagadora “Killdozer”.
O público respondeu à altura: moshs violentos, crowdsurfings incessantes e pura entrega, num espetáculo em que apenas contemplar não era mesmo opção. Era preciso dar tudo! Houve ainda uma homenagem a Ozzy Osbourne, arrancando aplausos intensos e reafirmando a força do legado do Madman.
Os Dopethrone provaram porque são considerados uma das bandas mais pesadas e viscerais do underground. Foi um show hipnótico, viciante e devastador, digno de fechar o palco principal em grande estilo e de elevar até os mais cansados ao auge da energia. BRUTAL!
VINNUM SABBATHI
Para encerrar o Dia 3 do Sonic Blast Fest 2025, às 03h25, o Stage 3 recebeu o trio mexicano Vinnum Sabbathi, mestres do stoner, doom e drone metal instrumental. Mesmo em plena madrugada, o público que resistiu até o fim foi recompensado com uma viagem cósmica de riffs densos, camadas atmosféricas e uma imersão quase transcendental.
A proposta da banda é clara: peso e contemplação. Riffs arrastados e hipnóticos, aliados ao uso criativo de samples sci-fi, criaram uma ambientação espacial que levou os presentes a um transe coletivo. Apesar do cansaço natural após três dias intensos de festival, a malta não arredou pé, absorvidos pela imersão e balançando lentamente.
A banda transformou o encerramento em um momento de pura introspecção, deixando no ar aquela sensação agridoce de fim: “estou cansado, mas estou REALMENTE VIVO!”. Foi um fecho perfeito!
Ao final, ficou o agradecimento a toda a equipa do festival pela organização impecável, comida, cerveja gelada e, acima de tudo, pela celebração do rock, do metal e da psicadelia.
Já deixamos o olhar ansioso para a próxima edição, porque o Sonic Blast Fest sabe mesmo como dar uma festa!

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