Violence Sessions na Sala Hollander — Espanha
Cinco bandas colocam Sevilha de cabeça para baixo em noite brutal de metalcore e groove
Sevilha não para de receber eventos de todos os tipos e, a cada dia, a oferta é mais ampla. Aos poucos, mais concertos que antes eram menos comuns começam a surgir. Por isso, quando fiquei sabendo que haveria uma noite com bandas de metalcore, groove e hardcore, não pensei duas vezes em pegar a câmera e ir até a Sala Hollander para a primeira edição da Violence Sessions. O lineup contou com cinco bandas que tinham a missão de botar tudo abaixo: Lost in Existence, Broken Spleen, Hall of Blame, Your Knife My Back e Zimabü Ëter.
Com um leve atraso, as portas se abriram para receber uma multidão — bem maior do que o esperado, o que foi uma excelente surpresa. A noite começou com Lost in Existence. Com a intro Blackhole, a banda deu início aos trabalhos com As Eternity Fades into Oblivion. O público se aproximou do palco, enchendo rapidamente a frente da casa, e os primeiros moshpits começaram a surgir.
Entretanto, logo foi possível notar problemas de som nas primeiras filas — os scratches de Jesús mal podiam ser ouvidos, e o bumbo, pratos e baixo também estavam abafados. Com The Agony e From the Outside, fui para trás da sala para ter uma melhor percepção sonora. Apesar de ouvir melhor os scratches, ainda não havia sinal do baixo e dos pratos. Nada disso parecia incomodar o público, que seguia agitando ao som de Harmony of Chaos.
A apresentação seguiu com Iridescent, seguida de agradecimentos à equipe técnica e às outras bandas. Com False Gods, o grupo se encaminhou para o encerramento e se despediu com Incoming Call.

Lost in Existence durante a Violence Sessions
Com apresentações como essa, Lost in Existence mostra por que vem sendo chamada para mais shows, não apenas na Andaluzia, mas também em outras regiões da Espanha. Se não fossem os problemas técnicos, certamente teria sido um show nota 10.
Depois de uma pausa para respirar após essa dose brutal, era hora de continuar com o pé no acelerador: Broken Spleen retornava aos palcos sevillanos.
Após a intro We Are Out, a banda iniciou com The Greatest Harm, e os moshpits voltaram com força total. O público respondeu com intensidade, especialmente ao som de Carrion. A apresentação seguiu com a faixa homônima Broken Spleen e depois Ulysses, com ritmo acelerado e muita energia tanto no palco quanto na pista.

Broken Spleen ao final de sua atuação
O som da banda era como uma bola de demolição, e o público correspondeu com entusiasmo — embora fosse preciso atenção para não levar cotoveladas. O show se encaminhava para o fim com Old Enemies e 40 Days. Após a apresentação tradicional da banda por Saulo, encerraram com um cover poderoso de Kublai Khan TX: The Hammer.
Ter bandas como Broken Spleen surgindo na cena underground é sempre motivo de celebração. Eles ampliam o espectro do hardcore com atitude e energia de sobra. Shows como esse precisam ser valorizados.
Depois de suar em bica e pedir algo fresco no balcão da sala, era hora de ver pela primeira vez os HALL OF BLAME, vindos da província de Málaga.
Desde o primeiro instante conquistaram-me ao usarem como intro um excerto de El del Medio de los Chichos, dos míticos ESTOPA, grupo de rumba catalã que sempre teve um lugar especial no meu coração negro. Isto deu lugar ao que foi o seu primeiro tema para começar a estourar pescoços, Vendetta. Quando se pensava que os problemas de som tinham ficado para trás depois do primeiro concerto, não se podia estar mais enganado, pois, precisamente no arranque do segundo tema, 2nd Degree Burn, uma das guitarras deixou de soar como devia, até que se encontrou a solução e puderam continuar sem mais percalços. A presença da banda em palco era verdadeiramente esmagadora, e mostraram que, por mais contratempos que surjam, sabem dar a volta por cima – como demonstraram com Path of Agony.

O som já não apresentava grandes problemas e o público estava a curtir à grande com a banda, fosse a armar um moshpit ou a fazer headbanging até estourar o pescoço. Estava a gostar bastante deste concerto, porque essa fusão de metalcore com djent que eles dominam é um daqueles estilos que estão entre os meus favoritos. O problema começa quando o fim daquilo de que gostas se aproxima, pois enquanto seguiam com The Void e uma versão do clássico de A DAY TO REMEMBER Mr Highway’s Thinking About the End, onde – como era de esperar – o famoso Disrespect your surroundings soou estrondosamente, já se percebia que o final estava por perto. E, infelizmente, teve de chegar mais cedo do que o previsto devido aos problemas técnicos daquele dia. Ainda assim, saíram em grande com Dante’s Lullaby, o mais recente single que tanto sucesso lhes está a trazer.
Apesar da falha (mais uma vez) do técnico de som, os HALL OF BLAME corresponderam às minhas expectativas: o seu som e técnica são muito limpos, não cometem erros em palco. E quando se mistura isso com um som fresco, moderno e que conquista cada vez mais público, faz com que os HALL OF BLAME tenham uma projeção de futuro bastante promissora.
Your Knife My Back e Zimabü Etër encerram noite intensa na Espanha
Apresentações energéticas das bandas de Málaga e Barcelona mantêm vivo o espírito hardcore e groove metal no sul da Espanha
À medida que o show se estendia mais do que o previsto, muitas pessoas começaram a ir embora — algumas porque precisavam descansar para o trabalho no dia seguinte, outras simplesmente porque já haviam gastado todas as energias. Mas os que resistiram até o final foram recompensados com a apresentação dos malaguenhos Your Knife My Back.
Com o clima do dia totalmente voltado ao peso e agressividade, era natural preparar-se para mais uma dose de sons intensos. Isso ficou claro logo de cara com Death of Light. No entanto, novamente uma espécie de “maldição da segunda música” apareceu, já que o início de Feel Again foi atrasado por problemas no baixo, resolvidos apenas com a troca de pilhas. Como era uma das bandas que mais chamavam atenção na line-up, ninguém queria perder nem um segundo. O objetivo deles era claro: derrubar o que restava da casa com faixas como Scarred e Haunting Me. O hardcore dancing dominou o ambiente com Born to Lose e A Life of Pain.

Em um momento de pausa, foi feita uma apresentação especial: aquele show contava com um baterista substituto. E, sinceramente, se não tivessem dito isso, ninguém teria percebido. O músico parecia entrosado e seguro no palco. A energia continuou lá no alto com Blue Lights e Self-Imposed. Sem que o público percebesse, a banda já se preparava para o final, entregando tudo em A Broken Pledge e Unseen Grave, culminando em um wall of death que deixou a casa sem fôlego.
Bandas como Your Knife My Back, além de outras da mesma noite, mostram que o hardcore segue vivo e em expansão, principalmente com a força das novas gerações. Quando essa juventude é combinada com a entrega total no palco e a resposta do público, o resultado só pode ser nota 10.
A essa altura, as forças já estavam se esgotando — não só para mim, como para muitos. Uma boa cerveja e um lugar para sentar já faziam a diferença. Era hora da última banda da noite: os barceloneses Zimabü Etër.
Com o último fôlego, o público se posicionou para receber a doses de groove metal que viriam. Logo ao começar com Not Far Away e Catharsis, uma nova carga de energia pareceu tomar conta da plateia. Isso se refletiu em mais moshpits e headbanging, mostrando à banda catalã que o público andaluz ainda tinha muito gás. Com a força de The Escape e o cover matador de Sepultura Territory, era como se todos tivessem trocado as baterias e estivessem prontos para mais uma hora de pancadaria sonora.

Zimabü Ëter na Violence Sessions
Zimabü Etër encerra a Violence Sessions em Sevilha com participação de Guille, da Beheading Samsara
Uma apresentação demolidora e com direito a cover de Lamb of God marcaram a madrugada underground na Espanha
Já parecia que o evento estava se aproximando do fim quando alguns de nós demos uma olhada na hora — e foi exatamente nesse momento que No Solution e Wander All Over traduziram perfeitamente o clima de urgência. O som arrasador da banda surpreendeu: parecia mentira que aquela potência não estivesse presente desde o começo da noite. Após The Crown, houve uma breve apresentação, com agradecimentos a todas as bandas que deram tudo de si no evento. Em seguida, o grupo emendou com The Path.
Para finalizar com chave de ouro, a banda ainda entregou um cover insano. Mesmo com as vozes já no limite, o público se jogou com tudo. O momento especial contou com a participação de Guille, da banda Beheading Samsara, que subiu ao palco para detonar com eles em Redneck, clássico do Lamb of God.
Apesar do atraso, a performance do Zimabü Etër foi espetacular. A banda tem um poder de palco impressionante, com uma força sonora devastadora. Eles não deixaram a peteca cair e entregaram um show à altura da expectativa naquela madrugada intensa em Sevilha.
O que ficou claro com a edição da Violence Sessions é que, mesmo com os imprevistos que não foram culpa das bandas, o evento foi um sucesso. As cinco formações que organizaram e se apresentaram mostraram que são capazes de montar um grande espetáculo, atrair um bom público e oferecer uma experiência inesquecível de música pesada underground.
Com essa atitude vibrante da cena metalcore, hardcore e groove, que busca um espaço maior e deseja revitalizar o movimento, só resta dizer uma coisa: é preciso continuar comparecendo a esses eventos. Eles provam que há talento, paixão e energia suficientes para movimentar a cena e criar noites memoráveis.
Serviço:
Violence Sessions
Local: Sevilha, Espanha
Data: [inserir data exata do evento]
Bandas: Zimabü Etër, Beheading Samsara, entre outras
Gêneros: Metalcore, Hardcore, Groove Metal
Cobertura: Cultura em Peso


