Kabrones se apresentavam em Valência pela primeira vez desde o reencontro, e a data escolhida não poderia ter sido melhor: 6 de setembro, na Plaça Major, em Villa-Real.
A banda, composta por três membros-chave da era clássica do Mägo de Oz — José Andrëa nos vocais, Carlitos na guitarra e Salva no baixo —, foi completada por músicos de primeira linha: Joaquín Arellano “El Niño” na bateria, Ismael Filthó nos teclados, o mexicano Santi Vokram no violino e Víctor Manuel Conde na guitarra, substituindo o enfermo Frank. Pessoalmente, acho que, quando Frank retornar, Conde deveria permanecer como o terceiro membro: o grupo ganha um impulso extra com ele.

Um começo devastador
Pontualmente, à meia-noite, uma introdução composta por fragmentos de álbuns históricos começou a tocar: Jesús de Chamberí, La Leyenda de La Mancha, Finisterra, Folktergeist e Gaia. Com peças como Gazza Ladra, En Un Lugar, Génesis, Prólogo e Obertura MDXX, brilhantemente mixadas, o palco estava montado.
Diante de uma arena lotada, eles partiram com tudo e abriram fogo com Maritormes, soando como um canhão. A banda estava perfeitamente equilibrada, liderada por José Andrëa, que conquistou o público desde o primeiro segundo. Sem pausa, Santa Compaña chegou, mantendo a intensidade, e então a saudação histórica de José: “Boa noite, babacas!”, que deu lugar a El Ángel Caído. Foi um deleite inesperado para muitos, já que raramente foi ouvido ao vivo.
O primeiro grande momento da noite veio com “El Que Quiera Entiende Que Entiende”, em que José mais uma vez defendeu o amor livre, como de costume. O violino estava um pouco baixo, mas nada conseguiu abafar a festa que reinava tanto no andar de cima quanto no de baixo.

Meu momento favorito foi com a majestosa “Singing of the Dark Moon”. O que dizer dessa música? Simplesmente perfeita.
Depois, foi a vez do trio instrumental, “La Insula de Barataria – Czardas – Diabolical Dreams”, que deu a José um momento para respirar. E então, o momento mais emocionante: a dedicatória aos sempre memoráveis Fernando Ponce e Sergio Kiskilla. Com “Es Hora de Marchar”, José brilhou com uma performance comovente, magistralmente acompanhado por Ismael e Santiago em suas partes instrumentais.
Em seguida, tocou a bela “Dime Con Quién Andas”, que o próprio José confessou não entender por que raramente era tocada ao vivo. Em seguida, uma referência à passagem do tempo: “Estamos 20 anos mais velhos” — ao que não pude deixar de pensar: “Idiota, você também está!” —, levando a “Hasta Que el Cuerpo Aguante”, que fez a praça inteira vibrar.

Uma Reta Final Explosiva
A barragem continuou com o brutal El Santo Grial (O Santo Graal). Ismael então executou um delicioso solo de teclado, incluindo um fragmento de El Tractor Amarillo (O Trator Amarelo). Em seguida, La Leyenda de La Mancha manteve a energia em alta.
Durante Astaroth, José procurou duas garotas na plateia para cantar no palco. Elas eram quase inaudíveis, mas o gesto foi cativante. Então veio o longo El Fin del Camino (O Fim da Estrada), que nos levou ao encerramento do show.
Após um breve intervalo, o bis começou com Fiesta Pagana — um hino indiscutível do heavy metal espanhol — seguido por Molinos de Viento, outro clássico absoluto. O final foi a intensa Satania, que soou espetacular.

Conclusões
Os Cabrones mostraram-se mais vivos do que nunca. Talvez eu tenha sentido falta de músicas como El Pacto, El Lago, Requiem, Jesús de Chamberí ou Gaia, mas com mais de duas horas de repertório, é impossível incluir tudo. A banda está em plena forma, com muita energia pela frente, e deixaram isso claro em Villa Real.
P.S.: Um detalhe que eles deveriam ter cuidado: não havia estande de produtos. Sempre tem alguém que quer levar para casa uma camiseta ou um adesivo de lembrança, e seria uma boa maneira de enriquecer a experiência do show.
Por Miguel (Miki) – @miguelrockon1
Editado por Demonaz Neo – @demonaz_neo


