Toda vida importa! Caso precise, compartilhe com alguém, peça ajuda! Amigos, familiares, profissionais. Saúde mental e emocional também é qualidade de vida.

10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, organizado pela Associação Internacional para Prevenção do Suicídio e endossado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo geral aumentar a conscientização sobre a prevenção do suicídio em todo o mundo.

No Brasil, o mês de setembro é conhecido como “Setembro Amarelo”. Durante este período, diversas ações ocorrem por todo o país para conscientizar a população de que toda vida importa e que a saúde mental é fundamental para qualquer ser humano. Para saber mais, acesse a cartilha completa, “Suicídio: Informando para Prevenir”, clicando aqui.

Nós, como sociedade, devemos atuar na conscientização de que a vida vale a pena e importa, e ajudar na prevenção do suicídio. Embora em setembro o tema seja mais discutido no Brasil, o suicídio é um verdadeiro tabu que não deve ser tratado apenas em um mês, mas sim durante os outros onze também, pois a luta pela vida deve ser constante.

É importante mencionar que falar sobre o tema de forma responsável não incentiva outros a darem fim ao sofrimento. No entanto, a maneira como certas notícias são divulgadas pode, sim, levar outros a fazerem o mesmo. Um exemplo disso foi o caso do ator Robin Williams, em 2014, cuja morte foi tão divulgada que o número de suicídios cresceu substancialmente nos Estados Unidos naquele período.

Postagem “sua voz importa”, campanha Setembro Amarelo. Disponível em https://www.setembroamarelo.com/

Na vida, é normal ter altos e baixos. Há dias em que não temos ânimo, vontade, e o cansaço é grande. Assim como há outros em que estamos tão cheios de alegria e vontade, que falta chegar notificação da Aneel querendo regulamentar a alta produção de energia!

Entretanto, permanecer por muito tempo em um estágio de tristeza profunda, isolamento quase absoluto, desespero, desesperança e desamparo são sinais de alerta que merecem nossa atenção.

Infelizmente, em alguns círculos, como o do heavy metal, a questão ocorre com mais frequência. Recentemente, em agosto, o vocalista e fundador da banda Sacramentum, Nisse Karlén, aos 50 anos, decidiu encerrar a própria jornada.

Existem graus de depressão, e quando a pessoa chega ao limite, ela pode tomar a decisão mais radical e danosa: tirar a própria vida. Com isso, todos ao seu redor acabam “morrendo” junto com ela. Respostas se perdem, muitas perguntas ficam, e a impotência por não ter feito algo assola aqueles que ficam.

Para alguns, atividades como academia, praticar exercícios físicos, viajar, tocar um instrumento, ir à igreja ou buscar um caminho espiritual alternativo bastam para sair desse estágio. Para outros, além de mudanças de hábitos, a terapia com psicólogos é fundamental para compreender a si mesmo, o processo e como lidar com ele. No entanto, uma parcela considerável (e crescente) de pessoas não melhora apenas com exercícios (muitas vezes, sem ânimo para praticá-los), idas à igreja, retiros espirituais, medicina alternativa, pensamento positivo, ou a leitura de livros motivacionais. A pessoa pode estar em um estágio tão avançado que sua química corporal está severamente modificada, necessitando de acompanhamento psiquiátrico, além do psicológico. Nesses casos, dar o primeiro passo é sempre o mais difícil, pois muitas vezes a pessoa não admite que precisa de ajuda, não tem apoio, teme a reação de outros, o estigma, ou simplesmente não acredita que há saída.

Isso não é exclusivo de classe A, B, gênero musical C… Atinge a todos e não é 100% meramente por fatores exclusivamente amorosos: uma pessoa que tem um péssimo ambiente de trabalho, mas não consegue achar coisa melhor e precisa permanecer no emprego; pessoa que passa por dificuldades financeiras constantes; que tem problemas de segurança alimentar (se terá o que comer ou não); problemas na vida familiar, traumas na infância ou alguma outra situação específica, mora em local complicado (taxa de violência muito alta, problemas com saneamento básico, estrutura da moradia etc), tudo isso também influencia direta e drasticamente na qualidade de vida de qualquer ser humano, e, pode levar ao desenvolvimento de depressão entre outros transtornos mentais e a pessoa acaba vendo que a única forma de sair daquela situação, é tirar a própria vida.

Trazer essa discussão para o universo do heavy metal revela uma situação ainda mais alarmante. No Brasil, procurar ajuda profissional é mais aceito atualmente, mas ainda é visto como “frescura”. Na Europa, por exemplo, depressão e outros transtornos mentais são vistos como fraquezas, ou até aberrações, rotulando as pessoas como perturbadas e, consequentemente, afastando-as.

Diversas vezes, ao conversar com colegas e amigos europeus (alguns deles músicos) que passavam por momentos difíceis e precisavam de acompanhamento profissional, as respostas eram sempre “não preciso disso”, “muito caro”, “vão rir de mim porque sou homem” (!!!), entre outras. É desesperador pensar que um adulto vai ridicularizar outro por não estar bem e por buscar ajuda.

No Brasil, a situação não é muito diferente, embora buscar alguma ajuda já seja um pouco “mais aceito”. Contudo, o caminho para não julgar e ter empatia com o próximo é muito longo!

Amigos e parentes que convivem com pessoas nessa situação também precisam de apoio e ajuda. Não é fácil auxiliar pessoas em estágios avançados de depressão, e devemos respeitar nossos próprios limites para não sucumbirmos com elas.

Por que escrevi tudo isso? Porque eu tenho depressão e ansiedade crônicas. Não tenho problemas em conversar sobre o assunto. Faço acompanhamento com profissionais, tomo medicações e já tentei por não aguentar mais. Mas o que já passei e passo, não desejo a ninguém, e menos ainda, quero ver alguém passando por algo assim.

No Brasil, o SUS (Sistema Único de Saúde) oferece atendimento profissional gratuito a toda população. Você também pode procurar o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) da sua região. Entre em contato com o CVV através do número 188 para apoio emocional e prevenção do suicídio, que funciona 24 horas. Em caso de risco de vida ou crise grave, procure emergência médica (112).

Em cada país/região fora do Brasil, também existem linhas e canais de atenção à saúde mental e prevenção do suicídio. Se você está passando por problemas psicológicos, ou conhece alguém nessa situação, não hesite em buscar ajuda. Não há vergonha alguma: peça ajuda, divida o fardo com alguém de sua confiança e, em casos mais graves, com ajuda profissional qualificada. Não apenas em relação a questões psicológicas e/ou psiquiátricas, em caso de abuso de drogas, lícitas ou não, também procure ajuda!