Et Omnia Vanitas surge como uma obra visceral que une três mundos numa sinfonia de escuridão e decadência. Lançado pela War Productions, junta três grupos distintos com uma visão em comum: a inevitabilidade da decadência.

Et Omnia Vanitas (tudo é vaidade) é um split que reúne três forças emergentes do black metal: Thymata (Suécia e Grécia), Grimtone (Suécia) e Kruzifix (Portugal). Lançado pela War Productions, a 20 de Fevereiro de 2026, este álbum é um mergulho em territórios sombrios, onde desolação, ódio e decadência se entrelaçam em paisagens sonoras frias e hostis.
O split contém uma estrutura interessante: é dividido em três blocos bem definidos, refletindo o caráter de cada banda de forma organizada, delineada mas sempre com uma ligação natural.
Thymata abre o disco com as três primeiras faixas Omnia, Acheron e The Smell of Blood. A banda sueca e grega entrega um black metal cru e atmosférico, carregado de agressividade primitiva. O som, embora surja ambiental e leve no primeiro tema Omnia, desenvolve-se para algo mais rápido e sufocante, com riffs gelados que evocam paisagens de desolação, blast beats quase constantes e um ambiente simplesmente destrutivo. Há uma sensação de urgência, como se a escuridão estivesse prestes a consumir tudo à nossa volta. A produção lo-fi aumenta o sentimento de claustrofobia, tornando cada explosão de guitarra e cada grito mais visceral.
O segundo bloco, composto por 3 faixas, é assumido por Grimtone. Death Factor, Excommunicated e Vanitas trazem ao disco uma sonoridade sueca ainda mais opressiva. Aqui, o black metal torna-se mais meditativo, explorando o desespero existencial e a decadência inevitável. Com melodias mais notáveis, mas igualmente marcantes e passagens mais lentas mas igualmente avassaladoras. As faixas transmitem um sentimento de fim iminente e aceitação da destruição, com camadas densas de ruído, riffs pesados e vocais distantes que reforçam o clima decadente. É o ponto mais introspectivo do split, contrastando com a fúria inicial de Thymata. O último dos três temas da contribuição de Grimtone, Vanitas, aborda uma realidade dungeon synth, ideal para criar o fio condutor para o que vem a seguir.
O encerramento do álbum ficou ao cargo do projeto português Kruzifix. Mars e Venus apresentam-se como os dois temas mais longos do split, com sensivelmente 9 e 12 minutos respetivamente, e trazem um final épico ao trabalho, com atmosferas sufocantes e arranjos mais expansivos. Kruzifix combina agressividade e melancolia, explorando longas passagens que alternam entre tempestades de guitarras e momentos de silêncio inquietante. A sensação é de que o ouvinte é lançado numa infernal travessia sideral, onde o ódio e a destruição coabitam com um certo lirismo sombrio. A produção mantém a estética crua, mas com espaço para a densidade emocional se instalar. Nos minutos finais de Venus, somos lançados ao abismo do fim… Ao vazio inevitável que o álbum vinha a anunciar desde o início. Entre camadas de ruído habilmente construídas, somos abandonados na decadência absoluta. Não poderia haver forma mais perfeita de encerrar esta obra, e que final arrebatador.
O que une estes três grupos num só disco? A efemeridade e a decadência. Desde a brutalidade de Thymata, à frieza de Grimtone, até fúria sideral de Kruzifix, o álbum abraça a ideia de que tudo se dissolve. Não há esperança, nem redenção, apenas aceitação e imersão na escuridão. A produção lo-fi, onde o som não é perfeitamente limpo, é coerente com a estética black metal underground: áspera, quase primitiva, mas funcional para criar imersão total. Não se trata de polidez, mas de transmitir hostilidade, desolação e imediatismo. Cada faixa parece ter sido forjada no âmago de um mundo em ruínas.
Et Omnia Vanitas é um split que não procura ser perfeito nem agradar a todos. É agressivo, hostil e, acima de tudo, autêntico. Mas também é extremamente imersivo, e no meio das ruínas cria quase uma calma desconcertante.
Três bandas distintas, mas complementares, conseguem criar um álbum coeso que explora os extremos do black metal, desde a fúria impiedosa à depressão existencial, até paisagens épicas de destruição. Para quem procura black metal cru, atmosférico e com uma aura de desespero inescapável, este álbum é obrigatório. Uma obra visceral que une três mundos numa sinfonia de escuridão e decadência.
Alinhamento:
1. Thymata – Omnia
2. Thymata – Acheron
3. Thymata – The Smell of Blood
4. Grimtone – Death Factor
5. Grimtone – Excommunicated
6. Grimtone – Vanitas
7. Kruzifix – Mars
8. Kruzifix – Venus
Bandas: Thymata / Grimtone / Kruzifix
Título: Et omnia vanitas
Label: War Productions (CD)
Data de Lançamento: 20 Fevereiro 2026
País: Grécia / Suécia / Portugal
Estilo Musical: Black Metal
Para fãs de: Nortt, Mgła, Marduk
Bandcamp: War Productions | Thymata | Grimtone | Kruzifix
War Productions website: https://war-productions.org/

