A escuridão e a profanação com data marcada. Uma sexta feira diferente, incomum e obscura. No mesmo dia que a 56 anos atras, o Black Sabbath lançava uma de suas maiores obras, inclusive que considero primordial para a historia do Metal. E  este inicio citando esta obra icônica, foi justamente para voces perceberem a atmosfera que se formava.
Um fim de tarde chuvoso em São Paulo capital, nos dava o tom de que esta não seria apenas mais uma sexta feira. Mesmo na vespera do carnaval, o Black Metal teve o seu lugar.

Enquanto o céu se enegrecia e véu profano da noite dominava, Caveira Velha Produções e Gerunda Produções preparavam o profano culto que estava por vir. Duas potência do Metal Negro iriam se apresentar no palco do acolhedor La Iglesia. Mesmo com raios, chuva e trovões, nada impediu os fãs do Metal Negro de comparecerem em peso e lotar a igrejinha mais iconoclasta de São Paulo.

Duas potências do Black Metal já se preparavam, enquanto a fila se formava, Azaghal e Great Vast Forest eram muito aguardadas e o que se propiciava era uma grande celebração. Alguns bangers ainda aqueciam os motores no mercadinho ao lado e aos poucos, o La Iglesia foi se enchendo.

As 09:09:09 ( 21 horas, 9 minutos e 9 segundos), o Great Vast Forest subiu então ao palco. Veteranos do Black Metal nacional, a banda formada em 1996 em Lages (SC), trouxe o seu som visceral e cru. O clima de escuridão dominou, com suas letras falando sobre anti cristianismo, guerra e inverno trouxeram o clima necessário. Com suas armas de guerra e seu poderio bélico letal, a  horda trouxe aos ouvidos dos guerreiros e guerreiras ali presentes, hecatombe e misantropia.

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Em um som sem massagem e sem perdão. Sem nada de alegorias ou concessões, entregaram uma apresentação estrondosa. Som cru e direto, a banda trouxe o que se espera de um concerto de Black Metal, entregaram fúria e atitude.
O publico cantou junto os clássicos da lendária horda. Com guitarras ríspidas, um baixo potente, uma bateria que parecia uma metralhadora de blast beats, viradas insanas e vocais agonizantes pertubadores, trouxeram e fizeram jus ao porquê da escolha desta potência do Metal BR para abertura do Azaghal em São Paulo.

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No set list estavam “Majestic South”, “Wolvesclan”, Prelude To The Victory”, “Masters Of Old War”. Criando um climax, um dos pontos altos foi o tributo ao Bathory com a majestosa ” Call From The Grave” prestando culto ao grande Quorton. Sensacional!!!
Completando o set “Bloody Winter”, “Memories Of The Fire …”, “In The Deep Forest’, “Ride Of The Valkiryes” e encerramento com”Imperial Moon”. Os gritos da galera deram o termômetro da temperatura desta avassaladora apresentação.

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Foi algo monstruoso! Posterior a apresentação, a banda foi cumprimentada pelo público que fez questão de apertar a mão dos músicos, que reribuiram com gratidao e satisfaçao pela acolhida. Público este que em nenhum momento parou de agitar e curtir. E sinceramente, se invertessem a ordem das apresentações e/ou juntassem as bandas, iriam se transformar em uma infernal quimera, pois as sonoridades tanto do Azaghal quanto do Great Vast Forest, se completavam e se combinavam por conta da similaridade do som. Abissalmente brutal e destruidor.


No intervalo a galera seguiu tomando suas cervejas geladas e festejando, trocando ideia e enquanto isto, pérolas do Black Metal tocavam forte no sistema de som da casa. Conhecidos e velhos amigos se abraçavam e comemoravam, ansiosos pelos anfitrioes da noite.

Então por fim, às 22:15, desta vez sem trocadilhos bestiais sobre o horário, foi a vez da poderosa horda filandesa Azaghal, formada em 1998 na cidade de Hyvinkää, Uusimaa – trouxe o suas armas de guerra, uma bateria do puro massacre, baixo vigoroso e guitarras cortantes e impiedosas, alem de uma perfomance vocal agressiva e assombrosa.

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Algo muito bacana de se ressaltar é que a banda parecia se sentir em casa. Isto mesmo depois de 12 anos sem vir ao Brasil. A vontade, a banda performou suas malignas canções com peso, intensidade e autoridade de quem sabia o que estava fazendo, nem pareciam ter feito uma viagem, pois no dia anterior a horda se apresentou em Curitiba.

Ao contrario do que se apregoa sobre a fama de mal, de músicos do Black Metal, o corpse paint não foi o suficiente para esconder que estavam se divertindo.
Agradecimentos ao publico e agradecimentos ao Brasil foram feitos ao decorrer de toda apresentação.

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Classicos passaram e foram fortemente celebrados neste culto do terror:
como em um tiro de tanque de guerra, abriram com a apocaliptica e potente “Alttarini on luista tehty”, “Myrkkyä” veio que na sequência, tão letal e poderosa quanto. “Filosofi” desacelerou os poderosos ataques e trouxeram sua atmosfera carregada, de forma diabólica envolveu com sua cadência brutal. As siamêsas “Black Terror Metal”  “Kyy” funcionaram juntas mostrando a sua potência sonora e como funcionam muito bem juntas.

Peto 666“, trouxe aquela atmosfera soturna e aquela alma dos anos 90. Black Metal guerra com armas recarregadas para iniciar o massacre sonoro. “Maailman Viimeinen Yö (Ja EnsimmäInen)” trouxe sua sonoridade mais arrastada, nem por isso menos letal, com uma mistura de caos e melancolia.

Madon sanat“canção de 2015, retomou a atmosfera de brutalidade que se manteve com”Syöpäläinen” e “De Masticatione Mortuorum“elevando o poderio de destruição da satânica máquina Azaghal, instrumental e riffs ordenados em um ataque sem misericórdia. Na sequência veio a clássica e indispensável “Mustamaa“, gélida e cruel, foi como reencontrar um velho amigo, com vocais limpos trouxe todo o seu impeto soturno. Hino clássico da impura e blasfêmica horda filandesa. E falando em clássicos, esta quase fiquei sem voz, foi a vez da infalível “Agios O Baphomet“.Fiquei feliz que este classico tenha sido inserido no set. “Quetzalcoatl“,faixa que dá nome ao album lançado pela horda em 2008. “Kun Aurinko Kuoli” brutal antecedeu a aterradora “Juudas” que encerrou solenamente o profano culto do mal de Azaghal e Great Vast Forest!

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Sabe aquilo que mencionei sobre o som das bandas serem similares, é porquê realmente havia muita proximidade sonora. E Caveira Velha e Gerunda Produções escolheram muito bem o line up. Com um setlist de aproximadamente uma hora para cada banda, foi uma experiência ímpar de ouvir dois gigantes do Metal Extremo em uma noite absurdamente propicia ao caos, uma vez que sempre que chove em São Paulo, a cidade para. Não vi o tempo passar, pontualmente às 23:15 o evento havia terminado, possibilitando um retorno tranquilo para casa, sem correria para ir para a estação.      Sexta feira que não sairá tão cedo da minha memória. Só digo, o seguinte – quem não foi perdeu!!!! Noite histórica!!! Espero e desejo que não demorem a voltar pois foi uma noite sensacional.  Uma possibiliade de mostrar que a cena Black Metal paulistana está ativa e representando sempre. Foi MONSTRUOSO!!

Parabéns Caveira Velha e Gerunda Produções pelo evento espetacular. Produção impecável!!!!! La Iglesia sempre acolhedor!

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