Era um Sábado, mas não era qualquer um – era um dos mais aguardados para os fãs de Metal Extremo e queriam revisitar antigas canções e ouvir também novas.
Um sábado ensolarado onde não foi servida a tradicional feijoada, mas que o prato principal eram as delícias da volúpia, da carne e do pecado entregues pelo CRADLE e bandas convidadas.
Normalmente shows de Black Metal, a galera tende a ficar mais parada e apenas contemplando as caóticas performances de bandas do estilo, mas algo naquele dia estava diferente. A começar pelos integrantes do CRADLE na calçada de frente ao Carioca Club comprando camisetas não oficiais com estampas da própria banda.
Algo no que dizem os bons e os maus, que a banda tem por hábito, adquirir estes suvenirs.
As 17h em ponto uma atmosfera sombria começava a se formar, era a hora do chamado maligno da TELLUS TERROR. Banda oriunda das calorosas terras do Rio de Janeiro, mais precisamente, na cidade de Niterói ( Aquela mesma da ponte colossal).
Um Black Metal sinfônico mórbido, soturno e macabro.

Sem cerimònia a banda trouxe suas pedrad4s. Som sem massagem e, a altura de um fim de tarde e começo de noite dos mais brutais e com a devida magnitude requisitada. Elegante e sofisticado é ao mesmo tempo, uma máquina de destruição das mais viscerais. Alinhando técnica, brutalidade entregou uma baita apresentação, que se possível quero assistir novamente por aqui.
Sobre a apresentação da banda foi marcante e deixou perplexo o público que ali estava.
“Amborella Child” chegou rasgando o véu da noite e entregando um começo devastador.
“Absolute Zero” e “Darkest Rubicon” manteve a áurea caótica. “Psyclone Darxide“, trouxe a combinação do Metal extremo e uma veia mais industrial, e não por isso menos pesada. Faixa contundente e sombria. Na sequencia, foi a vez de “Empty Nails”, uma faixa brutal, porém, mais melancólica, intensa e marcante e na mesma linha “Lone Sky Universum”, trouxe a veia mais melódica da banda, que é demasiadamente interessante, por demonstrar versatilidade em seus vocais.
Na sequência, era foi a vez de “Shattered Murano Heart”, retomar o caos e violência sonora, que pegou quem estava em transe das canções anteriores. Brutal!!!!!!
“Sickroom Bed” chegava e ja´deixava aquela sensação de que o set estava terminando, pesada e ao mesmo tempo melancólica, trazia aquela sensação de que o tempo passou muito rápido e poderiam ter mais faixas no set. Vocais monstruosos e sinistros, brutalidade instrumental e atmosfera de destruição. Assim foi o show da TELLUS TERROR em São Paulo/SP. Para coroar esta sublime sinfonia do caos, encerraram com a “Brain Technology Pt. II“. Reforçando o que eu disse, deixando aquele gostinho de quero mais.
Setlist – TELLUS TERROR
1 – Amborella’s Child
2 – Absolute Zero
3 – Darkest Rubicon
4 – Psyclone Darxide
5 – Empty Nails
6 – Lone Sky Universum
7 – Shattered Murano Heart
8 – Sickroom Bed
9 – Brain Technology Pt. II

Poucos após as 18h, uma lua obscura emergia no telão, era a hora do UADA, banda que está em uma crescente o cenário do Black Metal mundial, aliando o peso do Black Metal e linhas melódicas, carregadas de mistérios e climax único. Oriundos dos Estados Unidos, a banda trouxa para o Carioca Club, o seu som. Já conhecidos do público brasileiro, trouxeram uma apresentação devastadora. Sem beijinho de boa noite, já chegaram com os dois pés no peito. Trouxeram a impiedosa “Natus Eclipsim”, rápida, de riffs cortantes, guitarras marcantes, sem deixar de mencionar o vocal infernal. Melodias brutais e rítmo visceral (Não indicado para corações desacostumados). Um belíssimo começo para a apresentação destruidora da banda.

Na sequência foi a vez de “Djinn“, depois que os portais da desesperança se abriam, foi a vez desta caótica e ríspida faixa. Sobre esta, é também a faixa que dá nome ao álbum laçando pela banda em 2020, mantendo um set coeso e pensado. E sendo assim, foi a vez da brutal “Blood Sand Ash”. Por fim, foi a vez de uma de suas canções mais conhecidas, seja por sua execução sombria, seja pelo seu videoclipe insano, foi a vez da “Cult of a Dying Sun”, nome do primeiro álbum da banda norte americana. Desesperadamente violenta e soturna é com certeza, uma das faixas que não podem faltar de nenhuma forma no set da banda. Os uivos trazem a pegada atmosferica e misantropica do som da banda.
Encerrando a apresentação, foi a vez da maligna “Black Autumn, White Spring“. mantendo a linha zero esperança sobre a vida e a existencia. Caótico e avassalador. O set pode aparentar ser curto, mas as músicas são extensas e possuem dinâmica única, o que pode ter colaborado para que faixas do terceiro álbum não tenham sido tocadas.Setlist – UADA
1 – Natus Eclipsim
2 – Djinn
3 – Blood Sand Ash
4 – Cult of a Dying Sun
5 – Black Autumn, White Spring

Por fim, próximo às 19h:20m, com a casa lotada, foi a vez da banda britânica CRADLE OF FILTH, muito aguardada, fez uma apresentação ímpar. Mal sabiamos nós, que aquela poderia ser uma derradeira apresentação de integrantes da banda. Mas antes de chegar nisso, bora esmiuçar um pouco esta apresentação.
Desde 2009 sem vir ao Brasil, mas já tendo tocado outras vezes por aqui. O CRADLE vem para a tour de divulgação do seu álbum mais recente: “The Screaming Of The Walkyries”.
A tour ganhou o nome “The Screaming Of The Americas Tour”. Uma sequência extensa de shows de divugação deste novo álbum ( 14º da banda).

Abrindo de forma sublime e iniciando os trabalhos, fomos agraciados com “To Live Deliciously”, que já deu o tom o e fez entrar em delírio, o público ali presente.
E para elevar ainda mais a temperatura e deixar a plateia ensandecida, foi a vez da clássica “The Forest Whispers My Name”, cantada em coro pelo publico. Faixa clássica do também clássico “Principle Of Evil Made Flesh”, disco icônico de 1994, onde a banda ainda estabelecia sua sonoridade, mas já demonstrava brutalidade combinados com um liricismo macabro e vampirico.Na sequencia foram as vezes das incriveis ” She Is Fire” e “Malignant Perfection”, sendo esta última do “The Screaming Of The Walkyries”.

E de forma nenhuma poderia faltar, foi a vez da visceral ” The Principle of Evil Made Flesh“. A mesma que citei ali acima, que é o nome do álbum de 1994. A partir da ai… ou u pouco antes, iniciou-se uma movimentação – começava a se formar, próximo ao palco o fomoso moshpit. Impossível ficar parado com esta PEDRAD4. Os vocais de Danny são os mesmos desta época, não mudou nada e permanecem crueis, impiedosoe e agudos. Tecnica pertubadora. Toda a atmosfera conduzida pelos vocais e instrumental, conduziam a apresentação para um caótico vortice de brutalidade.
E mantendo a devastadora sinfonia, foi a vez de “Heartbreak and Seance” fez a alegria da galera do mosh. E ainda dizem que “não pode moshar no Black Metal”.
O público demonstrou que pode sim e que deve, afinal, não é sempre que se tem a presença de uma banda lendária, do calibre do CRADLE, referência da cena mundial fazendo uma tour por aqui.
Na sequência, de forma uníssona foi a vez da icônica “Nymphetamine (Fix)“, arrisco a dizer que é o maior hit da banda. Foi cantada com fervor do começo ao fim, e arrisco dizer que muitos ali perderam a voz ao cantar a plenos pulmoes e garganta, esta importante faixa do repertório. E pra seguir com o publico cantando de forma fervorosa, foi a vez de “Born in a Burial Gown“, outro clássico da banda. Com um set que se demonstrava destruidor, foi a vez de “White Hellebore“, rápida e impiedosa, após ser finalizada a banda saiu do palco, mas as cortinas do vampírico espetaculo ainda não haviam sido cerradas. Com o telaão ainda aceso, a galera se ligou que havia algo a mais por vir e sendo assim, foi a vez de “Creatures That Kissed in Cold Mirrors / The Monstrous Sabbat (Summoning the Coven)“, que anteceu a formidável “Cruelty Brought Thee Orchid”, e agora sem ser chato, é uma das minhas prediletas, alias, o álbum “Cruelty And The Beast”, na singela opinião deste que vos escreve – é um dos melhores, se não o melhor album do CRADLE.

Quando vieram ao Brasil em 2019, trouxeram um dos shows da tour de aniversário do álbum para Carioca Club em São Paulo. E quando se pensou que já estava sensacional, foi a vez de “Death Magick for Adepts“, faixa do poderoso álbum “Midian“.
Senti falta de algumas faixas? Siiiim, mas foi magnifico ver o CRADLE com tanta força e energia e trazendo uma apresentação devastadora. E para coroar esta infernal apresentação, foi a vez da maravilhosa “Her Ghost in the Fog“, um dos clássicos absolutos da banda, também cantanda em coro pelo publico. Sendo perceptivel a emoção do público, de diferentes gerações.
De forma geral, foi algo surreal e apreciado pela plateia da forma que deveria ser: Casa lotada, moshpit, todos cantando juntos e realizados por estarem ali ( me incluo nesta).
Sobre o que aconteceu depois, ainda não se sabe comos será o futuro da banda.
No Domingo, a banda já estava na Argentina e chegam as noticias sobre a saída da tecladista Zoë Marie Federoff, e uma possível saída de mais um integrante da banda, o guitarrista Marek “Ashok” Smerda, que deverá sair da banda em breve.
Um choque para quem esteve presente no evento. Especula-se que as coisas já não estavam boas no palco. Uma tour tão extensa e com pouco tempo para descanso, as pessoas se estranham mesmo. Mas desejo do fundo do coração que as coisas se resolvam e possam voltar mais e mais vezes ao Brasil e a nossa querida América Latina.
Enfim, é isto, foi mágico, bonito e muito especial todo o evento. Parabéns a casa, ao público, a NDP e todos os envolvidos na organização desta produção memorável.
Setlist – CRADLE OF FILTH
1 – To Live Deliciously
2 – The Forest Whispers My Name
3 – She Is a Fire
4 – Malignant Perfection
5 – The Principle of Evil Made Flesh
6 – Heartbreak and Seance
7 – Nymphetamine (Fix)
8 – Born in a Burial Gown
9 – White Hellebore
Bis/Encore
10 – Creatures That Kissed in Cold Mirrors / The Monstrous Sabbat (Summoning the Coven)
11 – Cruelty Brought Thee Orchids
12 – Death Magick for Adepts
13 – Her Ghost in the Fog


