The Path nasceu em 2011 como um grupo de amigos com interesses comunitários por cinema de terror e metal. Entre diversas mudanças na formação e uma perda forçada pela pandemia, apresentamos agora um EP mais técnico e maduro, inspirado em filmes e séries de autor que transcendem apenas as vísceras.
A banda recupera força com um EP que equilibra brutalidade e técnica, fundindo terror cinematográfico com um som mais polido. O grupo mantém sua essência, alimentado por influências pessoais e uma linha visual sólida que reforça sua identidade.
Pepe: Nós — você e eu — começamos todo esse projeto… Você se lembra de como foi a primeira vez que o Toño entrou?
Marco: Sim. Eu não tinha uma banda ativa; eu tinha um projeto anterior que não tinha dado certo. Eu tinha 17 anos quando me apresentaram a ele. Eu não tinha nenhuma expectativa; nós apenas fomos nos encontrar, e no fim das contas nossas ideias se encaixaram perfeitamente: filmes de terror, ideologias obscuras… Daí em diante, tudo combinou, e ainda estamos juntos hoje.
Afrika (CEP): Qual seria a filosofia do The Path?
ÉriK: O The Path é um acúmulo de ideias. Começou com o Pepe, depois a Yema e o Daniel entraram. Gostamos de metal, mas nossas letras giram em torno do terror: filmes B, Z e filmes de arte. Cada um traz seus próprios gostos, e no final, o que refletimos é “terror e caos”.
Afrika (CEP): Eu já tive o prazer de ouvir você antes. E agora, ouvindo o EP, notei coisas novas. Que mudanças (musicais) ocorreram no LP?
Érik: Queríamos um som mais técnico, limpo e “maduro”. Até as letras evoluíram: em vez de evocar apenas terror cru, falamos de filmes com conotações mais filosóficas.
Afrika (CEP): Em que as letras foram inspiradas?
Éric: “Chaos Reign” é baseada em Antichrist, de Lars von Trier, enquanto “Vermin” é uma homenagem direta a The Warriors (1979). Essas são referências que conhecemos bem e queríamos capturá-las fielmente.
Afrika (CEP): Agora, nosso novo guitarrista chega… Qual você considera sua contribuição para essa nova fase do The Path?
Yema: Quando entrei, as músicas ainda estavam em andamento. Eu venho do Heritage e toco baixo; trouxe nuances muito diferentes. Além disso, minhas influências externas ajudaram a complementar a abordagem madura que eles já tinham. Foi uma adaptação imediata.
Afrika (CEP): Falando em história, o The Path começou em 2011 e teve várias mudanças na formação… Como isso influenciou sua evolução?
Marco: Embora o grupo principal — Éric, Pepe e eu — tenha sido o núcleo por 12 anos, durante esses períodos de mudança houve pausas e desafios (profissionais, mudança para uma nova cidade, etc.). Cada vez que nos reunimos novamente, adaptamos nossa maturidade pessoal ao som da banda.
Afrika (CEP): Para onde essa transformação sonora está indo?
Érik: Não estamos abandonando nossa essência; estamos simplesmente adaptando novas experiências e influências. Queremos que as composições futuras reflitam esse crescimento, mas sem perder a “essência” que nos define. No futuro, planejamos lançar um álbum completo nessa mesma linha e aspiramos tocar em grandes festivais.
Afrika (CEP): Vocês já receberam propostas de promotores?
Érik: O EP foi lançado há apenas uma semana e, até agora, o anterior foi um “talvez”. Esperamos que esse som abra portas; estamos “abertos, promotores, estamos aqui”.
Afrika (CEP): Eu sei que você é designer gráfico (referindo-se à Yema). Em relação ao visual, como você abordou o design gráfico do EP?
Yema: Como fã do The Path e designer, entrei a bordo para traduzir a ideologia da banda em produtos: camisetas, cartões-postais… O conceito vem da letra — terror e caos — simbolizada por um corvo que personifica o medo humano.
Afrika (CEP): Você pode explicar melhor esse conceito?
Yema: O corvo evoca o medo como uma emoção universal. Inspirados pelo Anticristo, queríamos que a imagem fosse mais do que um logotipo: que transmitisse aquela liberdade sombria que exploramos nas músicas.
Afrika (CEP): Algo que você gostaria de acrescentar antes de encerrar?
Todos: Esperamos que vocês gostem do EP. Colocamos suor, lágrimas e anos de esforço nele — a COVID-19 nos parou por cinco anos — mas valeu a pena. Mais surpresas incríveis em breve.


