Com Booking de Som do Darma e produção de Caveira Velha Produções, a noite mágica do Doom aconteceu para os fiéis no La Iglesia. O tratado de culto as sombras estava feito e o ritual iria começar.
Poderia ser uma sexta feira qualquer, mas não foi. Com ínicio na recepção a Robert Lowe e sua esposa Anita Lowe, por Susi e Eliton Tomasi (Som do Darma) no aeroporto dias antes, almoços e confraternização. Posterior a esta recepção, na quarta Robert Lowe (08/04/2026) esteve no Gruta Rock Bar em Santo André, no ABC. Para um meet and greet, que virou uma noite de karaokê com participação por exemplo, da vocalista Carol Poison, da Weedevil já trazendo indicios da vindoura apresentação. Inclusive, a que viremos falar a seguir, desejo que seja a primeira de muitas de Robert Lowe no Brasil.

No dia seguinte, quinta – 09/04/2026, conforme programado ocorreu na loja de discos London Calling, a tarde de autografos com fãs e admiradores e a noite, no The Metal Bar, a coletiva de imprensa.
Robert estava acompanhado a mesa, por Paula Jabur (Midgard), Marcelo Loss (Loss) e os músicos da banda de suporte: Fábio Carito (baixo) e Bruno Luiz ( Guitarra).

Após trazer este preve prelúdio, então falemos sobre as apresentações;
Pontualmente às 20:00, o Midgard já estava no palco para inicio de sua apresentação e a medida que as canções iam sendo tocadas, a casa ia enchendo, dado que em tal momento já estava mais dificil circular pela casa. Com um setlist de aproximadamente 40 minutos, Migdgard iniciou a sequência com “Pearls To The Pigs“,esta é sempre requisitada no set da banda. Indispensável, já nos primeiros acordes foi possível sentir que o som da banda estava diferente, com ainda mais peso/punch.
O teclado de Miño Manzan estava mais sombrio que nunca, trazendo a atmosfera soturna necessária.
Percebi o som mais cheio e mais intenso.

A banda recentemente passou por uma mudança em sua formação. Sendo esta apresentaçao já com nova formação em São Paulo, que agora conta com novo baixista, o talentosíssimo Jhow Moura.
Foi esta também, a primeira vez que pude ver ao vivo os guturais de Paula Jabur, que trouxe esta magnifica surpresa ao mesmo tempo que fortaleceu a dinamica das vozes com Omar Resende, em uma sensacional combinação de vozes. Omar que por sua vez trouxe muita energia com sua guitarra e riffs cheios de feeling.

Na sequência, foi a vez de “Self Liberty“, do álbum “From The Ashes“(2005), tocada com energia, riffs  e um solo certeiro. Canção soturna, que antecedeu “Another Day“, do disco “Verdugos” (2024). Outra canção sempre requisitada no set da banda. Na sequência foi a vez de “Dark Feeling Of Sadness“, do EP “Echo Fractum” (2025), que com a sua atmosfera sombria e a combinação de vocais limpos e guturais de Paula, trouxeram o climax do set até aquele momento, que em alguns instantes me fez lembrar até o My Dying Bride. De forma vigorosa, a bateria de Julio “Tio Chico” deu o tom da condução enquanto os graves do baixo de Jhow Moura contornavam e amarravam a cozinha, de uma forma que não ficou ponta solta.

Após esta jornada épica, foi a vez de “Black Sunrise“, a homenagem do Midgard ao Kreator, que quando anunciada, causou espanto em parte da plateia, que imaginou que a banda fosse tocar Thrash Metal ( risos). Mas que foi surpreendida de forma muito positiva, assim que começou a rolar e a platéia então entendeu o contexto da presença desta canção no setlist. Pesada e arrastada, trouxe a personalidade “Doom Metal’ da canção e principalmente uma performance robusta com a assinatura da banda.

Já próximo ao final do set, foi a vez de “When Darkness Fall“, que nesta noite especialíssima pode contar com a presença de duas grandes lendas da cena Metal BR, Alex Voorhees (vocalista do Imago Mortis) e Ronaldo Simolla (ex-Delpht), que participam da canção que está no EP “Echo Fractum” (2025).
De forma brilhante e com o entusiasmo de Voorhees tornaram aquele o ápice da noite, que também participou em “Wild Walkers“, do álbum “Verdugos“(2025), que por sua vez encerrou o set. De linha mais épica, esta canção encerrou com chave de ouro a apresentação do Midgard que agradou em muito os ali presentes.

E para os amantes do “Rock Triste’, a noite estava perfeita, desde antes do Midgard subir ao palco, a playlist que tocava no sistema de som do La Iglesia já empolgava, com passagens pelo Doom/Gothic e Post Punk dos anos 80 e 90. E posterior a apresentação assim se seguiu: Moonspell, Type O Negative, The Cure, Joy Division, Siouxsie & The Banshees, The Sisters Of Mercy, Bauhaus e por ai vai […].

Pontualmente às 21:00, o Stoner Rock chegou para dominar o palco, o mineiros do Loss, oriundos de Belo Horizonte ( A capital mundial do Metal) subiram ao palco e entregaram além de muito carisma, entregaram também uma baita presença de palco e agitaram a galera. Definir somente como Stoner, é demasiadamente errôneo, a banda possui elementos diversos em sua sonorodade, tendo groove e em alguns momentos uma levada até dançante. Me surpreendeu pois ainda não tinha tido a oportunidade de assistí-los ao vivo. Em 2025 a banda fez uma tour na Europa para divulgar o seu álbum, o “Human Factor” (2025). Neste clima de descontração, o fator humano frente às máquinas se fez prevalecer.

Com a intro “Reboot“, todos os sistemas foram ligados e a banda impiedosamente já chegou com gás total. “Life Show“, veio com aquela veia clássica do Stoner Rock, empolgou de primeira e sem cerimônia lançou esta pedrada. “Burn Inside, manteve o nível e a temperatura, com vocal e instrumental impecáveis. Por sua vez, “Human Factor“, canção que dá nome ao álbum lançado em 2024. Trouxe uma veia já mais aproximada do Thrash Metal. Baita canção aliás!!! O refrão por algum motivo me fez lembrar de Dr Sin, sei la por que raios ou pode ter sido só viagem minha. Com uma guitarra ali em “Symphony Of Destruction” do Megadeth, que doideira! Muito phoda!

Por sua vez, o público já havia sido conquistado e ouvia se bons comentários sobre a banda, sua qualidade sonora e como o público foi surpreendido pela apresentação. “Segredos“, a primeira em português no set, foi a escolhida da vez e cativou o presentes. A esta altura ao olhar para o técnico de bateria que estava ao lado do palco, percebia o seu desespero (risos). Destaco aqui que, o baterista Teddy Bronsk, a cada levada na bateria “amassava”o instrumento. Com energia e sem piedade, empenhou com técnica e energia a sua própria performance. Aliás, monstruoso!!!
Retificando que, Adriano Avelar ( Guitarra), deu show também. Esplêndido guitarrista. Sem deixar de mencionar a performance vocal e instrumental de Marcelo Loss, que além de cantar muito domina com maestria as cordas graves, formidável vocalista e baixista. O trio num todo é muito técnico, tocou muito tranquilo e a vontade, já podendo dizer que estavam em casa.

In My Mind“, veio na sequência!!!! Que riff e que canção poderosa!!!! O Stoner se mostrou a que veio. Se o nível já estava alto ficou ainda mais. Nao sei se é cedo demais para dizer, mas até o momento do show foi a que mais me chamou a atenção. Sensacional!!!!
Até Quando‘, teve sua vez. Canção importante de combate ao racismo, foi recebida com palmas pelo público que rapidamente assimilou a mensagem e bradou “Fogos nos Racistas!”.
Hold Me” e “Leaving” antecederam a derradeira “To The Storm“, que fechou com chave de ouro a apresentação. Sobre a “Leaving“, a banda relembrou e sua passagem pela Europa, que tocaram no mesmo pub que o Iron Maiden iniciou sua trajetória, simplesmente fantásticos.
Loss fez uma apresentação forte e que com certeza ganharam ali, novos fãs.

Por fim, às 22:20, a música cessou e as luzes se apagaram – era então chegada a hora do anfitrião da noite se fazer presente. Rodrigo Abelha ( bateria) foi o primeiro a subir ao palco, Bruno Luiz ( Guitarra), subiu na sequência, acompanhado por Fábio Carito (baixo). Por último e a capela cantando “Samarithan”, subiu ao palco Robert Lowe, o lendário vocalista do Solitude Aeternus e Candlemass. Muito simpático e cordial, vem ao Brasil apresentar seu trabalho com o Disciple Of Doom.
Emperor of the Void( Candlemass), arrepiante iniciou os trabalhos. “The 9th Day“(Solitude Aeternus) veio na sequência. Robert dominou o palco e sentia a música. Com gestual que parecia conduzir um grande concerto, demonstrou o maestro que é. Interagindo com o público, se divertia enquanto que ao mesmo tempo, reverenciava o público que retribuia a reverência com gritos e exaltação ao seu nome.
Lament” do Solitude Aeternus veio a seguir e foi cantada a plenos pulmões pelo público.

Rodrigo, Fabio e Bruno também deram show, músicos conhecidos do cenário Metal BR entregaram muita precisão e um andamento incrível. “Devil’s Seed” do Candlemass não poderia ficar de fora, com seu refrão marcante, com certeza é uma das canções mais memoráveis da passagem de Robert Lowe pelo Candlemass, na minha singela e humilde opinião.
The Sound of Dying Demons” do Candlemass, lisergica, levou o público a um estado de transe e nesta hora as cabeças batiam em sincronia.E um fato interessante é que esta foi a primeira vez que esta canção foi executada nos palcos. No La Iglesia tivemos o privilegio de vivenciar isto.

Tomorrows Dead” e “Hourglass“,  vieram na sequência. Em “Houglass” uma bateria quebrada sensacional, trouxe um Epic Doom dos deuses. que se manteve tambem em “Destiny Falls to Ruin‘ e “Scent of Death” se fazendo presentes e concluindo uma sequência épica de sons da era Solitude Aeternus.
At the Gallows End” por sua vez foi também bastante celebrada e se encaminhando para o fim, foi a vez de “Hammer Of Doom“, que na minha singela opinião já se tornou um clássico. Todo mundo cantou junto. E assim foi a dobradinha de Candlemass.  Como nem tudo que é bom dura para sempre, foi a vez da derradeira “Opaque Divinity” do Solitude Aeternus.

Ao decorrer do show, o publicou clamou por “Solitude“, porém ela não estava no set.
Como compensação, em um breve alinhamento a banda decidiu no bis, tocar um outro clássico, desta vez, “Heaven And Hell“, do Black Sabbath e o público fez bonito, cantou de forma uníssona.
A esta hora eu já estava preocupado com o horário do metrô, mas não poderia perder e digo-lhes, valeu demais aguardar a conclusão deste clássico.

De forma geral, foi sensacional, histórico e memorável!!!
Que esta seja a primeira de muitas vindas de Robert Lowe ao Brasil. Gentil e muito simpático fez jus ao porquê  é tão aclamado. Uma performance que preenche o palco, a acolhida aos fãs e um talento imensurável. Grande voz, uma das maiores do estilo e de generosidade ímpar.
Algo que nãpo pode deixar de ser citado é como o público retribuiu todo o carinho:
Casa lotada sem espaço para andar, todo mundo cantando e se divertindo junto com as bandas.
Menos o técnico de bateria que já estava com dúvidas se haveria bateria pós show (risos), pois Tio Chico, Teddy e Rodrigo foram bem contundentes e eu não queria estar na pele da caixa da bateria (me perdoem pelo trocadilho besta). Foi uma noite onde o Metal, principalmente o Doom foi celebrado.
Pessoas de várias gerações estiveram presentes. Veteranos e nova geração unidos, e seguindo um único sentido –  o de comemorar as grandes lendas e prestigiá-los. E Robert Lowe merece sim ser celebrado por seu talento e história dentro do Metal.

Nossos agradecimentos a todos(as), os (as), envolvidos(as), presentes e público em geral.
Veio gente do Rio de Janeiro para prestigiar o evento em São Paulo, uma vez que por questões de logistica, infelizmente a data foi cancelada no Rio.
Som do Darma e Caveira Velha, gratidão pela parceria e parabéns por esta maravilhosa produção, realização e organização. Parabéns pela escolha do line up, acertaram em cheio.

Noite singular!!!!!!

Sobre o show do Robert Lowe em Sorocaba/ SP, em breve estará disponível aqui no site, a cobertura realizada pelo Cultura Em Peso na cidade, no Devils Pub.

Abaixo os vídeos com trechos das apresentações: