O Enforcer recordou em Córdoba como o heavy metal é vivido

Uma quarta-feira de verão, na cidade de Córdoba, normalmente não é sinônimo de heavy metal, mas o Enforcer decidiu mudar isso, escolhendo a cidade mediterrânea como ponto de partida da  turnê “Unshackle Latin America 2026“.

Uma consulta que valeu a pena encurtar a semana. O Club Paraguay começou a lotar sem pressa, com aquele clima estranho que ocorre quando o concerto cai no meio da semana, mas ninguém parece preocupado com o dia seguinte.

@garciagarra para Cultura Em Peso

 

As bandas locais garantiram que a noite começasse de verdade.
Finish Him, Torke e Kopesh entraram para tocar como se não houvesse “banda de abertura”. Soavam fortes, confiantes e com uma ideia bastante clara: demolir o lugar. Não houve especulação na proposta violenta e brutal que todas as bandas apresentaram. A multidão respondeu e o local já estava quente quando chegou  a vez do Enforcer.

 

O início foi direto para o queixo.

“Destroyer”, “Undying Evil” e, a partir daí, sem turnos. O Enforcer não perde tempo explicando qual é a banda ou o que ela vai fazer. Comece e pronto. O show seguiu assim a noite toda: música após música, sem longas pausas, sem enchimento.
O som é claro, poderoso, equilibrado. Tudo foi compreendido e tudo se encaixou. Algo que parece básico, mas que nem sempre acontece. Desta vez sim, e o programa cresceu muito por causa disso. Heavy metal, quando soa bem, é apreciado duas vezes mais.

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Olof Wikstrand ficou confortável desde o primeiro minuto. Ativo, sorridente, grato. Sem pose forçada. Em certo momento, ele lembrou que , dez anos atrás, o Enforcer jogou pela primeira vez em Córdoba, e o comentário soou naturalmente, sem sublinhar. Dava para perceber que a banda estava à vontade no palco.

O set passou por diferentes climas, sempre com intensidade. “Nostalgia” soou forte, irônica no melhor sentido: Enforcer pega o clássico, mas não para ficar olhando para trás, mas para tocá-lo como algo atual, vivo, sem solenidade.

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Depois de “Take Me Out of This Nightmare”, que parecia o encerramento definitivo, a banda voltou e lançou um dos melhores do show: perguntar o que as pessoas queriam ouvir. “Katana” e “Midnight Vice” foram tocadas à mão livre, esta última fora da lista, como presente para quem estava lá.

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A visita do Enforcer a Córdoba deixou uma coisa clara: quando uma banda apresenta um conceito firme e o executa sem hesitar, o show transcende a data. Foi uma demonstração de que o heavy metal clássico ainda faz sentido quando tocado com convicção e presença.

Essas apostas precisam de uma audiência, de um corpo, de uma presença real. As bandas e produções fazem sua parte vindo para cá. Por outro lado, a cena precisa responder. Não com discursos ou nostalgia, mas estando lá.

Porque noites como essa não são suficientes. E quando isso acontece, vale a pena prestar atenção neles.

@garciagarra para Cultura Em Peso

Agradecemos à produção do programa por nos permitir fazer parte deste evento!

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