1. Muito obrigado pelo tempo cedido para a equipe da Cultura em Peso. Você pode nos contar como se deu o início do seu projeto PERSEVERA?

Eu que agradeço pelo espaço! A Persevera nasceu durante a pandemia, em 2020, mas não foi exatamente por causa dela. Na verdade, foi uma coincidência. Já fazia tempo que eu vinha compondo riffs e ideias de guitarra em casa, usando um pedal de loop station da Boss. Acabei acumulando 25 músicas — só as linhas de guitarra. Quando terminei a 25ª, senti que precisava levar aquilo adiante. Inicialmente, o plano era só gravar de forma profissional em estúdio. Mas depois de ouvir o resultado da primeira música pronta, vi que dava pra ir muito além e transformar o projeto em uma banda de verdade. Foi aí que chamei meu primo Paulo (vocal), que já tinha tocado comigo anos atrás, e ele me apresentou ao Thadeu (baixo), que nos apresentou ao Claudio (bateria e também dono do estúdio onde gravamos). A sinergia rolou naturalmente e a banda nasceu assim.

2. Gostaria de saber como vocês se definem. Eu particularmente achei o trabalho de vocês voltado para o Heavy Metal com pitadas de NWOBHM. Vocês concordam comigo?

Concordamos sim! É uma leitura bem próxima do que a gente faz. As músicas são um reflexo direto das minhas influências — que vêm justamente dessa pegada: Helloween, Iron Maiden, Iced Earth, Metallica, Slayer, entre outras. Então naturalmente o som carrega esse DNA do Heavy Metal tradicional com elementos da NWOBHM, mas também com algumas pitadas de Thrash e Power Metal em certas faixas. A gente não se prende a rótulo, mas sem dúvida essas são as raízes.

3. “Genesis” é o seu novo lançamento. Como se deu o processo de registro deste material?

Genesis foi construído ao longo do tempo. Como falei, as bases das músicas já estavam prontas, então o desafio foi transformar aqueles riffs em músicas completas. O processo foi bem caseiro, mas com um resultado profissional. Primeiro, eu gravava as ideias e mandava pro Claudio, que criava e gravava a bateria. Depois eu ia pro estúdio gravar as guitarras, o Thadeu gravava o baixo e, por fim, o Paulo encaixava os vocais. Algumas letras eu já tinha; outras foram surgindo no caminho, inspiradas em questionamentos pessoais, livros, filmes e até temas bíblicos, como os quatro cavaleiros do apocalipse. Lançamos as faixas como singles e depois reunimos tudo no álbum Genesis, que ainda recebeu uma nova mixagem, deixando o som mais limpo e presente.

4. Gostamos muito da qualidade sonora alcançada por vocês. Suponho que o trabalho em estúdio tenha sido muito tranquilo. O que você pode nos falar sobre esta etapa, até chegarmos no lançamento propriamente dito?

O trabalho no estúdio foi muito fluido, principalmente porque gravamos no estúdio do nosso próprio baterista, o Claudio, o que deixou tudo mais à vontade. Como cada um já sabia seu papel no processo, a gente foi gravando em etapas, sem pressa, mas com foco total. Às vezes levava uma música por semana, outras vezes duas ou três. Não teve correria. E como o Claudio também é muito bom na parte de gravação e mixagem, conseguimos alcançar uma sonoridade que nos deixou muito satisfeitos. Tivemos também o cuidado de remixar os primeiros singles, pra manter uma unidade sonora no álbum completo.

5. Danilo, eu adorei as linhas mais agressivas compostas por vocês. Como funciona o seu processo de composição, neste sentido?

Valeu! O processo sempre começa com a guitarra. Eu nunca fui muito fã de tirar músicas dos outros, então desde o começo o que me motivava era criar. Tenho esse hábito até hoje: sento, ligo a guitarra e começo a improvisar. Quando encontro algo que me agrada, gravo no pedal de loop e vou construindo em cima. Às vezes sai um riff mais direto, outras vezes algo mais melódico. Mas confesso que gosto muito de riffs com pegada, com energia — talvez por isso essa sonoridade mais agressiva apareça em várias faixas. Depois que a base está pronta, começo a pensar em possíveis temas pras letras e, com a banda, vamos moldando tudo junto.

6. A arte da capa é bem diferente, fugindo do padrão que estamos acostumados. Qual a mensagem que você quis transmitir com ela?

A ideia da capa de Genesis era justamente fugir do óbvio. Como o álbum fala muito sobre início, sobre origem — tanto da banda quanto de reflexões existenciais —, queríamos algo simbólico, que desse margem pra interpretação. A figura central remete a algo ancestral, quase místico, e ao mesmo tempo moderno. A intenção foi provocar curiosidade e criar uma identidade visual própria, sem se apoiar em clichês do metal tradicional.

7. Imagino que você já deva estar trabalhando em novas músicas. Poderia nos adiantar como elas estão soando?

Sim! Já estamos com o segundo álbum em fase avançada de gravação. Assim como no primeiro, vamos lançando as faixas como singles. A sonoridade segue a mesma linha, mas com mais peso e maturidade. A entrada dos guitarristas Luiz e Leandro trouxe novas ideias e possibilidades — isso agregou bastante ao som. As novas músicas continuam com riffs fortes, mas agora têm mais variações de dinâmica, alguns climas diferentes, solos mais elaborados… Está ficando bem interessante!

8. Vocês já estão prontos para excursionar por outras regiões do país? Falo isso, pois depois de escutar o seu material, fiquei curioso para vê-los ao vivo.

A vontade de tocar ao vivo é enorme! Mas até agora estávamos totalmente focados nas gravações. Como já começamos com muito material pronto, a prioridade era registrar tudo com qualidade. Mas com o segundo álbum quase finalizado, a ideia é começar a ensaiar e montar o show. Não vejo a hora de levar essas músicas pro palco — e claro, sair tocando em outras regiões seria um sonho!

9. Como você analisa o mercado fonográfico atualmente? Você acredita que o nicho que você faz parte permite espaço para novos nomes promissores, como é o caso aqui?

Acho que hoje o maior desafio é a atenção das pessoas. Com tanta oferta de conteúdo, tudo é muito rápido e descartável. Mas ao mesmo tempo, nunca foi tão acessível lançar música, divulgar seu trabalho e alcançar gente do outro lado do mundo. Então sim, acredito que há espaço para novas bandas, mas é preciso perseverança (sem trocadilho) e consistência. A gente sabe que não é fácil, mas temos recebido mensagens de pessoas de fora do Brasil comprando nosso CD, descobrindo a banda por acaso e elogiando o som — isso mostra que, com dedicação e autenticidade, é possível chegar lá.

10. Mais uma vez obrigado pelo tempo cedido ao site Cultura em Peso. Agora o espaço é seu para as considerações finais.

Muito obrigado pelo convite e pelo interesse no nosso trabalho. Pra gente, que é uma banda independente e nova na cena, entrevistas como essa fazem muita diferença. Seguimos firmes no propósito de lançar música com qualidade e conteúdo. Quem quiser acompanhar a banda pode nos seguir nas redes sociais e nas plataformas digitais. Em breve tem mais novidades, mais lançamentos e, se tudo der certo, os primeiros shows ao vivo. Um abraço a todos que acompanham o Cultura em Peso!

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