– Muito obrigado pelo tempo cedido para a equipe da Cultura em Peso. Você pode nos contar como se deu o início do seu projeto GAIABETA?
Resp. Olá. Eu que agradeço em nome de toda a banda pela espaço. Valeu! Bom, eu percebi que estava tendo uma corrida grande por parte de muitos artistas para fazer “metal moderno” então, sai da banda que estava (que inclusive o líder fundador insistia em manter no projeto um nome que já existia em uma banda europeia risos). Usei essa justificativa, saí e decidi resgatar o tipo de som que marcou minha adolescência.
– Gostaria de saber como vocês se definem. Eu particularmente achei o trabalho de vocês voltado para o Heavy Metal com pitadas de NWOBHM. Vocês concordam comigo?
Resp. Plenamente! Eu, Marcos, estava entrando na adolescência e respirava Maiden, Judas, Accept, Running Wild e pouco tempo depois, dei de cara com o Walls of Jericho, do Helloween. Ali meu destino musical estava selado (risos). Esses estilos exigem muito tecnicamente porém, parece que tem que ter também uma porcentagem de “alma” como ingrediente nas composições. Quando resolvi montar um projeto que atendesse minhas expectativas, não tive dúvidas do que fazer. E minha antiga gravadora de Portugal revelou que foi exatamente esse o motivo de nos querer eu seu cast pois, segundo eles, já havia o burburinho entre selos e artistas europeus que o público que mais gasta dinheiro nos festivais dava demonstração de um certo saudosismo pelo estilo, já que os grandes estavam em vias de se aposentar.
– “Gate of GaiaBeta” é o seu novo lançamento. Como se deu o processo de registro deste material?
Resp. Quando Kitaro veio para a banda, eu já tinha gravadas 3 canções (canções essas que estão no album físico como faixas bônus). Ele já estudava produção, mixagem etc. Então, como ainda faltavam algumas faixas para gravar e finalizar o album, eu achei que seria uma boa aposta deixa-lo à cargo disso. Com a com minha supervisão é claro, pois ele é mais conhecedor de Metal Moderno do que do som que eu estava compondo. Deu certo!
– Gostamos muito da qualidade sonora alcançada por vocês. Suponho que o trabalho em estúdio tenha sido muito tranquilo. O que você pode nos falar sobre esta etapa, até chegarmos no lançamento propriamente dito?
Resp. Sim, foi tranquilo. Eu e Kitaro nos damos muito bem e a tecnologia facilitou muita coisa. Nós temos nossos home Studios e quando nos reuníamos já tínhamos alinhado o que fazer. No início tivemos alguns empecilhos do tipo: faze-lo entender como deveriam soar as canções e fazer o baterista aceitar e entender o “porque” dos meus arranjos de bateria já que ele também queria dar uma modernizada (risos) mas logo ele entendeu que isso descaracterizaria as canções.
– Marcos, eu adorei as linhas mais agressivas compostas por vocês. Como funciona o seu processo de composição, neste sentido?
Resp. Muito obrigado! Bem, música pra mim é mais do que execução técnica… é um catalizador de emoções então, raiva, amor, ódio, tristeza todos esses sentimentos podem ser explorados por todos, principalmente pelo vocalista. Quando componho, começo pela melodia. É ela quem vai dizer como a voz será direcionada. Penso que a canção onde mais explorei registros de voz diferentes foi em A SAD STORY. O início e o drive usado no refrão após os solos fez muita gente perguntar sobre os “feat’s”, (risos).
– A arte da capa é bem diferente, fugindo do padrão que estamos acostumados. Qual a mensagem que você quis transmitir com ela?
Resp. Eu diria “mensagens” (risos). Primeiro, que não somos “metal espadinha”. Segundo, dar um descanso às imagens dos Vikings, dragões e ao mesmo tempo valorizar nossa cultura, como pode ser percebido na canção INNOCENT LAND, onde são descritas algumas divindades do panteão indígena local. Por último e mais importante, o indígena simboliza inocência, pureza… ninguém melhor que um deles para ser guardião do portal místico.
– Imagino que você já deva estar trabalhando em novas músicas. Poderia nos adiantar como elas estão soando?
Resp. Sim. Já tenho compostas 4 canções, entre elas uma balada e as outras mais pesadas e rápidas do que as do album porém, resolvi dar uma pausa para me concentrar na divulgação do album e também ficar atento à receptividade do público… saber se querem músicas diferentes ou que mantenha o padrão atual. Pelo que estou vendo, realmente a aceitação do público tem sido muito boa.
– Vocês já estão prontos para excursionar por outras regiões do país? Falo isso, pois depois de escutar o seu material, fiquei curioso para vê-los ao vivo.
Resp. Sim. Estamos pronto e ansiosos. Temos apresentações até o final do ano aqui em nossa região e buscando recursos para irmos às outras regiões, em especial o Sudeste, pois é de lá que vem os principais convites. Temos convites para Argentina e Europa mas a logística pra isso requer mais cuidado e parcerias. Não podemos nos lançar de forma desorganizada. Estamos em busca de um manager exatamente para isso.
– Como você analisa o mercado fonográfico atualmente? Você acredita que o nicho que você faz parte, permite espaço para novos nomes promissores, como é o caso aqui?
Resp. Infelizmente grandes nomes estão parando ou em vias de parar e isso deixa uma lacuna que pode e deve ser ocupada por aristas que buscam seus lugares ao sol. Isso é um processo normal e natural e estamos aqui pra isso (risos).
– Mais uma vez obrigado pelo tempo cedido ao site Cultura em Peso. Agora o espaço é seu para as considerações finais.
Resp. Agradeço em nome de todos da banda por esse espaço. Sem a mídia alternativa o underground nem existiria mais. Obrigado à nossa parceira MS Metal Agency. Nos sigam em nossas redes sociais. Quero reforçar o aviso de que estamos em busca de um manager para que possamos cruzar fronteiras. Obrigado a todos!

