Fjords

Os Fjords foram responsáveis por abrir o segundo dia do Rock dos Romanos de forma completamente diferente do que o público tinha vivido na véspera. Depois de um primeiro dia dominado pelo punk e pela descarga imediata de energia, a banda trouxe um início mais contido, construído em camadas e focado sobretudo na criação de atmosfera.

A atuação assentou numa lógica de construção progressiva, onde a dinâmica ia crescendo lentamente até atingir momentos de maior intensidade. Mais do que impacto imediato, o concerto apostou numa sensação quase cinematográfica, como se cada tema fosse uma viagem em desenvolvimento constante. A música respirava, expandia-se e puxava o público para dentro de um espaço mais introspectivo.

Mesmo num contexto de festival, os Fjords conseguiram criar uma experiência emocional e instrumental muito própria, alternando entre passagens mais minimalistas e explosões controladas de som. Foi uma abertura que privilegiou o ambiente acima de tudo, preparando o terreno para um segundo dia que prometia escalar em peso e agressividade de forma gradual.

Setlist:
Virgilio
Inferno
Purgatório
Paradiso
Dagon


Hazing Lungs

Os Hazing Lungs vieram com um psicadelismo sujo, intenso e profundamente hipnótico. Desde o início, o concerto assentou numa repetição quase contínua, com pouca pausa entre ideias e uma construção que puxava o público para dentro de um estado de absorção total.

 

Grande parte da identidade do concerto viveu dos loops de guitarra, sempre em movimento circular, enquanto a bateria segurava o groove com firmeza, criando uma base densa entre o stoner e um psych rock mais “fumado” e pesado. Essa combinação dava ao som uma sensação de viagem lenta, mas constante, onde tudo parecia evoluir sem nunca quebrar o fluxo.

Apesar de um som pouco polido, a atuação ganhou força precisamente nessa crueza. Havia autenticidade em cada camada sonora e uma ligação direta com o público, que foi entrando gradualmente neste ambiente hipnótico.

Setlist:
Psilocybians
Hazing Lungs
Boulder
Mason’s Jar
Mycelial Expansion


Flood In Belief

Os Flood In Belief trouxeram um aumento imediato de peso e intensidade, marcando uma mudança clara de energia no segundo dia. Depois das viagem mais hipnóticas, o ambiente foi rapidamente puxado para um registo mais agressivo e direto.

A atuação assentou em riffs pesados e muito “tight”, sustentados por uma bateria forte e precisa, criando uma base sólida para momentos de explosão bem definidos. As dinâmicas típicas de metalcore e post-hardcore foram exploradas com eficácia, alternando entre contenção e descarga total, sempre com controlo e impacto.

Em palco, a banda mostrou uma presença firme e focada, conduzindo o público com naturalidade para uma resposta física imediata. Uma verdadeira descarga de energia controlada – intensa, direta e sem hesitações.

Setlist:
Flood in Belief
Mortal Husk
Metanoia
Roots Bloody Roots (cover de Sepultura)
Chosen None
Devil’s Den


Alpha Warhead

Desde o primeiro minuto, a banda entrou em modo de ataque contínuo, sem espaço para pausas ou qualquer tipo de alívio.

A sonoridade foi diretamente inspirada no thrash clássico dos anos 80, com riffs agressivos, velocidade constante e uma energia que remetia para a fase mais crua de bandas como Slayer, Megadeth ou Metallica. Tudo foi executado de forma direta ao ponto, privilegiando impacto e agressividade acima de qualquer ornamentação.

Houve ainda um momento particularmente memorável em que um dos elementos da banda levou o espetáculo ao limite visual, simulando quase que a guitarra ia pegar fogo – embora, claro, não tenha chegado realmente a arder 😄. Durante um solo épico, ativou um efeito de fumo embutido no braço do instrumento, o que fez a guitarra começar a “esfumaçar” em pleno ataque sonoro, aumentando ainda mais a intensidade da performance e o impacto visual do momento.

Setlist:
Smoke and Mirrors
Apollyon
Paranoia
Outrage For Sale
Backfire
Cabin Fever
Code Red
Bullets Of Hate


Henriette B

A progressão dos temas foi feita de forma gradual e emocional, com cada música a ganhar mais profundidade à medida que avançava.

 

No plano instrumental, as guitarras assumiram-se como um dos grandes destaques de toda a noite. Longe de se agarrarem apenas a chugs genéricos, a dupla de cordas evidenciou um trabalho técnico extremamente apurado, capaz de fundir linhas melódicas com dinâmicas rítmicas mais quebradas, muito próximas do djent moderno.

Na frente de palco, a entrega do vocalista foi simplesmente imperial, alternando com enorme fluidez entre growls profundos e gritos desesperados, linhas que ecoaram com uma urgência brutal e visceral por entre o recinto do festival.


Jade

A atuação assentou sobretudo na construção de ambiente, com uma energia controlada e progressiva, onde cada canção foi ganhando forma de maneira natural.

Em palco, destacou-se a presença emocional da voz e a forma como os temas evoluíam ao longo da sua execução. Em vez de impacto imediato ou agressivo, a banda optou por uma abordagem mais melódica e coesa, criando espaços sonoros que se iam expandindo com calma e consistência.

Os refrões acabaram por ganhar uma força especial ao vivo, mais evidente do que em estúdio, ajudados pela dinâmica do próprio festival e pela entrega da banda. O resultado foi um concerto equilibrado, atmosférico e bem construído, mostrando um lado mais contemplativo e emocional dentro de um dia maioritariamente marcado pela intensidade.
Ao longo da atuação, surgiram alguns problemas técnicos pontuais, mas a banda conseguiu manter o foco e a fluidez do espetáculo, contornando as falhas sem que estas retirassem mérito à sua performance.

Setlist:
The Star’s Shelter
Light’s Blood
Shores of Otherness
Cascade
Dragged Fears & Drowned Bones
Ghastly Eyes
Darkness in Movement
A Flowery Dream


ADE

Os ADE trouxeram ao Rock dos Romanos um dos momentos mais cénicos e visualmente marcantes do segundo dia, assumindo desde o início uma postura claramente mais performativa do que apenas musical. A estética romana/imperial esteve presente em palco e ajudou a construir uma atmosfera de espetáculo quase ritualístico.

Mais do que um concerto tradicional, a atuação teve uma forte componente teatral, com uma presença visual dominante e uma energia que remetia para uma “banda de arena”. Cada gesto, cada entrada de tema e cada construção sonora parecia pensado para reforçar essa ideia de espetáculo épico, onde a música funciona também como encenação.

Ao longo da atuação, a banda interagiu bastante com o público, reforçando a ligação em palco e contribuindo para um ambiente ainda mais imersivo e participativo, com respostas constantes da audiência.

Foi um dos pontos altos do segundo dia, deixando uma sensação de espetáculo de grande escala e forte carga dramática.

Setlist:
Ave dis pater
Burnt before gods
Duelling the shadow of Spartacus
Vinum
Gold roots of war
Betrayer from Thrace
Sanguine pluit in arena
Silens trames
Suppress the riot
Mars unpredictable favour
Forge the myth
Empire
With tooth and nail
Veni vidi vici
Ad bestias
Carthago delenda est
Obsidio noctu


Lyzzärd

Os Lyzzärd foram os responsáveis por encerrar o festival Rock dos Romanos, assumindo o último concerto da edição com uma abordagem enérgica, direta e fiel à sua identidade de heavy metal clássico de inspiração 80’s.
A banda trouxe para palco uma sonoridade sólida, assente em riffs diretos, energia constante e uma postura sem grandes concessões, mantendo o público envolvido até ao último tema. A estética e atitude old school ajudaram a reforçar a sensação de encerramento em alta intensidade, com uma entrega consistente do início ao fim.

No final, o momento de despedida acabou por se prolongar mais do que o previsto, com a banda praticamente “obrigada” a tocar mais um tema, perante um público que claramente ainda não estava preparado para o encerramento do festival – ”MAIS UMA!”
O resultado foi um fecho espontâneo e enérgico, marcado por proximidade, intensidade e uma sensação de continuidade que fez o festival terminar em clima de celebração em vez de despedida abrupta.

Setlist:
Shackles of Justice
Queen of Vengeance
Jailbreaker
Rock n Roll
Stone Cold
Savage
Riders in the Dark
Viper’s Bite
Yakuza
Children Grave


No final, ficou uma espécie de nostalgia por ter chegado ao fim, mesmo depois de dois dias intensos de música. Ainda assim, o festival não terminou de forma abrupta, já que houve espaço para uma after party com Chaotic_th3rapy, perfeita para quem não estava realmente preparado para o fim da noite – ou do festival.

Para terminar, fica um agradecimento à organização Rock dos Romanos por nos receber mais uma vez com esta energia única e por continuar a dar palco a tanta música diferente, intensa e sem filtros. É sempre especial ver um evento destes a crescer com identidade própria e a manter viva esta ligação entre público, bandas e comunidade.

Cada projeto trouxe algo diferente, e foi precisamente essa diversidade que tornou o festival tão completo, passando pelo psicadelismo, punk e o metal mais pesado.

Um agradecimento também a todas as bandas que fizeram parte das nossas ”Backstage Talks”, pelo tempo dispensado e pela disponibilidade de todos em participar.🤘🏼

📄 & 📸 : @j.m_miranda | Jéssica Miranda

#RockDosRomanos #Condeixa #CulturaEmPeso #CEP #Portugal