
A banda Analepsy, formada em 2013 em Lisboa, construiu ao longo dos anos um percurso sólido no slam brutal death metal, combinando a brutalidade old-school com elementos mais modernos e melódicos. Desde os primeiros lançamentos, como Genetic Mutations, até aos álbuns Atrocities from Beyond e Quiescence, a banda tem evoluído de forma consistente tanto a nível técnico como composicional, afirmando-se no panorama internacional através de digressões pela Europa, Estados Unidos e Japão.

Ao longo dos anos, a banda passou por diversas alterações no seu alinhamento, sendo atualmente composta por Marco Martins (guitarra), João Jacinto (baixo), Calin Paraschiv (voz e guitarra) e Léo Luyckx (bateria). Foi esta formação que esteve na base do mais recente trabalho de revisitação do passado da banda, dando nova vida a composições originalmente lançadas no The Kraanialepsy Split (2017).
Com a revisitação desse material através dos singles “Cryogenic Rebirth”, “Doomsday Protocol” e “Sentient Decay”, Analepsy colocou os holofotes sobre a sua própria história, com uma abordagem mais madura, técnica e refinada, reforçando a sua identidade no panorama europeu e internacional do género.
Entre concertos e viagens, a banda conseguiu arranjar algum tempo para responder a uma breve entrevista connosco, onde procurámos perceber melhor esta fase. Da evolução sonora às experiências internacionais, passando pelos planos para 2026 e além, esta entrevista revela uma banda mais consciente, ambiciosa e preparada para o próximo capítulo.
1. Depois de mais de uma década de percurso, como descrevem a evolução da Analepsy até 2026?
Inicialmente tínhamos origens e influências mais cruas, tradicionais no género, mas com o tempo fomos moldando a nossa identidade para algo mais refinado, principalmente com bases científicas e cósmicas. Ao olharmos para trás, a evolução foi muito positiva; quando começámos, éramos muito novos e só queríamos tocar o que gostávamos, sem imaginar que a nossa música teria este impacto tanto a nível nacional como internacional.
Tivemos de nos adaptar rapidamente à reação do público, o que nos trouxe uma grande maturidade na forma como vivemos a música. Hoje a nossa visão é mais clara e trabalhada.
Mantemos a brutalidade que faz parte do nosso ADN, mas com um foco muito maior na precisão, em estruturas técnicas e na própria musicalidade e ambiência das composições.
Sentimos que estamos a fazer música com uma consciência mais evoluída, acompanhando também o nosso crescimento pessoal.
2. Como se sentem, como banda de origem portuguesa, por estarem a conseguir reconhecimento em vários países?
É incrível ver a nossa música ligar a ouvintes de todo o mundo. Embora sejamos agora uma banda composta por membros de vários pontos da Europa, fazemos questão de nos apresentar sempre como uma banda portuguesa. Foi onde tudo começou e é, obviamente, parte da nossa identidade.
3. De que forma tocar fora de Portugal e fazer digressões internacionais mudou a vossa abordagem como banda?
Essa internacionalização obrigou-nos a ser muito mais metódicos na forma como trabalhamos.
Como temos membros em vários países, o processo de composição e toda a gestão logística acontecem principalmente online. As tours ensinaram-nos a ser resilientes e a focar no que realmente importa, a música e a ligação com os fãs.
4. Houve algum concerto ou momento marcante na estrada?
Sem dúvida. Houve vários momentos que marcaram, principalmente a nossa primeira tour como headliner nos EUA e Canadá e a primeira vez que fomos ao Japão em tour em 2019.
Foram marcos enormes, principalmente pelo contraste cultural que sentimos. No caso dos Estados Unidos, atravessar o país de costa a costa e tocar em festivais como o Chicago Domination Fest foi inesquecível.
5. Como evoluiu o vosso som e a forma de compor desde os primeiros anos até agora?
Inicialmente, tudo era mais simples e mais direto, sem grandes floreados. No entanto, sempre tivemos um foco em trazer harmonias, melodias e solos para o género, coisa que muito poucos faziam na altura.
Embora o esqueleto ainda nasça de “jams”, hoje construímos camadas muito mais complexas por cima. Solos de guitarra, um grande foco nas linhas de baixo e influências que vão do metal clássico ao prog e até à música clássica, principalmente em certas composições no nosso último álbum, “Quiescence”. O objetivo é que cada momento, por mais brutal que seja, tenha uma intenção narrativa e propósito.
6. “Cryogenic Rebirth”, “Doomsday Protocol” e “Sentient Decay” nasceram do álbum The Kraanialepsy Split (2017). O que vos motivou a revisitar este material quase dez anos depois?
O motivo principal foi mesmo dar uma nova vida a essas composições mais antigas, que são anteriores ao nosso álbum de 2017, o Atrocities from Beyond. Sempre foram vistas um bocado como “B-Sides” e, como apenas tinham sido lançadas num split, achámos que fazia todo o sentido revisitá-las agora. Decidimos regravá-las e lançá-las enquanto estamos a preparar o nosso próximo álbum, que temos previsto para meados de 2027.
7. Como foi regravar temas compostos há quase dez anos com a maturidade técnica que têm hoje?
Foi algo diferente, sem dúvida. São músicas muito menos exigentes tecnicamente do que o que fazemos hoje, mas estão profundamente ligadas ao gene da banda. Quisemos dar-lhes um pouco mais de atenção sem mudar muito do original. Adicionámos algumas partes totalmente novas e demos-lhes aquele toque mais refinado que temos agora, mas mantivemos sempre a originalidade de quando foram criadas com o antigo lineup.
8. Há alguma faixa destes reworks que sintam que melhor representa a evolução da banda até agora?
Sim, sem dúvida. A quarta faixa, que ainda está por ser revelada, foi a que sofreu uma maior transformação, e pela positiva. Achamos que o resultado está muito mais maduro e muito mais atual, em linha com o que já estamos a preparar para o próximo ano.
9. Este ciclo de reimaginação fecha um capítulo ou ainda há surpresas guardadas?
Sim, fecha um ciclo muito importante para a Analepsy. Há grandes novidades para 2026, tanto a nível de concertos e tours, como algumas revelações que vamos fazer muito em breve.
Estamos a trabalhar afincadamente nos bastidores em tudo o que virá num futuro próximo.
10. Há uma tour prevista para 2026? Podem partilhar algumas datas ou países por onde irão passar?
Algo que infelizmente não podemos revelar para já, mas sim. Temos grandes novidades na calha. Estamos a trabalhar em tours que ainda não podemos divulgar, mas o plano é focar principalmente no próximo lançamento.
Depois das pistas deixadas ao longo da conversa, fica a expectativa para o que a Analepsy irá revelar nos próximos tempos. Com um novo ciclo a ganhar forma, marcado por evolução, reinterpretação e novas ambições, resta aos fãs aguardar pelas próximas novidades e por tudo o que a banda ainda tem para mostrar.
Fiquem a par de tudo o que está para vir:
Website: https://analepsy.pt/
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