Créditos: Anderson Nepomuceno

Em coletiva de imprensa realizada no dia 9 de abril de 2026, o lendário vocalista Robert Lowe, ex-Candlemass e Solitude Aeturnus, conhecido por sua trajetória marcante no doom metal, falou abertamente sobre seu mais recente projeto, o Disciple of Doom.

Ao lado de nomes ligados aos projetos Midgard e Loss, Lowe detalhou os caminhos que o levaram a essa nova fase criativa.

A coletiva foi produzida pela Som do Darma, com entrevista realizada no The Metal Bar, em Pinheiros, São Paulo. As fotos oficiais ficaram a cargo de Anderson Nepomuceno.

Sobre o nascimento do Disciple of Doom

Durante a coletiva, Lowe foi direto ao ponto ao abordar a origem do projeto:

Pergunta:
Como nasceu a ideia do Disciple of Doom?
About the Disciple of Doom project, how did this come about/start?

Resposta Robert:

This Disciple of Doom started when, actually, there was like a hiatus with Solitude and Candlemass, but as a musician, I wasn’t gonna stop playing or stop doing what we do as musicians. And I got tagged as Disciple of Doom at one point in time, so we stuck with that. And I did other various shows, like, throughout Texas to just keep playing, just to keep the music alive and keep doing what I love doing.

Essa história do Disciple of Doom começou quando, na verdade, houve um hiato com o Solitude and Candlemass, mas como músico, eu não ia parar de tocar ou de fazer o que fazemos como músicos. E em certo momento, me deram o apelido de Disciple of Doom, então mantivemos esse nome. E fiz vários outros shows, por todo o Texas, só para continuar tocando, para manter a música viva e continuar fazendo o que amo.

Pergunta:
O que mudou na sua forma de compor e interpretar ao longo dos anos? Você ainda se sente desafiado dentro do doom metal?
What has changed in your way of writing and performing over the years?

Resposta Robert:

I don’t think anything’s changed. As I was saying earlier, that I’ve just always been myself, right? And all the lyrics and all the words come from here, not there, not production, dragons, and fancy make-believe stuff. It all comes from here, so nothing has changed. The only thing that’s changed is my style of singing. The first two albums were like stratosphere bullshit, because I didn’t know what the fuck I was doing. And then lock in on the third album, and I would say that that’s where, if anything changed, it would have been from the first two albums to the third, to what we do now. And I don’t think it was much of a change, it’s just I found my place. I found where I settled in to, again, settled in to myself, not trying to be somebody else that I wasn’t.

Acho que nada mudou. Como eu disse antes, sempre fui eu mesmo, certo? E todas as letras e todas as palavras vêm daqui, não de lá, não de produção, dragões e coisas extravagantes de faz-de-conta. Tudo vem daqui, então nada mudou. A única coisa que mudou foi meu estilo de cantar. Os dois primeiros álbuns eram uma baboseira estratosférica, porque eu não sabia o que diabos estava fazendo. E aí, com o terceiro álbum, eu diria que foi aí que, se algo mudou, foi entre os dois primeiros álbuns e o terceiro, para o que fazemos agora. E não acho que tenha sido uma grande mudança, é só que encontrei meu lugar. Encontrei meu ponto de equilíbrio, de novo, me encontrei comigo mesmo, sem tentar ser alguém que eu não sou.

Pergunta:
Como você avalia o momento atual do doom no mundo?
What do you think about the current state of doom metal worldwide?

Resposta Robert:

What I’ve noticed is that doom metal has become more, you know, drudgy and more droney than it was with like, you know, epic doom metal type stuff, to where it doesn’t really take you on a journey. It kind of goes like this, but that’s not saying that there’s not a lot of really good fucking bands out there, you know, like one of my other favorite bands is Funeral, and it’s in that same vein. But again, I’m on this path, and so I listen to, I listen to so much stuff that sometimes I even forget what I’m listening to, and then after later I’ll be like, oh shit, I should have said that band. I should have talked about that band. But yeah, you know, it’s pleasing that, you know, there is a lot of doom metal stuff going on, and the genre within itself is actually to, you know, grow or flower if you want, and it’s a good thing. It’s a good thing, you know.

O que eu percebi é que o doom metal se tornou mais arrastado e monótono do que era com o doom metal épico, sabe? A ponto de não te levar numa jornada. É mais ou menos assim, mas isso não quer dizer que não existam muitas bandas boas por aí, sabe? Uma das minhas bandas favoritas é o Funeral, que segue a mesma linha. Mas, de novo, eu estou nessa jornada, então eu ouço tanta coisa que às vezes até esqueço o que estou ouvindo, e depois penso: “Putz, eu devia ter mencionado aquela banda. Eu devia ter falado daquela banda”. Mas é, sabe, é gratificante ver que tem muita coisa boa de doom metal rolando, e o gênero em si está crescendo, florescendo, se preferir, e isso é ótimo. É uma coisa boa mesmo.

Pergunta:
Após sua passagem por Candlemass e Solitude Aeturnus, como você enxerga sua evolução artística?
After your time with Candlemass and Solitude Aeturnus, what were some of the things you learned and how is this new project different or the same?

Resposta Robert:

I stick with old school, just like we were talking like the other day, right? I like to plug straight in. I don’t have 58250 stompboxes, right? Now, I may use one or two, but plug straight in, still old school. Uh, yeah, now, technology has made it nice and convenient for a lot of things, especially if you’ve got something in your brain that you can’t get out, but, you know, if you turn this dial, it’s like, that’s what I was fucking looking for, right? So, um, yes, I would say I’m still, I don’t, I don’t even think it’s old school. It’s just straight up metal. Just get the amp that you want, plug that bitch straight in, and go for it.

Eu continuo fiel à velha guarda, como estávamos falando outro dia, né? Gosto de ligar direto na tomada. Não tenho pedais 58250, certo? Talvez eu use um ou dois, mas ligar direto na tomada, ainda é a velha guarda. É, hoje em dia a tecnologia tornou muitas coisas fáceis e convenientes, principalmente se você tem alguma ideia fixa na cabeça, mas, sabe, se você gira esse botão, é tipo, era exatamente isso que eu estava procurando, né? Então, é, eu diria que ainda sou… não acho que seja exatamente a velha guarda. É só metal puro. É só pegar o amplificador que você quer, ligar direto na tomada e mandar ver.

Encerramento da coletiva

Como forma de síntese da coletiva, os músicos também destacaram o momento atual da Loss, ressaltando que, apesar de ser uma banda relativamente recente, o projeto é sustentado por integrantes com longa trajetória na cena. Entre eles, Tern, um dos fundadores da Witchhammer, grupo clássico que dividiu espaço no início com nomes fundamentais como Sarcófago e Sepultura.

A formação também carrega experiências anteriores em projetos como a banda Concreto, consolidando uma bagagem que influenciou diretamente a trajetória da Loss, que ganhou força a partir de 2020, no início da pandemia. Mesmo sendo um projeto recente, a proposta sempre foi clara: desenvolver um som direto, focado no metal, ainda que rótulos como stoner ou doom tenham surgido posteriormente de forma espontânea, muitas vezes associados à influência inevitável de Black Sabbath.

A trajetória internacional também foi um dos pontos altos destacados. A primeira investida na Europa aconteceu em 2022, de forma independente, com shows na Espanha e em Portugal. Já em uma segunda turnê, mais estruturada e produzida pela Som do Darma, a banda alcançou um novo patamar, passando por cidades como Londres, Paris, Amsterdã, além de países como Bélgica, Irlanda e Alemanha.

Um dos momentos mais emblemáticos foi a apresentação no Cart and Horses, em Londres — local histórico conhecido por ter sido palco dos primeiros passos do Iron Maiden. O show foi registrado e acabou se tornando a base para um álbum ao vivo, previsto para lançamento ainda este ano.

Com gravações realizadas ao longo da turnê europeia, o grupo optou por lançar o registro de Londres devido à qualidade e intensidade da performance. Singles já começaram a ser divulgados, incluindo “My My”, acompanhado de material em vídeo gravado no próprio local. A expectativa é de novos lançamentos nas próximas semanas, culminando com o álbum completo.

Durante a coletiva, Paula Jabur, vocalista do Midgard, também destacou a importância de manter a essência artística acima de qualquer retorno financeiro, reforçando que o trabalho é movido acima de tudo pela paixão pela música. A artista ainda ressaltou a relevância e a oportunidade de dividir esse momento com Robert Lowe, evidenciando o peso dessa colaboração dentro da cena.

Encerrando a coletiva em tom descontraído, os músicos compararam o novo trabalho a um “filho” — um projeto construído com dedicação, orgulho e identidade própria, simbolizando não apenas uma conquista internacional, mas também a consolidação de uma trajetória construída ao longo de décadas dentro do metal.

Créditos: Anderson Nepomuceno
Créditos: Anderson Nepomuceno
Créditos: Anderson Nepomuceno
Créditos: Anderson Nepomuceno
Créditos: Anderson Nepomuceno
Créditos: Anderson Nepomuceno
Créditos: Anderson Nepomuceno
Créditos: Anderson Nepomuceno
Créditos: Anderson Nepomuceno
Créditos: Anderson Nepomuceno
Créditos: Anderson Nepomuceno
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Créditos: Anderson Nepomuceno
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