Depois de dois dias já marcados por muito metal, calor e muitas horas passadas no recinto, chegava o terceiro dia de Vagos – e a maratona estava longe de terminar.

Adam’s Parade

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

A abrir esta nova jornada estiveram os Adam’s Parade, banda formada em Sydney, Austrália, no final de 2019, que tem vindo a explorar o equilíbrio entre pop-punk e metalcore, juntando melodias mais ”acessíveis” a uma sonoridade mais pesada.

O concerto arrancou com “I Can See My House from Here”, seguindo-se “Three Seasons”, “Politeness by the Second”, “Shade”, “Paint of the Artist”, “The Former”, “Autophobia”, “Burying Friends” e “East Coast Low”.

Com uma atuação dinâmica e energética, os australianos deram o pontapé de saída para mais um dia de música, trazendo uma sonoridade mais moderna e melódica ao palco de Vagos.

Symfobia

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

A jornada continuou com os Symfobia, vindos de Nitra, na Eslováquia. Formados em 2015, os eslovacos trouxeram ao palco a sua abordagem ao symphonic metal, acrescentando uma dimensão mais melódica e atmosférica ao terceiro dia de Vagos.

O concerto passou por temas como “Everything’s Possible”, “Smog of Tomorrow”, “Night Will Bury Me”, “Bury It”, “Broke Your Pride”, “Liar”, “From Survivor to Creator”, “Dragon” e “Karma”.

Entre melodias envolventes e uma sonoridade mais épica, os Symfobia apresentaram ao público diferentes facetas do seu repertório, criando um contraste interessante com a energia mais direta dos Adam’s Parade que tinham aberto a jornada.

Com mais uma atuação a juntar diferentes vertentes do metal ao cartaz, o terceiro dia continuava a mostrar a diversidade que marcou esta edição do Vagos Metal Fest.

W.E.B.

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

Vindos de Atenas, os W.E.B. assumiram o palco com a sua mistura de symphonic e black metal, trazendo para o terceiro dia uma sonoridade mais negra e carregada.

O alinhamento passou por “Dark Web”, “Into Hell Fire We Burn”, “Murder of Crows”, “Necrology”, “Pentalpha”, “Dragona” e “Morphine for Saints”, percorrendo diferentes momentos do repertório da banda.

Foi uma atuação marcada por ambientes densos e uma forte componente sinfónica, sem deixar de lado a agressividade característica do black metal. A conjugação entre peso e atmosfera deu ao concerto uma identidade própria, criando um dos momentos mais sombrios desta tarde de Vagos.

Os W.E.B. deixaram assim a sua marca no terceiro dia, preparando o terreno para tudo aquilo que ainda estava por acontecer.

Red Cain

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

Do Canadá chegaram os Red Cain, vindos de Calgary, Alberta, para acrescentar uma nova camada ao terceiro dia de Vagos. Formados em 2016, os canadianos exploram uma mistura de progressive e groove metal, com uma sonoridade pesada mas bastante trabalhada.

O alinhamento passou por “The Great Hunt”, “Demons II, “Firestarter”, “Hiraeth”, “From Within” e “Son of Veles”.

A atuação foi ganhando intensidade ao longo do alinhamento, com os Red Cain a combinarem momentos mais melódicos e atmosféricos com passagens mais pesadas e marcadas pelo groove. Uma abordagem diferente da que tinha dominado os concertos anteriores e que trouxe mais uma mudança de ambiente à tarde.

Com apenas seis temas, mas sem deixar a sensação de um concerto vazio, os canadenses aproveitaram bem o tempo em palco e deixaram uma boa amostra daquilo que têm vindo a construir desde 2016.

Rainover

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

A sonoridade do terceiro dia voltou a mudar com a chegada dos espanhóis Rainover, vindos de Múrcia. Ativos desde 2003, a banda trouxe ao palco o seu gothic metal, acrescentando uma dimensão mais melódica e emocional à tarde de Vagos.

O alinhamento começou com “Snake”, seguindo-se “I Can Fly”, “Emotionless”, “From the Silence”, “Coma” e “Let Me Rest in Peace”.

A atuação percorreu diferentes ambientes, entre momentos mais melódicos e passagens de maior intensidade, com os Rainover a explorarem precisamente aquele lado mais sombrio e emotivo que caracteriza o gothic metal.

Seis temas foram suficientes para deixar uma marca distinta na programação deste terceiro dia, numa altura em que Vagos continuava a alternar entre diferentes estilos e atmosferas antes de entrar na parte mais intensa da noite.

Holocausto Canibal

Se há bandas que não precisam de grandes apresentações para sabermos exatamente o que esperar, os Holocausto Canibal são uma delas.

Vindos de Rio Tinto, no Porto, e ativos desde 1997, os portugueses são um dos nomes incontornáveis do brutal death metal e grindcore nacional. Em Vagos, trouxeram consigo a habitual combinação de velocidade, brutalidade e uma boa dose daquele humor negro e provocação que fazem parte da identidade da banda.

O alinhamento foi extenso e percorreu vários momentos da carreira, começando com Ad Bizarrem Morem”, seguido de “Êxodo Mortuoso”, “Sinaxe do Sepulcro Tafófobo”, “Ancestrais Ritos Hipóxicos”, “Apresto Executório”, “Aniquilação Suídea”, “Ávida Tragação”, “Objetofilia Platónica”, “Necro-Felação”, “Lactofilia Destalhada”, “Congregação da Flama Felídea”, “Anátemas Nefandos”, “Esquartejado em Segundos”, “Prenúncios da Vingança Cavicórnea”, “Sangue”, “Infecção”, “Campas do Negro Breu”, “Girândolas da Agonia Profunda”, “Empalamento”, “Miasmas Onanizantes”, “Quérulo dos Finados” e “Sortilégio da Perversão”.

E aqui não houve tempo para respirar. Os temas sucederam-se a uma velocidade quase tão absurda como os próprios títulos, com a banda a transformar o palco num verdadeiro ataque de brutalidade sonora.

Para quem já conhece os Holocausto Canibal, foi mais uma oportunidade de assistir ao caos controlado que tão bem os caracteriza. Para quem ainda não conhecia, provavelmente não havia melhor maneira de descobrir a banda do que vê-los ao vivo.

Mais uma vez, o metal extremo português mostrou que não precisa de ir muito longe para ser absolutamente devastador.

SUICIDAL ANGELS

Depois da brutalidade sem filtros dos Holocausto Canibal, era altura de mudar de velocidade — mas não propriamente de baixar a intensidade. Vindos de Atenas, os Suicidal Angels chegaram a Vagos com o seu thrash metal rápido, agressivo e sem espaço para grandes pausas.

Formados em 2001, os gregos já contam com mais de duas décadas de carreira e trouxeram um alinhamento bastante sólido, começando com “Jaws” e passando por “When the Lions Die”, “Crypts of Madness”, “Purified by Fire”, “The Return of the Reaper”, “Bloodbath”, “Bloody Ground”, “Born of Hate”, “Years of Aggression”, “Apokathilosis” e “Capital of War”.

Para fechar, ainda houve espaço para “Sharp Dressed Man”, numa mudança inesperada que trouxe outro sabor ao final da atuação.

Com riffs rápidos, bateria sem descanso e aquela atitude agressiva que o thrash exige, os Suicidal Angels mantiveram o público em movimento e provaram que, depois de um concerto de brutal death/grindcore, ainda havia combustível de sobra para continuar a acelerar.

DEICIDE

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

Se havia nomes no cartaz capazes de elevar ainda mais a fasquia do terceiro dia, Deicide era certamente um deles. Vindos de Tampa, Florida, e formados em 1989, os norte-americanos são uma das bandas fundamentais na história do death metal.

Com décadas de carreira e uma discografia que ajudou a definir o death metal extremo, os Deicide chegaram a Vagos para uma atuação sem concessões. O alinhamento percorreu vários momentos da carreira, começando com “When Satan Rules” e passando por “Bastard of Christ, “Carnage in the Temple”, “Behead the Prophet”, “Once Upon the Cross”, “Sacrificial Suicide”, “Holy Deception”, “Serpents of the Light”, “Satan Spawn, the Caco-Daemon”, “Children of the Underworld”, “Scars of the Crucifix”, “Dead by Dawn” e “Homage for Satan”.

Foi uma sequência de clássicos e temas que representam diferentes fases da banda, com o death metal dos Deicide a ocupar o recinto sem pedir licença.

E quando uma banda formada em 1989 continua a subir ao palco com esta ferocidade, percebe-se porque é que certos nomes se tornam referências dentro de um género.

Em Vagos, Deicide fizeram aquilo que o nome prometia: death metal sem piedade.

Within Temptation

Depois da intensidade extrema dos Deicide, o ambiente do recinto mudou completamente. As luzes, a dimensão do palco e a componente sinfónica deram início a um dos momentos mais aguardados da noite: a chegada dos neerlandeses Within Temptation.

Formados em 1996, nos Países Baixos, os Within Temptation construíram uma carreira marcada pela evolução constante, passando do symphonic metal dos primeiros anos para uma sonoridade que hoje cruza metal, rock alternativo e elementos sinfónicos.

O concerto começou com “We Go to War” e “Bleed Out”, seguindo-se “The Reckoning”, “Faster”, “Wireless”, “The Howling”, “Stand My Ground”, “In the Middle of the Night”, “Lost”, “Don’t Pray for Me”, “Supernova”, “The Heart of Everything”, “Paradise”, “What About Us”, “Our Solemn Hour”, “Ice Queen” e “Mother Earth”.

O alinhamento foi uma verdadeira viagem pela carreira da banda, misturando temas mais recentes com clássicos que continuam a fazer parte da memória de várias gerações de fãs. Houve espaço para momentos mais intensos, outros mais melódicos e, sobretudo, para aquelas músicas que rapidamente transformam um concerto num enorme coro coletivo.

E havia ainda uma curiosidade especial nesta passagem por Vagos: os Within Temptation já tinham tocado no festival exatamente 11 anos antes, na edição de 2015 – e também no mesmo dia.

Onze anos depois, a banda estava novamente em Vagos, no mesmo dia, mas perante uma edição completamente diferente. Um daqueles acasos que tornam um regresso ainda mais especial e que ligam diferentes capítulos da história do festival.

E se “Mother Earth” encerrou a atuação, deixou também no ar a sensação de que esta não era apenas mais uma passagem por Vagos – era um reencontro com a história do próprio festival.

Thundermother

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

Para fechar mais uma longa jornada de concertos, o Vagos recebeu as Thundermother, banda sueca de hard rock formada exclusivamente por mulheres.

Fundada em Växjö, em 2009, por Filippa Nässil e Moa Munoz, a banda construiu desde então uma carreira marcada por muito rock’n’roll, tendo partilhado palcos e estrada com nomes como Scorpions, Kiss, D-A-D e Backyard Babies.

Em Vagos, entraram em palco com “Thunderous”, seguindo-se “Loud and Free”, “The Road Is Ours”, “Take the Power”, “Can’t Put Out the Fire”, “I Don’t Know You”, “I Left My Licence in the Future”, “Dog From Hell”, “Cheers” e “Whatever”.

Shoot to Kill” e “Speaking of the Devil” mantiveram a energia bem alta, antes de chegar um dos momentos mais divertidos da noite: uma versão de The Trooper, dos Iron Maiden.

A reta final passou ainda por “Try With Love”, “Hellevator” e “Driving in Style”, fechando a noite com o espírito rock’n’roll bem presente.

Depois de um dia que atravessou o pop-punk, symphonic metal, black metal, grindcore, thrash, death metal e symphonic rock, as Thundermother trouxeram a atitude descontraída e energética do hard rock para fechar a noite.

Depois de uma jornada que atravessou praticamente todas as fronteiras do metal, do symphonic e gothic metal ao grindcore, thrash e death metal, o Vagos voltava a provar a sua capacidade de juntar universos tão diferentes no mesmo recinto.

Mas a noite ainda não tinha acabado para todos. Enquanto uns finalmente procuravam o caminho de volta ao camping, outros ainda tinham forças para continuar no after party com DJ Bianca Oceane.

Três dias estavam feitos. Dois ainda estavam por vir. E, a esta altura, já era difícil imaginar de onde iríamos buscar energia para continuar.

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