E chegava finalmente o quinto e último dia do Vagos Metal Fest.

Depois de quatro dias de concertos, calor, noites mal dormidas, muitas horas de pé e uma quantidade provavelmente questionável de cafeína, restava uma última jornada. O cansaço já se fazia sentir, mas também havia aquela sensação estranha de não querer que acabasse.

Ainda havia bandas para descobrir, concertos para viver e, sobretudo, mais um dia inteiro para aproveitar antes de desmontar o camping e regressar à realidade.

Kill City

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

O último dia começou com os Kill City, vindos de Guayaquil, no Equador. Formados em 2019, os músicos apresentam uma abordagem assente no heavy metal, com influências que vão do hard rock ao metal clássico.

A banda equatoriana entrou em palco para dar início à derradeira jornada do festival, trazendo uma sonoridade bastante melódica e marcada pelos riffs de heavy metal. All The Dues e Against Myself fizeram parte do alinhamento, embora o foco da atuação tenha estado sobretudo na energia colocada em palco.

Depois de quatro dias de festival, começar a última tarde com heavy metal pareceu-nos uma escolha bastante apropriada. Ainda havia um dia inteiro pela frente – e muita coisa para acontecer antes de Vagos chegar finalmente ao fim.

Diavola

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

O último dia continuava a ganhar peso com os Diavola, banda de Oslo, na Noruega, formada em 2024. Com uma base de groove metal e metalcore, os noruegueses apostam numa abordagem muito centrada nos riffs, cruzando ainda influências de hardcore e thrash.

Entre os temas apresentados estiveram Benign, “Masked in Murder” e “Sisyphus”, integrados numa atuação que trouxe uma sonoridade mais moderna e pesada ao palco.

Apesar de serem uma banda relativamente recente, os Diavola já vinham acumulando experiência ao vivo desde o lançamento do seu primeiro EP, Dawn, em 2024, e mostraram em Vagos que ainda têm muito espaço para crescer.

Unredeemer

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

O peso continuou a subir com os finlandeses Unredeemer, vindos de Helsínquia e formados em 2019. A banda trabalha uma combinação de death e groove metal, com riffs pesados e uma componente rítmica bastante marcada.

Em Vagos, alguns dos temas apresentados foram Malware Messiah, Underdog e Desolate Lands, mostrando diferentes lados da sonoridade da banda – desde os momentos mais agressivos até passagens onde o groove ganha maior destaque.

Foi mais uma atuação a puxar o último dia para terrenos pesados, com os Unredeemer a deixarem bem vincada a sua abordagem ao death metal moderno.

The Fall of Creation

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

A sonoridade do último dia continuou a avançar pelos terrenos do melodic death/groove metal com os The Fall of Creation, vindos de Kaliningrado, na Rússia, e formados em 2017.

A banda levou para Vagos material da sua carreira mais recente, incluindo Dance of Death, tema do álbum Enlightenment, e ainda uma escolha que certamente não passou despercebida: Blinded by Fear, uma versão do clássico dos suecos At The Gates – lançado pela banda em 2026

A cover encaixou particularmente bem na abordagem da banda, que assume precisamente o melodic death metal como uma das suas principais influências.

Entre material próprio e uma referência tão importante para o género, os The Fall of Creation mantiveram o peso bem presente enquanto o quinto dia continuava a avançar.

Dark Sky

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

O quinto dia continuava a percorrer diferentes gerações e estilos, desta vez com os alemães Dark Sky, de Rottweil. A banda nasceu em 1982 e, ao longo de mais de quatro décadas, foi evoluindo do hard rock/AOR para uma abordagem de melodic heavy metal.

Em Vagos, o alinhamento incluiu Fools, “Empty Faces” e “Forgiveness”, representando diferentes momentos da carreira. “Fools” e “Forgiveness” fazem parte de Signs of the Time, enquanto “Empty Faces” pertence a uma fase bastante anterior da banda.

Com uma sonoridade mais melódica e assente nos grandes refrões, os Dark Sky trouxeram uma abordagem diferente ao último dia – mostrando que, mesmo no quinto dia, ainda havia espaço para descobrir outras facetas do heavy metal.

Employed to Serve

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

O último dia começava finalmente a ganhar outra dimensão. Com o recinto já composto e os metaleiros claramente ao rubro, os britânicos Employed to Serve entraram em palco e deram tudo o que tinham.

Vindos de Woking, em Inglaterra, a banda trouxe o seu metalcore para uma atuação particularmente intensa. Não foi preciso muito tempo para o público entrar no espírito – a energia vinha tanto do palco como de quem estava cá em baixo.

O alinhamento passou por Atonement, “Dead Reckoning”, “Force Fed”, “Sun Up to Sun Down”, “Treachery”, “We Don’t Need You”, “Now Thy Kingdom Come”, “A Moment Gone Too Soon” e “Whose Side Are You On?”.

Foi daqueles concertos em que a distância entre palco e público parece simplesmente desaparecer. Os Employed to Serve deram tudo – e o público respondeu à altura. 🤘

A esta altura, já não parecia que estávamos no quinto dia. Parecia que estávamos apenas a começar.

Combichrist

O ambiente mudou novamente com a chegada de Combichrist, trazendo para o Vagos a sua mistura de aggrotech e metal industrial. A componente eletrônica juntou-se às guitarras e à bateria, criando uma atmosfera bastante diferente daquela que tinha marcado os concertos anteriores.

Entre os temas apresentados estiveram Throat Full of Glass, “Get Your Body Beat”, “Compliance” e “Modern Demon” – temas que fazem parte do repertório mais reconhecível da banda e que encaixaram particularmente bem no ambiente de festival.

A partir daqui, o quinto dia começava a entrar numa fase mais intensa e a energia do recinto acompanhava a mudança. Os Combichrist trouxeram um concerto físico, eletrónico e pesado, provando que ainda havia espaço para mais uma mudança de direção antes dos grandes nomes que se seguiriam.

Heaven Shall Burn

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

E então chegou um daqueles momentos em que já não havia margem para guardar energia. Os alemães Heaven Shall Burn entraram em palco com o seu melodic death metal/metalcore e encontraram um recinto completamente preparado para uma das atuações mais intensas do último dia.

O alinhamento arrancou com War Is the Father of All, seguindo-se “Voice of the Voiceless”, “My Revocation of Compliance”, “Godiva”, “Counterweight” e “Confounder”. A partir daí, a intensidade não baixou, com “Endzeit”, “Black Tears”, “Übermacht”, “A Whisper From Above”, “Thoughts and Prayers” e “Corium” a completarem a setlist.

Temas como Endzeit, “Black Tears” e “Voice of the Voiceless” fizeram aquilo que se esperava: levar o público ao limite, com a energia a passar constantemente do palco para o meio do recinto.

Os Heaven Shall Burn não precisaram de grandes artifícios. Peso, velocidade e um público completamente entregue foram suficientes para transformar o concerto num dos momentos mais fortes deste último dia.

In Flames

E quando já parecia que o quinto dia tinha chegado ao seu ponto alto, era a vez dos In Flames. Os suecos subiram ao palco para uma atuação que percorreu diferentes capítulos da sua longa carreira, reunindo clássicos que marcaram gerações de fãs e temas mais recentes.

Formados em Gotemburgo em 1990, os In Flames começaram por construir o seu nome dentro do melodic death metal, evoluindo posteriormente para uma sonoridade onde o groove e elementos mais modernos ganharam cada vez mais espaço.

O concerto arrancou com Colony, seguindo-se “Deliver Us”, “In the Dark”, “Voices”, “Paralyzed” e “The Quiet Place”. A setlist continuou por diferentes épocas com “Meet Your Maker”, “The Chosen Pessimist”, “Cloud Connected” e “Artifacts of the Black Rain”.

A reta final trouxe Trigger, “Only for the Weak”, “Foregone Pt. 2”, “State of Slow Decay”, “Alias”, “The Mirror’s Truth”, “I Am Above” e, já perto do fim, Take This Life.

Foi precisamente essa viagem entre passado e presente que tornou o alinhamento especial. Houve espaço para diferentes fases dos In Flames, sem esquecer aqueles temas que continuam a provocar uma resposta imediata no público.

Take This Life terminou a atuação – mas não a noite.

Depois de cinco dias de festival, o cansaço já era evidente, mas ainda faltava uma última banda para fechar oficialmente esta edição do Vagos Metal Fest.

Crytopsy

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

E finalmente chegava o verdadeiro encerramento do Vagos Metal Fest 2026. Depois de cinco dias de música, os canadianos Cryptopsy tinham a difícil tarefa de fechar o festival – e não escolheram propriamente a opção mais tranquila.

Vindos de Montreal, Canadá, e formados em 1992, os Cryptopsy são uma referência dentro do brutal/technical death metal, conhecidos pela velocidade, complexidade e intensidade que colocam nas suas atuações.

O concerto passou por temas como Slit Your Guts, “Until There’s Nothing Left”, “Serial Messiah” e “Dead Eyes Replete”, levando para o palco toda a brutalidade característica da banda.

Depois da grande produção e do lado mais melódico dos In Flames, a mudança não podia ser maior. Os Cryptopsy fecharam o festival mergulhando novamente nas profundezas do death metal técnico, com uma atuação agressiva e sem grandes concessões.

E assim chegava ao fim…

Depois de cinco dias, o último acorde dos Cryptopsy marcou finalmente o encerramento do Vagos Metal Fest 2026.

Foram cinco dias de calor, pó, cansaço, noites demasiado curtas e uma quantidade difícil de contabilizar de horas passadas em frente aos palcos. Foram também cinco dias de descobertas, reencontros, bandas que surpreenderam, outras que confirmaram o estatuto e muitos momentos que ficam guardados na memória.

Do primeiro acorde dos Ethereal Sin ao brutal encerramento dos Cryptopsy, atravessámos uma enorme variedade de sonoridades – e foi precisamente essa diversidade que tornou esta edição tão especial.

Agora era finalmente altura de desmontar o camping, recuperar algumas horas de sono e voltar à realidade.

Vagos 2026, foi uma maratona. Foi exaustivo. Foi caótico. Foi incrível.

Até à próxima. 🖤🤘

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