Depois de três dias de concertos, calor, noites longas e algumas horas de sono perdidas pelo caminho, chegava o quarto dia do Vagos Metal Fest. Para muitos, as forças já começavam a escassear – mas ainda havia muito festival pela frente.

Illusion Force

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

O quarto dia de Vagos abriu portas ao power metal, com os japoneses Illusion Force a assumirem a responsabilidade de dar o pontapé de saída à jornada.

Formados em 2018, os músicos trouxeram consigo uma atuação bastante direta, equilibrando a velocidade e a componente mais épica do género. O alinhamento cruzou diferentes fases da banda, recuperando temas de Illusion Paradise e dando também espaço ao material mais recente de Halfana.

Entre os temas apresentados estiveram Cosmos, Halfana e The End of Days, numa prestação que apostou sobretudo em riffs rápidos, melodias marcadas e muita energia.

Uma abertura que começou a aquecer os motores para mais um longo dia de festival.

Leave the Wave

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

Depois do power metal dos Illusion Force, o quarto dia fez uma nova curva sonora com os Leave the Wave, vindos de Nicósia, no Chipre.

A banda trouxe consigo uma abordagem marcada pelo grunge rock, com referências claras ao som dos anos 90, mas também com influências de stoner e heavy rock. Uma mudança de ambiente bastante natural dentro da diversidade que o Vagos foi apresentando ao longo dos dias.

Entre os temas apresentados estiveram Control Your Brain e Monster, num concerto que apostou numa sonoridade mais crua e descontraída, com aquele peso característico do rock feito sem grandes filtros.

Depois da velocidade dos Illusion Force, foi uma oportunidade para abrandar ligeiramente o passo — sem, claro, deixar de lado as guitarras e o peso.

Lone Survivors

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

O quarto dia continuou a percorrer diferentes territórios do metal, desta vez com os Lone Survivors, banda francesa de metalcore e progressive metal, oriunda de Paris.

A atuação começou com Enigmatic Side Effect, seguindo-se “There Is No Other Way” e “Circle of Thought”. Um dos momentos de destaque surgiu com Lost in My Mind, que contou com a participação de Maud, acrescentando uma presença vocal diferente ao tema.

O alinhamento terminou com Maloya en Moin, fechando uma atuação curta, mas bastante concentrada, onde o peso do metalcore se encontrou com elementos mais progressivos.

Mais uma mudança de direção num quarto dia que continuava a provar que ainda havia espaço para muitas sonoridades diferentes antes de chegarmos ao fim.

RivetSkull

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

De Paris seguimos para Seattle, com RivetSkull a trazerem ao quarto dia uma dose de heavy metal e hard rock. Formados em 2014, os norte-americanos apresentaram uma sonoridade assente nos riffs clássicos do género, mantendo uma abordagem direta e sem grandes complicações.

Entre os temas que fizeram parte do alinhamento estiveram Hellbound e The Hammer Falls, dois exemplos da energia mais tradicional que marcou a atuação.

Depois do metalcore progressivo dos Lone Survivors, os Rivet Skull fizeram a ponte para um terreno mais clássico, recuperando aquele espírito de heavy metal e hard rock que continua a ter um lugar próprio no Vagos. 🤘

The Crowned

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

Vindos do Texas e liderados, os norte-americanos misturam heavy metal e rock com uma componente teatral e provocadora que a própria banda apelida de smut metal. Em Vagos, essa personalidade esteve bem presente, tornando a atuação bastante diferente do que tínhamos visto até então.

O alinhamento passou por Creed, “I Don’t Care”, “Gallen One”, “Set You Free”, “Kill”, “Nobody” e “The Dead”, numa atuação que privilegiou tanto a música como o espetáculo.

Com uma estética assumidamente irreverente e uma presença em palco que não procura passar despercebida, os The Crowned trouxeram ao quarto dia uma boa dose de atitude, teatralidade e, acima de tudo, personalidade.

Filii Nigrantium Infernalium

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

De volta a território nacional, os Filii Nigrantium Infernalium trouxeram ao quarto dia de Vagos uma parte importante da história do metal extremo português.

Formados em Lisboa em 1992, os FNI começaram ligados ao black metal, mas foram desenvolvendo ao longo dos anos uma sonoridade que cruza também influências de heavy e thrash metal. Em palco, essa evolução esteve bem representada num alinhamento inteiramente em português.

Rancor” abriu caminho para “Não Há Futuro”, “Pérfida Contracção do Aço”, “Calypso”, “Prece”, “”, “A Forca”, “Cadafalso” e “Abadia do Fogo Negro”.

Foi uma atuação com um peso particular por se tratar de uma das bandas com maior longevidade no cartaz nacional. Mais de três décadas depois da sua formação, os FNI continuam a ocupar o seu espaço dentro do metal português – e Vagos foi mais uma oportunidade para o demonstrar perante uma plateia de várias gerações.

Coven

Com mais de cinco décadas de história, os Coven trouxeram a Vagos uma viagem direta às raízes mais obscuras do rock. Formados em Chicago no final dos anos 60, tornaram-se uma referência incontornável na ligação entre o rock psicodélico, o occult rock e toda uma estética que viria a influenciar o metal nas décadas seguintes.

O alinhamento passou por Out of Luck, “Black Sabbath” e “The Crematory”, recuperando temas de diferentes momentos da carreira e mantendo bem presente aquela atmosfera sombria que sempre acompanhou a banda.

Mais do que um simples concerto, a passagem dos Coven pelo festival teve também um certo peso histórico: ouvir uma banda com esta longevidade e importância num palco como o Vagos é, por si só, uma viagem no tempo.

Korpiklaani

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

Depois da atmosfera mais obscura dos Coven, era impossível imaginar uma mudança de ambiente mais evidente. Os finlandeses Korpiklaani chegaram ao palco para transformar o recinto numa verdadeira celebração de folk metal.

Vindos de Lahti e formados em 2003, os Korpiklaani são conhecidos por misturar o peso do metal com melodias e instrumentos inspirados na música tradicional finlandesa. E, ao vivo, essa combinação ganha naturalmente uma dimensão muito mais festiva.

O alinhamento trouxe A Man With a Plan, “Happy Little Boozer”, “Wooden Pints” e “Aita”, antes de entrar numa sequência particularmente divertida com Gotta Go Home, versão dos Boney M., e Ievan Polkka, baseada numa canção tradicional finlandesa.

Para fechar, claro, não podia faltar Vodka.

Entre brindes, refrões cantados em conjunto e muita energia, os Korpiklaani fizeram aquilo que melhor sabem: transformar um concerto de folk metal numa festa. Depois de um dia já bastante variado, o recinto ganhou finalmente um motivo extra para levantar os copos – mesmo que alguns já estivessem a precisar de uma pausa. 🍻🤘

Godsmack

A noite aproximava-se de um dos grandes momentos do quarto dia com a chegada dos Godsmack. Formados em 1995, em Lawrence, Massachusetts, os norte-americanos trouxeram para Vagos mais de duas décadas de carreira e um alinhamento recheado de temas que atravessam diferentes fases da banda.

Legends” abriu o concerto, seguindo-se “You & I”, “Str8 Out”, “Talkbox”, “Awake”, “Surrender” e “Oracle”. A setlist continuou com “Bitch”, “1000HP” e “Voodoo”, antes de chegar a um dos momentos mais aguardados da noite: a drum battle, que colocou a componente percussiva da banda no centro do espetáculo.

Depois de “Whatever”, vieram “Scars”, “Bulletproof” e, para terminar, Stand Alone.

Mais do que uma sucessão de temas conhecidos, os Godsmack fizeram questão de transformar o concerto num verdadeiro espetáculo, equilibrando os grandes riffs com momentos pensados para o palco. E, depois de um dia inteiro de estilos tão diferentes, era difícil imaginar melhor forma de levar o recinto para a reta final da noite.

Massacration

Vagos Metal Fest | Foto divulgação

Chegou a hora do verdadeiro massacre – mas neste caso, com muito mais humor do que violência.

Vindos do Brasil, os Massacration entraram em palco para aquilo que já se esperava: heavy metal levado ao limite do exagero, do absurdo e da comédia. Formados em 2004, os brasileiros construíram uma identidade muito própria, parodiando os grandes clichés do metal sem nunca esconder o amor pelo género.

A abertura ficou a cargo de Metal Is Law, seguindo-se “Evil Pagali”, “The Bull”, “Metal Massac Attack”, “The Mummy”, “Roots Mandioca” e “Metal Is My Life”.

A festa continuou com “MILF”, “Galera” e, para terminar, Metal Bucetation.

Com riffs, poses de metal, personagens exageradas e uma boa dose de humor brasileiro, os Massacration transformaram o palco num verdadeiro espetáculo de entretenimento. Depois da intensidade dos Godsmack, a mudança não podia ser mais radical – mas talvez fosse exatamente aquilo que o público precisava.

Porque há noites em Vagos em que o metal é levado muito a sério. E há outras em que a única opção é simplesmente entrar na brincadeira.

E que se desengane quem achava que a noite ficava por aqui:

Ainda havia after party, e mais uma vez foi António Freitas quem ficou ao comando da madrugada.

Depois de mais um dia inteiro de concertos, ainda houve resistentes suficientes para prolongar a festa por mais umas horas. Porque no Vagos, mesmo quando o palco principal se cala, a noite ainda está longe de acabar. 🤘

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