– Muito obrigado pelo tempo cedido para a equipe da Cultura em Peso. Você pode nos contar como se deu o início do seu projeto solo?
Ricky: Eu quem agradeço a oportunidade. Eu sempre gostei do estilo instrumental, desde os meus 12 anos eu ouço e realmente sempre tive muito interesse em ter minhas músicas. Então eu decidi que se fosse para investir, meu tempo e dinheiro, seria em algo que eu gosto de tocar de verdade.
– Gostaria de saber como você se define. Eu particularmente achei o seu trabalho voltado para o Fusion com elementos do Metal. Você concorda comigo?
Ricky: É difícil se rotular. Eu tendo a concordar com a sua definição. Mas tento não me nixar. Eu sou um guitarrista, que na maior parte do tempo busca escrever músicas legais de se ouvir e tocar. Tento não ser um músico que complica demais as coisas quando está gravando. Se soa legal e eu gosto então tá tudo certo.
– “Beast Mode” é o seu novo lançamento. Como se deu o processo de registro deste material?
Ricky: Eu venho trabalhando em “Beast Mode” nos últimos 2 anos, mas somente em 2025 que encontrei uma parceira para terminar as baterias pra mim, que é a Giovana Teixeira. Sempre digo, ela pegou o trabalho, colocou debaixo do braço e entregou algo maravilhoso.
– Gostamos muito da qualidade sonora alcançada por você. Suponho que o trabalho em estúdio tenha sido muito tranquilo. O que você pode nos falar sobre esta etapa, até chegarmos no lançamento propriamente dito?
Ricky: Como em todos os álbuns anteriores eu realizei a gravação no meu home studio, que eu tento manter o mais simples e clean possível. Poucos instrumentos. Tem aquele ditado que diz que a opção é a mãe da dúvida. Então basicamente eu peguei 2 guitarras e sai gravando, e após isso registrei os baixos. Todas as faixas foram sendo escritas a medida que eu ia gravando. Então tem muita coisa que foi inventada na hora sem dúvida.
– Ricky, eu adorei as linhas mais progressivas composta por você. Como funciona o seu processo de composição, neste sentido?
Ricky: Eu sempre começo procurando por uma linha de bateria que me agrade e que eu veja que tem variações. Para não ter uma música com cara de loop. A partir do momento que eu encontro a track, eu coloco no grid, faço ajustes de tempo e começo a buscar por ideias que combinem. Na grande maioria das vezes começo sem nada preparado e vou criando no momento que estou gravando. Depois retiro as baterias de guia e entrego para o baterista que for ficar responsável pelas gravações e deixo ele o mais à vontade possível, sem imposições.
– A arte da capa é bem diferente, fugindo do padrão que estamos acostumados. Qual a mensagem que você quis transmitir com ela?
Ricky: Particularmente até então é a capa que eu mais gosto também. Quis explorar um pouco de IA e ver o que eu conseguiria trazer de diferente, em termos de traços e originalidade para a capa. Como eu cresci tendo muito da cultura oriental como referência achei que seria muito válido uma homenagem a eles. E o fato da minha namorada ser descendente também acabou colaborando para a decisão.
– Imagino que você já deva estar trabalhando em novas músicas. Poderia nos adiantar como elas estão soando?
Ricky: Sim, sem dúvida, para o inicio de 2026 esta prevista a continuação de “Beast Mode”, que também será um álbum basicamente instrumental. Até o momento já estou com 3 faixas em andamento e pretendo ter pelo menos mais 4 para completar esse projeto. Até então temos algumas participações muito especiais já confirmadas e que já gravaram. Que são o Edu Ardanuy, Roberto Barros e Dallton Santos. Além claro, da Giovana Teixeira nas baterias para continuarmos a parceria. Também estou trazendo um amigo de longa data e excelente vocalista, o Adriano Cosmo, da banda “Anderuvius”. Então, provavelmente teremos alguma faixa com vocalista para termos um diferencial neste trabalho.
– Você já está pronto para excursionar por outras regiões do país? Falo isso, pois depois de escutar o seu material, fiquei curioso para vê-lo ao vivo.
Ricky: Sempre pronto. Eu sei que é um mercado bem restrito, que depende de um conhecimento prévio de repente. Tipo, já ter tocado em alguma banda grande e com isso seu nome ser espelhado como Kiko Loureiro, Edu Ardanuy, entre outros. Mas como não foi o caso até o momento, vamos na cara e na coragem e se aparecerem as oportunidades e convites estamos sempre prontos.
– Como você analisa o mercado fonográfico atualmente? Você acredita que o nicho que você faz parte, permite espaço para novos nomes promissores, como é o caso aqui?
Sempre há espaço, hoje é muito fácil se divulgar. O que também se torna um difícil, em como se destacar, e se manter relevante. Eu vejo muitos guitarristas muito bons, mas que me parecem que estão mais preocupados em ser youtubers do que músicos. Entendo que exista um interesse neste perfil, mas se daqui pra frente estudar música for mais para fazer covers e falar sobre equipamentos em rede sociais, talvez não seja esse o meu foco. Eu gosto de escrever, tocar e gravar. Quando possível tocar ao vivo.
– Mais uma vez obrigado pelo tempo cedido ao site Cultura em Peso. Agora o espaço é seu para as considerações finais
Ricky: Eu quem agradeço o convite, sempre um prazer. Espero que nos vejamos em breve por ai e que todos vocês curtam “Beast Mode”, assim como eu adorei escrever este álbum. Obrigado.


