Entrevista com Celtian — folk metal, fantasia e emoção | México
Uma conversa profunda com uma das bandas emergentes mais populares do folk metal atual
Entrevista com a banda espanhola Celtian, uma das propostas mais interessantes do folk metal em língua espanhola. Com uma identidade que entrelaça fantasia, épica e emoção, o grupo construiu um universo próprio que vai além da música, transformando cada lançamento numa verdadeira experiência narrativa e sensorial.

Para começar, de onde surge o nome Celtian e o conceito que envolve a banda? Sabemos que vocês retomam elementos da fantasia medieval, da mitologia e até de universos como Dungeons & Dragons. Que história o Celtian procura contar e como esse imaginário se torna parte da identidade artística da banda?
O nome surgiu a partir de uma sugestão de Txus Di Fellatio, do Mägo de Oz, tomando como referência “Celtian”, faixa instrumental incluída no álbum Hechizos, pócimas y brujería. O estilo dessa música encaixava perfeitamente com o que a banda queria transmitir desde o início.
A proposta é levar o público a um mundo medieval repleto de mitologias, duendes e fadas, fazendo com que, ao ouvir as músicas, as pessoas se transportem para universos como O Senhor dos Anéis ou o mundo de Zelda.
Em relação às letras, quais são as principais fontes de inspiração? Alguma música já mudou completamente de significado durante o processo de composição?
A inspiração vem de muitos universos da fantasia e da mitologia celta. Em algumas músicas, começa-se a pensar que a letra vai falar sobre uma coisa e acaba falando de outra. Normalmente existe uma ideia inicial que é seguida até o fim, muito influenciada pelo que a melodia sugere. A partir disso, a letra vai sendo pensada e estruturada até chegar a um conceito temático bem definido.
Com o novo disco recém-lançado, como estão vivendo esta fase? Qual tem sido a recepção do público e como essa experiência impacta vocês a nível pessoal e criativo?
Cada disco é um desafio. Cada álbum tenta superar o anterior e buscamos sempre que o público goste ainda mais. Às vezes isso acontece, outras não, mas o mais importante é lançar um disco honesto, no qual acreditamos. A recepção tem sido muito boa desde o primeiro até o terceiro álbum: há cada vez mais pessoas a ouvir-nos e a ir aos concertos. Isso deixa-nos muito felizes e cria um novo desafio, que é continuar a inovar, a experimentar e a oferecer trabalhos variados e focados.

Depois do cancelamento do festival na Cidade do México no ano passado, agora vocês chegam com uma turnê própria. Que diferenças encontram entre os formatos e quais foram os principais desafios para preparar essas datas?
Cada formato tem os seus pontos positivos. Os festivais, com um grande público, são experiências impressionantes, com uma sensação de grandiosidade e um som poderoso. São palcos que precisam ser aproveitados ao máximo e que se desfrutam muito.
Já os concertos em sala, com o espetáculo completo e bandas convidadas, oferecem uma experiência diferente. É gratificante saber que aquele público comprou o ingresso especificamente para nos ver. Em salas menores, muitas vezes sente-se ainda mais apoio, energia e proximidade do público do que em festivais.
Apesar disso, experiências como abrir para o Mägo de Oz na Arena CDMX foram espetaculares. No fim, gostamos e aproveitamos ambos os formatos.
Seguindo com as datas no México, vocês sentem que já existe uma base de fãs consolidada no país? A que atribuem essa conexão?
Com o México existe uma conexão muito forte desde o início. Inclusive, houve clubes de fãs criados antes mesmo do lançamento do primeiro disco. Pessoas que confiaram na banda sem ainda conhecer as músicas. Somos imensamente gratos a todos, aos que estão desde o começo e aos que foram chegando depois. O público cresce cada vez mais e temos certeza de que os concertos no país serão um sucesso.

Que mensagem principal vocês gostariam que o público levasse do novo disco “Secretos de amor y muerte”?
Este álbum é acompanhado por um conto que complementa a obra. É importante que o ouvinte leia essa história enquanto escuta as músicas para ter a experiência completa. Cada canção transmite mensagens claras — algumas otimistas, outras mais sombrias ou dramáticas —, mas o conto dá contexto e continuidade, permitindo acompanhar a jornada do protagonista e criar uma conexão ainda mais profunda com o disco.
Como banda jovem, preferem preservar uma identidade sólida ou evoluir e quebrar fronteiras criativas?
Pensar numa década é muito tempo, mas somos a favor da evolução. Não gostamos de ficar presos a uma única forma de fazer música. Queremos surpreender, mantendo a essência que fez as pessoas gostarem de nós, mas também arriscar. Sempre deve existir uma parte do álbum que seja inesperada, que nos desafie criativamente. É arriscado, mas extremamente estimulante.

Que conselhos recebidos ao longo do caminho marcaram a trajetória do Celtian?
Recebemos muitos conselhos, especialmente de Txus Di Fellatio e do Mägo de Oz. Um dos mais importantes é lembrar sempre de onde viemos e o quanto custou chegar até aqui. Outro é não ter pressa, não querer crescer rápido demais e não se precipitar nas decisões. Também é essencial manter o grupo unido, com objetivos claros e compartilhados.
Com a turnê pelo México prestes a começar, como estão a preparar estes concertos?
Será a nossa primeira vez no país, e isso torna tudo ainda mais especial. Estamos cheios de expectativas, preparando um setlist incrível e com muita vontade de viver essa experiência ao máximo junto do público.
O que gostariam que o público sentisse ao pensar no Celtian daqui a alguns anos?
Esperamos que não seja apenas uma lembrança, mas algo presente. Queremos que as pessoas nos vejam como uma banda que faz a música que ama, com carinho pelos fãs, dedicação total aos concertos e vontade constante de oferecer a melhor experiência possível.
Muito obrigado, Celtian, por partilharem o vosso tempo e estas respostas tão sinceras.

UPDATE. La banda esta teniendo un éxito y un gran recibimiento por parte del publico Méxicano, la banda llena el foro Alicia en la CDMX, importante aforo en la marcha de las bandas internacionales.



