Death to All no palco do Tork N’ Roll em Curitiba no último dia 21 de janeiro. Foto: Willian Germano – @uilia.germano

Death metal, Black Metal, Speed metal, Thrash Metal. Tire a primeira palavra de todas elas e terá apenas uma: Metal!” — Chuck Schuldiner

Na última quarta-feira, 21 de janeiro, o palco do Tork N’ Roll em Curitiba foi transformado em um templo de celebração à vida e à obra de Chuck Schuldiner. O que foi visto com a passagem da turnê do Death to All foi muito além de uma simples homenagem ou um tributo nostálgico; foi a prova cabal de que o legado do Death não apenas sobrevive, mas continua pulsante e em plena expansão.

Gene Hoglan e toda sua imponência e genialidade. Tork N’ Roll, Curitiba. Foto: Willian Germano – @uilia.germano

Um dos pontos mais curiosos da noite, antes mesmo do primeiro acorde, foi observar a plateia. Em meio aos veteranos que acompanharam o nascimento do gênero, era notável a quantidade de jovens presentes. Ver novas gerações conectadas com a complexidade de álbuns lançados há três décadas demonstra que a força das composições de Chuck permanece angariando novos fiéis, provando que o Metal, quando feito com tamanha genialidade, é atemporal.

No palco, o que se viu foi uma aula de música extrema. Embora em breves momentos o som tenha oscilado para quem estava na grade, nada foi capaz de ofuscar a perfeição na execução.

Max Phelps nos vocais. Precisão, técnica e qualidade. Tork N’ Roll, Curitiba. Foto: Willian Germano – @uilia.germano

Max Phelps assumiu a difícil missão de canalizar a energia de Chuck com uma potência vocal invejável e um trabalho de guitarra de altíssimo nível.

Ao seu lado, Steve DiGiorgio deu um show à parte: seu carisma e a forma genial com que conduz o baixo — interagindo constantemente com o público — são hipnotizantes. E o que dizer de Gene Hoglan? O “The Atomic Clock” foi absurdamente monstruoso. Assistir à complexidade de suas viradas e à progressão milimétrica de cada música é algo inacreditável e impactante.

O setlist foi um presente generoso. Além de celebrar os 35 anos de “Spiritual Healing”, o público curitibano teve o privilégio de testemunhar o álbum “Symbolic” sendo executado na íntegra. Faixas como “Zero Tolerance”, “1,000 Eyes” e a emblemática “Crystal Mountain” soaram com uma precisão técnica que beira o sobrenatural.

Steve DiGiorgio e toda sua magia nos graves do baixo. Tork N’ Roll, Curitiba. Foto: Willian Germano – @uilia.germano

A jornada musical ainda percorreu outros pilares da carreira da banda, culminando em momentos de catarse coletiva com “Spirit Crusher” e o hino absoluto “Pull the Plug“.

O Metal Acima de Tudo!!!! Foi emocionante ver clássicos sendo executados com tamanha perfeição, reafirmando que o Death Metal, sob a visão de Schuldiner, sempre teve espaço para a melodia e para o progressivo, sem perder a agressividade. O show do Death to All em Curitiba foi um triunfo.

Bobby Koelble, Tork N’ Roll em Curitiba. Foto: Willian Germano – @uilia.germano

O público saiu do Tork N’ Roll com a certeza de que, enquanto houver músicos com essa entrega e um público tão renovado, a chama do Death nunca se apagará. Chuck ficaria orgulhoso.

SETLIST:
1. Infernal Death
2. Living Monstrosity
3. Defensive Personalities
4. Lack of Comprehension
5. Altering the Future
6. Zombie Ritual
7. Within the Mind
8. The Philosopher
9. Spiritual Healing
10. Symbolic
11. Zero Tolerance
12. Empty Words
13. Sacred Serenity
14. 1,000 Eyes
15. Without Judgement
16. Crystal Mountain
17. Misanthrope
18. Perennial Quest
19. Spirit Crusher
20. Pull the Plug

DiGiorgio e Phelps. Tork N’ Roll, Curitiba. Foto: Willian Germano – @uilia.germano

Facebook - Comente, participe. Lembre-se você é responsável pelo que diz.