
Se a primeira apresentação da noite trouxe o ritual teatral polonês, a segunda elevou o Tork N’ Roll a um purgatório insano. O lendário Deicide subiu ao palco para entregar uma dose de death metal que Curitiba aguardava há anos. A performance foi extremamente brutal, pesada e enérgica, mostrando que menos é mais e com um forte toque saudosista que incendiou o público.
O Deicide não perdeu tempo e lançou uma sequência de clássicos implacáveis. Faixas como “When Satan Rules His World” e “Carnage in the Temple of the Damned” mostraram que a banda se mantém como um pilar da brutalidade pura. O som, que precisava suportar a avalanche de blast beats e riffs cortantes, se manteve fiel à proposta, entregando a clareza necessária para distinguir o caos.

Apesar da presença icônica de Glen Benton (baixo e voz) no front, a performance foi dominada pela seção rítmica. Foi inacreditável ver a precisão e a velocidade de Steve Asheim na bateria: em um estilo onde músicos se preocupam cada vez mais com a técnica (até para segurar baquetas), precisão, velocidade e menos com musicalidade e o sentimento, Asheim surpreendeu unindo vigor, brutalidade e musicalidade, demonstrando que a técnica é importante, mas não o único elemento. A fúria implacável e a técnica insana demonstradas na bateria ditaram o ritmo e a intensidade do set. Igualmente impressionante foi o novo guitarrista, Jadran “Conan” Gonzalez (Exmortus), cuja presença brutal preencheu a parede sonora, provando que a formação atual está à altura do legado da banda.

O setlist funcionou como uma viagem sem trégua pelo cânone do death metal. A banda entregou clássicos vitais como “Bury the Cross… With Your Christ” e “Behead the Prophet (No Lord Shall Live)“. A nostalgia atingiu o pico com a faixa “Once Upon the Cross“, mostrando o domínio que o Deicide exerce sobre o gênero.
O desfecho foi um ataque frontal de pura maldade, com hinos como “Satan Spawn, the Caco-Daemon” e “In Hell I Burn“. A energia insana culminou com a dobradinha final de “Dead by Dawn” e “Homage for Satan”, encerrando o segundo show da noite em chamas.
A performance do Deicide foi a prova de que a brutalidade não envelhece. O simples ato de subir ao palco e tocar sem precisar de adornos, funciona, sem fórmulas mágicas, direto e reto, cirúrgico. A banda honrou sua história e, impulsionada por uma seção rítmica em estado de graça, garantiu que a longa espera valeu cada segundo de caos.
Setlist:
1. When Satan Rules His World
2. Carnage in the Temple of the Damned
3. Bury the Cross… With Your Christ
4. Behead the Prophet (No Lord Shall Live)
5. Once Upon the Cross
6. From Unknown Heights You Shall Fall
7. Sacrificial Suicide
8. Satan Spawn, the Caco-Daemon
9. Sever the Tongue
10. In Hell I Burn
11. They Are the Children of the Underworld
12. Dead by Dawn
13. Homage for Satan


