O Ritual Final …
Em uma quarta feira totalmente despretensiosa, o culto iria acontecer. Todos preparados para o derradeiro ritual. Com casa cheia, todos queriam a sua dose sonora setentista e de psicodelia.
Eu me diverti muito e espero/desejo que se divirta também. Boa leitura!


Pontualmente às 20:00, a banda paulistana Space Grease ficou encarregada de abrir o trabalhos.
Formada em 2018 na capital paulista, é com certeza destaque no estilo;
Com atmosfera hipnótica, cativaram o público com energia. Unindo psicodelia e som pesado oriunda do punk, a banda apostou em elementos que fogem ao comum – O uso de maracas e percursão, deram o tom, fugindo do lugar comum.
A Space Grease em um todo se destaca por sua dinâmica, mas vale ressaltar que a energia empregada pelo batetista Henrique Bittencourt ( guitarrista da Weedevil), surpreendeu e foi com certeza, um dos pontos altos. A vocalista Ju Ramirez conduziu a apresentação com maestria e autoridade de quem tem o domínio de palco e consegue ter o público em suas mãos. Um som com veia setentista, uniu o hard rock, o metal e doses generosas de viagem transcedental mergulhando tudo isto em uma psicodelia que agradou a todos. A influência de musica regional, trouxe a América Latina para o palco.


No setlist “Greystone” abriu o set, com percursão latente e aurea de mistério, trouxe o começo necessário. Sendo ja o suficiente para abrir os olhos e ouvidos para o que viria. Guitarra potente e um baixo que uniu a cozinha e já deu a certeza de que não seria uma simples abertura .
Mantendo o peso, foi a vez de “Wrong Way“, com destaque para a percusão, que deu o diferencial e no embalou em um ritmo tribal, que foi facilmente conciliado como num todo ao instrumental e parte vocal. Encaixe certeiro e preciso, o que embalou a viagem sonora.
“Can’t Hide” não poderia ficar de fora, afinal é também o nome do EP lançado pela banda no ano de 2023. A essência Hard Rock veio forte e presente e nos trouxe então “Blue Bird“.

Na segunda parte do set, foi a vez de “Lose Control“, “Empty Man” e “Cheap Drugs”.
No bis, foi a vez de “My Enemy“, que com certeza foi uma das mais comentadas no set e que finalizou com chave de ouro a apresentação da banda.
Um set que deixou com aquele gostinho de quero mais, por conta de sua brevidade. Sinal que agradou e que deixou o público satisfeito e preparado para o anfitrião da noite.
Com influências de Led Zeppelin e Black Sabbath, a banda entregou uma baita apresentação.

Pontualmente às 21:00, ao abrir das cortinas Lucifer se revelou.
Após o abrir o Bangers no primeiro dia de festival e encarar o sol dos trópicos, um pouco de frescos em uma noite agradável.
Banda formada em 2014 na Alemanha e baseada atualmente na Suécia, é integrada por músicos/musicistas de diversas nacionalidades. Com o fim do The Oath, a banda capitaneada por Johanna Sadonis entrega através da sua música temática ocultista. Passando pelo heavy, occult rock, doom metal, hard rock – com veia setentista e influencia de Black Sabbath e Pentagram, traz um som oldschool, mas que se permite ter também uma roupagem moderna em determinados momentos. É um som que cativa e que faz jus de estar onde está. Musica além da música, música feita para sentir e mergulhar com profundidade.

“Anubis” abriu os trabalhos e não demorou muito para perceber o público totalmente entregue e cantando. “Ghosts” veio na sequencia, precisa e trazendo destaque a dupla de guitarras, que em sincronia foram formando o clima da cançao e o público ja agitava. “Crucifix ( I Burn For You)“, trouxe o peso e seu refrão grudento. Na sequência foi a vez da empolgante “Riding Reaper“, com o público cantando a plenos pulmões, a energia que emanava do palco ficava mais convidativa.

Vale ressaltar que a banda vem vivendo um novo momento, nova formação que por sua vez fez estreia no Bangers Open Air (25 e 26 de Maio de 2026) contando com Johanna no vocal, Coralie Baier e Max Eriksson (guitarras), Claudia González Díaz (baixo) e Kevin Kuhn (bateria).
Destaco a seguinte impressão, cada músico brilha por si só e não se sobrepõem. A formação parece muito bem entrosada e com energia lá em cima. E principalmente vontade de tocar e transmitam de longe uma simpatia natural.
Após este breve comentário, foi a vez da sombria “Wild Hearses“, uma elegia romãntica, um romance frio de cadaveres.


E nesta profana dança, a sombria “Lucifer” não poderia ficar de fora e se fez presente.
“At The Mortuary” foi cantada de maneira forte pelo público que não economizou gogó.
“Slow Dance In A Crypt“, trouxe um clima diferente, quase um blues, foi anunciada pela vocalista Johanna, que em tom de brincadeira, que as coisas poderiam aquecer, por conta do teor “safadinho” da canção. Quase romantica foi então reproduzida e agradou muito.
As pesadissimas “The Dead Don’t Speak” e “California Son” encerraram o set e a banda se retirou para o aguardadíssimo bis.


Com a banda fora do palco, volta então o baterista Kevin Kuhn para o momento mais descontraídio da noite. Ele chamou e o público fez bonito. De improviso, tocou trechos de canções conhecidas passando por Iron Maiden, Ozzy, Queen e Twisted Sister e o público fez bonito e cantou de forma uníssona. Uma forma bacana de manter o público aquecido e preparado para os momentos finais, já deixando aquela saudade marota.
Por fim, Kuhn chama a banda ao palco e a partir da brincadeira já emenda com o hit “Bring Me His Head“, que não poderia ser diferente e foi cantada a plenos pulmões e celebrada pelo público. Com certeza um dos pontos mais altos da apresentação. “Goin Blind” do Kiss, foi apresentada em um tributo magnânimo e que não deixou nada a desejar.
Já no encerramento, Johanna agradeceu ao público e dedicou a última canção a todos (as), presentes ali e a dedicou ao público que os chamou de seus “anjos caídos”, em referência a “Fallen Angel“.
Encerrando desta forma, com chave de ouro.

Sobre a noite, posso afirmar que foi de fato uma noie memorável. Leve e sem intercorrências.
Protagonismo feminino levado a sério e de forma honesta. Crucial e importante salientar.
Um encerramento de tour digno e com o carinho à altura. Afinal foram 8 datas por aqui e isto sem levar em conta datas fora do Brasil.
Assim, encerrou-se a tour da banda Lucifer pela América do Sul. Que voltem em breve!
Um espetáculo que teve peso, mas foi leve e tranquilo. Não me senti cansado e/ou exausto por mais que estivessemos no meio da semana. Houve descontração, intensidade sonora e o público se divertindo.
As bandas trouxeram algo diferente, sem apelação ou forçado. Se divertitam e isso foi sentido pelo público. Foi uma noite linda e me senti feliz de estar ali presente. Foi marcante e ao mesmo tempo já nos deixa com vontade de repetir esta noite. Ambas as bandas trouxeram uma pegada cativante e que tomara que não demore a se repetir.

Agradecimentos especiais Xaninho e Caveira Velha Produções pelo formidável espetáculo. Foi uma experiência ímpar! Sensacional !!!!
Galera, não deixem de conferir nosso álbum de fotos do show. Estão disponíveis na página do Cultura Em Peso no Facebook. Com os clicks sempre incríveis de Sabrina Ribeiro.
Obs: Todas as fotos desta matéria por: Sabrina Ribeiro.
Confira!!!

