
O show final da noite no Tork N’ Roll ficou por conta dos anfitriões da The Unholy Trinity Tour, o lendário Behemoth. A banda polonesa subiu ao palco e imediatamente transformou o local em seu templo particular, entregando um show que é uma síntese perfeita de brutalidade musical e grandeza teatral.
O Behemoth não toca apenas; ele encena. O instrumental estava matador, com a precisão clínica que se espera de uma banda desse calibre. O ataque foi iniciado com a força de “The Shadow Elite” e “Ora Pro Nobis Lucifer“, estabelecendo o peso e o clima ritualístico que se manteria inabalável. O teatro foi um elemento central, com trocas de roupas e adereços que davam a cada parte do set uma nova dimensão visual.

O setlist funcionou como um manifesto de sua discografia, indo da fúria de “Demigod” e “Conquer All” à atmosfera densa de “Blow Your Trumpets Gabriel” e “Ov Fire and the Void“. A presença de palco de Nergal e a excelência técnica da banda garantiram que, por trás de todo o artifício cênico, o metal executado fosse implacável e perfeito.
A performance técnica ganhou um peso monumental com a presença do baterista Inferno. Para quem esteve no show em 2022 com Arch Enemy, e teve que se conformar com a ausência, ver a formação completa elevou o nível de peso e brutalidade da banda. Inferno demonstrou ser uma máquina de guerra perfeitamente calibrada: sua velocidade e precisão impressionantes serviram como o motor potente do ritual. Ele executou blast beats vertiginosos e viradas complexas com uma frieza inigualável, provando ser imprescindível e fundamental que completa toda a teatralidade e o peso esmagador do blackened death metal apresentado pela banda.

Apesar de toda a produção cênica e da aura quase inatingível que cerca a banda, o momento mais humano e conectivo da noite foi proporcionado por Orion (baixo). O músico desceu do palco e tocou em meio ao público, rompendo a barreira invisível entre a banda e a plateia. Este gesto provou que, mesmo em um espetáculo tão grandioso, a interação com a base de fãs permanece fundamental.
O Behemoth fechou a performance com uma sequência de clássicos que reforçam seu legado. Após a intensidade de “Christians to the Lions” e “Chant for Eschaton 2000“, a banda concluiu o ritual com a épica e cinematográfica “O Father O Satan O Sun!“.
A The Unholy Trinity Tour se encerrou em Curitiba com o Behemoth provando por que é um dos nomes mais importantes do blackened death metal mundial: a banda não apenas toca o gênero, ela o personifica, unindo com maestria a técnica instrumental impecável e o espetáculo, que foi verdadeiramente inesquecível para quem estava presente.
Setlist:
1. The Shadow Elite
2. Ora Pro Nobis Lucifer
3. Demigod
4. The Shit ov God
5. Conquer All
6. Blow Your Trumpets Gabriel
7. Ov Fire and the Void
8. Lvciferaeon
9. Bartzabel
10. Solve
11. Wolves ov Siberia
12. Once Upon a Pale Horse
13. Christians to the Lions
14. Cursed Angel of Doom
15. Chant for Eschaton 2000
16. O Father O Satan O Sun!



