A todo mundo… a todos os meus amigos…

 

A noite começou com longas filas e correria das equipes que recepcionavam o público. Filas sendo organizadas e público sendo direcionado as pistas e camarotes. O trabalho das equipes foi gigantesco, afinal com meses de antecedência os ingressos esgotaram.

Antes mesmo de começar as expectativas eram altas.
Não só mais altas que a ansiedade e o tom de descontração que dominava o Espaço Unimed. Reencontros de velhos amigos e amigas, novas gerações em família unidos para um encontro épico. A lenda da Bay Area, cavalheiros do Big Four e com uma longa jornada dentro da cena Metal.

Pais e filhas, mães e filhos em uma oportunidade ímpar, como se um legado fosse passado de geração para geração. Como se o bastão estivesse sendo passado e o único ímpeto era se divertir.

A “despedida” não estava com tanta cara de “adeus. Um até breve? Talvez, não sabemos,  mas o que dizem os bons é que em breve poderemos ver o Megadeth novamente em terra brasileiras, com mais datas e mais locais. Dando a entender que realmente, esta despedida não será tão breve..
Só sei que quem por lá esteve, teve o privilégio de estar presente em uma noite histórica.
Um dos pioneiros e maiores nomes do Thrash Metal mundial, anunciando que vai se retirar dos palcos para seu descanso após décadas de contribuição ao estilo.


Então por fim, não sei se uma data única seria obstante para algo desta magnitude.
Mas independente de qualquer situação, o público fez bonito e cantou com a vida.
Agitou, moshou, brincou, curtiu e foi intenso do começo ao fim. O que não deixou a banda indiferente.
Conseguindo arrancar de Dave Mustaine, sorrisos e falas amplas sobre a trajetória “metalíca”.

Até o Dave que tem fama de ser um chefe turrão, não resistiu ao clamor do público, que celebrou e ovacionou seu nome e o da banda, tal como uma reverência.

Esta resenha pode soar até meio algo totalmente escrito por um fã (e de fato sou), mas desejo que não soe piegas, entusiasmada demais ou com visão de quem se emocionou demais.
Será um desafio, mas vamos tentar (risos)

A cada movimentação da equipe técnica no palco, o público ia ao delirio e começava a gritar o nome da banda, já os conclamando para iniciar a tão aguardada apresentação.

Alguns minutos após o horário marcado e uma espera que parecia interminável, os gigantes adentraram ao palco. Como em um ato solene. O painel de led que trazia o nome “Megadeth” meio apagado, ganhou as luzes e as luzes foram ganhando o palco. Canhões de luzes revelaram as silhuetas de cada um dos músicos.

Os primeiros acordes foram um caminho sem volta. O show de luzes parecia tornar aquela experiencia ainda mais surreal. Posso estar exagerando agora, mas aquilo parecia ser o maior show de nossas vidas.
Com um setlist que abordou toda a trajetória, riffs poderosos de Mustaine, nos fizeram recordar que ali estava alguém era alguém, cujo as composições furiosas e riffs marcantes embalaram e embalam nossa memória desde tenra idade. Passando um filme na memória.
No palco estava alguém que viveu a vida que quis e que agora parece estar mais pleno, mas sem perder a destreza.  Embora trazendo os reflexo do tempo em sua voz, tendo superado um câncer na gargante e já sentindo as limitações que a idade implica, mas que não perde a maestria, deu aula.

Mustaine companhado de Teemu Mäntysaari (guitarra), James LoMenzo (baixo) e Dirk Verbeuren (bateria), trouxe a derradeira “ This Was Our Life” aos presentes.
Tipping Point“, iniciou os trabalhos,  faixa do álbum homônimo lançado em janeiro deste ano (2025), sendo cantada com intensidade pelo público, de destacando como uma canção marcante.
Na sequência “The Conjuring” foi tocada e surpreendeu, pois Mustaine após a sua conversão ao cristianismo, havia retirado essa canção das apresentações por conta de seu teor satânico.
Desfilando clássicos foi a vez de “Hangar 18”, cantada com fôlego e força, deu a sensação de que o instrumental estava perfeito, tudo muito afiado.

Dirk (bateriia) e Teemu (Guitarra), deram um show a parte, com impressionante técnica e potência tornavam tudo ainda mais surreal, sem deixar de destacar o baixo de James LoMenzo, que segurou muito bem a pedrada de uma grande responsabilidade de unir todo e tornar tudo ainda  mais inesquecível.  “She-Wolf ” e  “Sweating Bullets “, seguiram embalando o público que cantou do começo ao fim, revelando uma reciprocidade gigantesca entre banda e público.

Ao meu lado, o mosh seguia insano, com o próprio público se organizando nas viscerais muralhas da morte/walls of death, como preferir. Curtindo, cantando e aguardando os momentos altos das músicas para um moshpit empolgado, saudável, divertido e sem machucar o coleguinha.
I Don’t Care“, “Dread and the Fugitive Mind” e “Wake Up Dead“, vieram ainda mais impetuosas, enquanto isso o público seguia firme e forte, celebrando a banda., gritando o seu nome e saudando Mustaine e seus companheiros. A cada música finalizada as luzes se apagavam, a banda saia do palco e voltava, como se cada canção apresentada fosse um ato que se encerrava e outro que se finalizava.

Continuando o desfile de clássicos, não poderia ficar de fora ” In My Darkest Hour“, que fez o público ir a loucura e celebrar como um título no campeonato de futebol. Energia empenhada também em “Hook in Mouth ” e “Let There Be Shred“.
Em “Symphony of Destruction“, o que já estava sério e efervescente, ficou ainda mais impetuoso. O público parafraseando os riffs e gritando “Megadeth” nos intervalos de riffs onde Mustaine não cantava.
Tornando ainda mais glorioso este momento importante da apresentação.
Sem perdão algum “Tornado of Souls” fez jus ao nome e o que se sentiu foi a energia de um tornado impetuoso – uma onda de energia e vozes que tomaram ainda mais a casa. Não poderia ser diferente se tratando de um dos maiores clássicos do Megadeth.
Mechanix” antecedeu uma grata surpresa e o que ninguém esparava aconteceu, a inesperada “Ride the Lightning“, do Metallica pegou a todos de surpresa e a plateia não decepcionou, cantou com força total e se regojizou neste clássico, cujo a co-autoria também é de Dave Mustaine.  Era visivel que o boss da banda estava feliz.

Tudo isso me fez relembrar do que li, que a mais de 40 decadas atrás, uma dissidência/expulsão, a o invés de findar uma trajetória musical, foi combustível para construção de um dos maiores legados da cena. Criando ao mesmo tempo duas bandas gigantescas. Um recomeço que é chama que queima intensamente até hoje e se perpetua com a força e potência das canções, que inspiram e continuarã a inspirar fãs e bandas ao redor do mundo.

Peace Sells” em coro foi cantada pelo público. O negócio estava tão monstruoso que nesta canção e em algumas outras, Mustaine deixou a cargo do público que cantasse a plenos pulmões e apenas seguiu tocando guitarra enquanto os fãs davam show e entregavam um canto uníssono e vigoroso.
Holy Wars… The Punishment Due” coroou então a impactante apresentação.
Em uma noite mágica foi algo que jamais esquecerei. Assim como eu, muitos sentiram falta da “À Tou Le Monde“, que poderia inclusive ser a cereja do bolo.
Mas a esperança vive, quem sabe em um possível retorno esteja presente no setlist. Seria maravilhoso!!!

No geral, foi uma noite que jamais se apagará na memória. Um filme novamente passando a frente dos olhos. Uma banda que mesmo que encerre suas atividades, é inegável e irrevogável seu legado.

Grato a Mercury Concerts e Catto Comunicação por este formidável e esplendoroso espetáculo.
Espaço Unimed sempre com um som implacável e redondo. Foi SEN-SA-CI-O-NAL!!!!