Na Turquia, a cena underground de Istambul/Kadıköy, Ancara e Izmir segue ativa e resistente, apesar de pressões políticas e cancelamentos. Em outubro de 2024, a banda Nascent lançou seu álbum de estreia voltado para o death/black metal, “The Assailant”, pela Tamar Records. A banda foi fundada em meados de 2022, consolidando a sua formação em 2023, com Orhan Dinçşahin nos vocais, Recep Zengin e Yusuf Beyazkılınç nas guitarras, İhsan Yiğit Ergin no baixo e Ercan Demireli na bateria.
https://wearenascent.bandcamp.com/album/the-assailant
Em clara sublimação estética da dor, a entrega é convertida em um poderoso rebento. A melancolia e a introspecção em meio ao caos existencial são temas frequentes em suas letras, entregando uma musicalidade profunda e sombria, caracterizada pelo som cru e bem feito, agressivo e atmosférico.
Já de início, a capa traz figuras dismórficas em primeiro e segundo plano, como num vislumbre sombrio que antecipa a chegada da morte, algo que chega para todos sem aviso, sem indicações do que esperar, apenas destacando nuances de angústia e melancolia que assolam nossos dias caóticos.
Apresentando uma sonoridade com paredes de guitarras controladas, linhas de baixo audíveis e transições entre a melancolia exacerbada e a agressividade inerente que abarca o peso textural conciso e sem exibicionismos, temos uma tempestade sonora em The Assailand, para além da primeira impressão, e que, ao mesmo tempo, se destaca na cena turca consolidando em um contexto no qual também podemos escutar ecos e apreciar os álbuns do Engulfed — ‘Unearthly Litanies of Despair’ (2024), do Diabolizer — ‘Khalkedonian Death’ (2021) / ‘Murderous Revelations’ (2025) e do Zifir — ‘Demoniac Ethics’ (2020).
A musicalidade é certeira e não passa do ponto, entregando riffs melódicos e estruturas complexas do black metal, tudo muito bem equilibrado. Como também encontramos nuances da agressividade do death metal melódico e pitadas muito bem articuladas de post-metal e doom metal, combinando qualidade e genialidade interessante, expressa em caos que beira à virtude.
A primeira música, Our Roots, traz a receita inicial e que funciona em todo o álbum, som tecnicamente bem feito, sem muitos efeitos ou firulas, riffs cirurgicos, o vocal rosnado chiado é delicioso, com o baixo e a bateria eficientes. A música funciona como um portal e abre o arco temático do álbum – “raízes” que antecedem o conflito do “assailant” , com riffs marcantes e arrastados do post/doom. em Torn e Lachesim, minha preferida, o Nascent mostra toda a sua força, com riffs destruidores que faz você cantar a plenos plumões enquanto banguea desesperadamente e, ao mesmo tempo, em que há backing vocals mais refinados, cortes rítmicos e contratempos interessantes, que evocam dilaceração/ruptura. Lachesim é a catarse do álbum, quase um blackened doom, e que traz a força de quem não deseja mais controlar o caos. Com The Assailant e Stygian, a mais melódica do álbum, fecham o petardo ritualísticamente, sombrio e decadente.
Músicas:
Nota 9,0/10,0
Nascent:
Orhan Dinçşahin – Vocals Recep
Zengin – Guitars
Yusuf Beyazkılınç – Guitars
İhsan Yiğit Ergin – Bass
Ercan Demireli – Drums
https://www.instagram.com/nascentband.official/
Engenheiros de Gravação: Gökberk Kağan Saraç, Berna Lara Kasar. Estúdio: Sound Fabrique. Engenheiros de Mixagem e Masterização: Can Gelgeç, Emre Bingöl. Produção: Orhan Dinçşahin, İhsan Yiğit Ergin. Samples: Orhan Dinçşahin, Yusuf Beyazkılınç, Can Gelgeç. Arte da Capa/álbum: Neptun “araf” Elixce.

